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sábado, 15 de março de 2014

APRENDENDO A REPARTIR

Bruno era um menino que pensava apenas em si mesmo. Não repartia nada com ninguém. Quando ganhava dos avós ou dos tios algum doce, chocolate ou balas escondia tudo no seu armário. E tão bem fazia que ninguém conhecia seu esconderijo, nem sua mãe. Era seu tesouro. Sabem para quê?

Para poder comer tudo depois, na hora em que estivesse sozinho.

A mãe reprovava seu comportamento dizendo:

- Bruno, meu filho, temos que aprender a repartir o que temos com os outros. Não podemos ser egoístas e desejar tudo para nós. À medida que a gente dá, também recebe.

Mas o garoto respondia mal-educado:

- Eu, hein! Se fui eu que ganhei, tudo é meu! Não abro mão.

Seus irmãozinhos menores, Breno e Bianca comiam os doces que tinham ganhado e Bruno ficava só olhando, pensando no prazer que teria depois ao apreciar tudo sozinho no seu quarto. Porém, Bruno ia brincar e se distraía, esquecendo que havia guardado os presentes.

E o tempo ia passando.

Um belo dia, os irmãos de Bruno entraram em casa trazendo um pacote de balas e de pirulitos cada um. Vinham contentes, exibindo os doces que tinham ganhado de um senhor que passara na rua distribuindo guloseimas para as crianças.

Bruno, que estava dentro de casa, nada ganhou, e fez bico:

- Eu quero também! Eu quero! Dá um pouco pra mim?

Mas Breno retrucou, decidido, com a aprovação de Bianca, a menorzinha:

- Não dou não. Você nunca reparte nada com ninguém!

Bruno, irritado e com cara de choro, respondeu:

- Egoístas! Não faz mal. Tenho muita coisa guardada. Não preciso de nada! Vocês vão ver!

E correu para o quarto, seguido de perto pelos irmãos, curioso de ver onde ficava o esconderijo que Bruno escondia tão cuidadosamente e que eles nunca tinham conseguido descobrir. Bruno abriu a porta do guarda-roupa, retirou uma gaveta e, no fundo, num espaço vago, bem escondidinho, lá estava tudo o que ele tinha ganhado e que conservara.

Com ar de triunfo, enfiou a mão e foi retirando chocolates, doces, bolos, balas, diante dos olhos arregalados dos pequenos.

Mas, ó surpresa! Com espanto, Bruno notou que os seus doces estavam com aspecto muito feio: os chocolates estavam velhos, os doces tinham se estragado, os bolos estavam azedos, as balas meladas.

Terrivelmente decepcionado, Bruno percebeu naquele instante que, em virtude do seu egoísmo, não repartira nada para ninguém. E, pior que isso, constatou que ele mesmo não aproveitara as coisas tão gostosas que lhe tinham dado com tanto carinho. Agora, infelizmente, esta tudo estragado e teria que ser jogado no lixo.

Sentou-se na cama e, cobrindo a cabeça com as mãos, começou a chorar.

Seus irmãos, que apesar de pequenos, tinham bom coração, aproximaram-se dele e Breno disse:

- Não fique triste, Bruno.

E, sob seu olhar surpreso, repartiram fraternalmente com ele tudo o que tinham ganhado naquele dia.

- Eu não mereço a generosidade de vocês.

Aprendi nesse momento importante lição. Entendo agora o que mamãe quer dizer quando afirma que à medida que a gente dá, recebe. Eu nunca dei nada e nada mereço, mas vocês provaram que têm um bom coração.

A partir de hoje, vou procurar ser menos egoísta.

Prometo!

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal – Agosto de 2000.
Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A BALANÇA

Quando menino eu vivia brigando com meus companheiros de brinquedos. E voltava para casa lamuriando e queixando-me deles.

Isto ocorria, as mais das vezes, com Beto, o meu melhor amigo.

Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me do Beto ela me ouviu e disse o seguinte:

- Vai buscar a sua balança e os blocos.

- Mas, o que tem isso a ver com o Beto?

- Você verá... Vamos fazer uma brincadeira.

Obedeci e trouxe a balança e os blocos. Então ela disse:

- Primeiro vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do Beto.

Conte-me quais são.

Fui relacionando-os e certo número de blocos foi empilhado daquele lado.

- Você não tem nada mais a dizer?

Eu não tinha e ela propôs: Então você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no outro prato da balança.

Eu hesitei, porém ela me animou dizendo:

- Ele não deixa você andar em sua bicicleta? Não reparte o seu doce com você?

Concordei e passei a mencionar o que havia de bom no caráter de meu amiguinho. Ela foi colocando os blocos do outro lado. De repente eu percebi que a balança oscilava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.

Dei uma risada e mamãe observou:

- Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.

E de fato. Através dos anos aquele pequeno incidente de pesagem tem exercido importante influência sobre meus julgamentos.

Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança e comparo seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança no gênero humano.

Da obra: Para o Resto da Vida de Wallace Leal V. Rodrigues.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

SURPRESA DE NATAL

Num bairro muito pobre, na periferia de uma grande cidade, morava Paulinho.

De coração bom e generoso, era estimado por todos.

Em sua casa, faltava quase sempre o necessário. O pai trabalhava duro na roça como boia-fria, mas ganhava pouco. A mãe, apesar de dar duro lavando roupas para as famílias mais abastadas, também não recebia muito.

Assim, tudo o que ganhavam era gasto em alimentação, aluguel da casa, água e luz.

Paulinho sonhava com roupas, calçados e brinquedos que via nas vitrines e que nunca poderia ter.

Vestia-se muito pobremente, andava descalço e brincava de faz-de-conta, à falta de um carrinho ou de uma bola.

Apesar de tudo, era feliz, porque amava a todas as pessoas e todos o amavam também.

Pela manhã ia à escola. Ao retornar, ajudava a mãe nos serviços domésticos. Depois, saía para a rua. Sempre aparecia o que fazer.

Prestativo, com sorriso no rosto ajudava a quem estivesse precisando.

Dona Vitória dava-lhe a incumbência de pagar uma conta urgente.

- Claro dona Vitória. Fique tranquila. - respondia ele. Outra hora, passando pela rua, alguém o chamava:

- Paulinho, você faria companhia a Ritinha, enquanto vou fazer compras? Sabe como é, ela é paralítica e pode precisar de alguma coisa enquanto eu estiver ausente...

- Com prazer, dona Benedita.

Aproveito e conto a ela uma história que aprendi na escola.

- Obrigada. Ela fica muito feliz quando você está por perto.

E lá ia Paulinho para a casa de dona Benedita. Entrava, e um lindo sorriso abria-se no rosto da menina de dez anos que, em virtude de uma paralisia infantil não podia andar.

- Ô menino, me ajude a chegar até em casa. Vamos, tenho pressa!
Ninguém gostava do seo José porque era muito ranzinza, mas Paulinho não se incomodava com o jeitão dele.

- Claro, seo José! Como vai sua saúde? Melhorou da bronquite?

Assim, escorando o velho, com muita paciência e boa vontade, Paulinho acompanhou conversando alegremente.

Ele era assim com todos.

Generoso, não apenas ajudava, mas repartia sempre o que ganhava.

Certo dia encontrou uma pedra muito bonita. Era lisinha e brilhava como o Sol, limpou-a bem e guardou-a com carinho. Mais adiante, porém, encontrou André um menino pequeno que chorava.

Tinha levado um tombo e o joelho estava doendo. Paulinho, não teve dúvidas. Tirou a pedra do bolso da calça e afirmou:

- Está vendo esta pedra, André?

- Ela é mágica e vai tirar a sua dor. Fique com ela. É sua!

O garotinho olhou encantado para a pedra e parou de chorar, abrindo um sorriso agradecido.

Na escola, Paulinho ganhou um livro de histórias e logo pensou:
- Vou dar para Ritinha.

Certamente, ela precisa mais dele do que eu. Posso fazer um montão de coisas, mas minha amiga Ritinha só pode ficar naquela cama ou na cadeira de rodas.

O Natal se aproximava. A cidade estava toda bonita, cheia de luzes, de cores e de alegria. Paulinho tinha muita vontade de ganhar um presente, mas sabia que era impossível. Seus pais não tinham dinheiro para isso. Contudo, sempre de bom ânimo, ele pensava:

- Para que quero presente? Jesus já me deu tanta coisa! Tenho saúde, pais amorosos, amigos... Nada me falta!

No dia de Natal, Paulinho saiu de casa. Queria encontrar os amigos.

Mas, todos tinham desaparecido.

Não encontrou ninguém.

Voltou para casa um pouco triste. Afinal, era Natal, dia em que se comemora o nascimento de Jesus, e ele queria cumprimentar seus amigos.

À tardezinha vieram lhe avisar que dona Benedita queria falar com ele.

Sem demora, dirigiu-se até a casa dela. Estranhou que estava tudo escuro. Já era noite e as luzes continuavam apagadas. Bateu devagarzinho.

A porta se abriu e – oh! Surpresa! – as luzes se acenderam e ele foi recebido com uma salva de palmas.

Olhou ao redor. A pequena casa de dona Benedita estava cheia de gente. Todos os seus amigos estavam ali, até o seo José! Tinha árvore de Natal e enfeites pelas paredes.

- Mas... Mas o que está acontecendo? – gaguejou espantado ao ver todo aquele povo ali reunido.

Ritinha sorriu e explicou:

- Resolvemos fazer uma festa para você, Paulinho! Por tudo o que você tem feito a todos nós, receba o nosso agradecimento.

- E, tirando de debaixo das cobertas uma caixa, falou:

- Este é o meu presente! FELIZ NATAL!

Sem poder acreditar no que estava acontecendo, com lágrimas nos olhos, Paulinho viu a cara de um cachorrinho malhado de preto e branco, com uma fita vermelha amarrada no pescoço.

Tomou o animalzinho nos braços, acariciando lhe o pelo sedoso.

- Nem sei como agradecer, Ritinha! Sempre quis ter um cachorrinho!

- Pois não agradeça. Você merece muito mais!

Todos o abraçaram desejando-lhe boas festas, inclusive seus pais, também presentes, muito orgulhosos do filho. Cada um lhe entregou um pacote. Dona Vitória, uma roupa que tinha costurado especialmente para ele. Seo José, um par de sapatos que fora do seu filho. O pequeno André entregou- lhe um carrinho, outro um estojo e assim ganhou uma porção de presentes.

Enxugando as lágrimas, Paulinho abriu os braços e só conseguiu dizer cheio de emoção:

- Obrigado! Obrigado! FELIZ NATAL para todos!

E naquela noite, tiveram uma festa animada e agradável exemplificando a fraternidade e a solidariedade que deve prevalecer no coração de todas as criaturas, lembrando a terna mensagem de Jesus.

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal – Dezembro de 1999.
Fonte do texto e imagem: Internet Google.


sábado, 25 de janeiro de 2014

A COBRA

Caminhando por uma estrada de terra batida, no meio da mata, Lúcia ia tranquila.

Morava num sítio das redondezas e dirigia-se à escola, distante uns quinhentos metros de sua casa.

De súbito, dentre a vegetação, surgiu, se arrastando, enorme e ameaçadora cobra. Colocando-se no meio do caminho, ela armou o bote e ficou esperando.

A princípio, assustada, a menina parou. Pensou em voltar. Naquele momento, porém, lembrou-se de tudo o que já aprendera. Sua mãe sempre lhe dizia que tudo na Natureza é criação de Deus, e que devemos respeitar qualquer forma de vida, fosse humana, animal ou vegetal.

Assim, enchendo-se de coragem, tendo o cuidado de manter uma boa distância, dirigiu-se ao réptil dizendo:

Minha amiga Dona Cobra. Nada tenho contra a senhora. Ao contrário, somos todos irmãos, porque filhos de um mesmo Pai, que é Deus.

Estou indo para a escola e preciso passar por este lugar, que a senhora está ocupando. Assim, se fizer gentileza de deixar-me passar, eu lhe ficarei muito grata.

A voz da menina, serena e doce, aquietou o animal, que a contemplava com seus olhinhos miúdos.

Depois, parecendo compreender o que lhe foi dito, coleou pela terra lentamente, desaparecendo no meio do mato.

Lúcia, grata a Deus pela proteção que lhe dera, continuou seu trajeto até a escola.

Durante horas, ali permaneceu entregue às atividades escolares, esquecendo-se do incidente.

Mais tarde, quase no horário de tocar o sinal para a saída, chegou alguém. Era um homem que tinha socorrido um menino. Ainda assustado, contou ele:

- Eu vinha a cavalo pela estradinha, quando vi um moleque ao longe, na minha frente. Ele tinha um pau na mão, e brincava, batendo nas árvores à beira do caminho, assustando os passarinhos e afugentando os pequenos animais. Percebi quando uma enorme cobra surgiu à sua frente. Quis avisá-lo do perigo, gritar para que ficasse quieto, sem fazer movimentos bruscos, mas não deu tempo.

O menino, ágil, levantou o porrete, tentando esmagar a cobra. Ela, porém, foi mais rápida e, dando um bote certeiro, picou-o.

- E o garoto, como está? - perguntou a professora, aflita.

- Felizmente, foi socorrido há tempo. Encontra-se no hospital da cidade, sob cuidados médicos.

Como ele estivesse com uma mochila escolar, pelo horário, cheguei à conclusão de que era um aluno que tinha “matado” a aula, e a trouxe para a senhora. Aqui está ela! - disse ele, entregando a mochila à professora.

- É do Roberto! Bem que estranhei ele não ter comparecido hoje à escola! Muito obrigada, senhor.

E os pais dele, já foram informados?

- Exatamente por isso vim aqui. Não sei onde ele mora. Se me disser o endereço do garoto, irei avisar à família dele.

A professora explicou onde Roberto morava, e o bom homem despediu-se, apressado.

Após a saída dele, Lúcia comentou:

- Deve ser a mesma cobra que encontrei hoje cedo na estrada!

- É verdade? Você viu uma cobra? Conte-nos! Como foi isso? - Quis saber a professora. E Lúcia, diante da classe que a ouvia com atenção, relatou o que tinha acontecido com ela, como se portou diante do perigo e como a cobra se afastou, sem molestá-la.

O silêncio se fez na sala. Todos estavam perplexos e pensativos.

Ficou muito claro como o comportamento de cada um determinara uma reação diferente no animal. O respeito de Lúcia e a agressão
de Roberto geraram consequências diversas.

A professora, satisfeita com a lição, completou:

- Se Roberto tivesse vindo para a escola, como era seu dever, não estaria agora sofrendo e nem dando preocupação a seus pais. Nada mais há para ser dito. Está terminada a aula.

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal - Janeiro de 2000.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 21 de dezembro de 2013

O PALHACINHO TRISTE

Guilherme aproveitara muito bem suas lições na escola e passara de ano, com louvor. Seus pais, muito amorosos, lhe proporcionaram, então, alguns dias de férias numa conhecida cidade litorânea naquela região.

Eufórico, Guilherme arrumou a mala e, juntamente com seus pais e o irmãozinho, num dia muito bonito, saíram em viagem.

Ao chegar, logo à entrada da cidade, viram um circo cheio de luzes coloridas, jaulas com belos animais selvagens, elegantes cavalos e macacos engraçados. Com os olhos estatelados de emoção,
Guilherme ouviu seu pai prometer que no dia seguinte iriam assistir ao espetáculo.

No outro dia, à hora aprazada, deram entrada no circo e logo começou a função. Bailarinas, equilibristas, mágicos e trapezistas, alternavam-se com palhaços, macacos engraçados, elefantes enfeitados com pedrarias, domadores de animais e muitas outras coisas...

Com um pacote de pipocas nas mãos, Guilherme acompanhava tudo rindo e batendo palmas, satisfeito.

De repente, olhou um dos palhaços que faziam piruetas e davam cambalhotas no picadeiro. Seu ar, embora o riso aberto era triste. Quando ele se aproximou mais, Guilherme percebeu que duas lágrimas brilhavam em suas faces pintadas.

Daquele momento em diante, nada mais teve graça, e a figura do palhaço triste não lhe saiu mais da cabeça.

Na manhã seguinte acordou e, em vez de ir à praia, voltou ao circo.

As imagens agora eram bem diferentes.

Não havia mais belas luzes coloridas e a impressão de luxo e riqueza desvaneceu-se inteiramente.

Algumas pessoas faziam a limpeza do local, enquanto outras lavavam e tratavam dos animais.

O garoto perguntou a alguém onde poderia encontrar o palhaço triste e informaram-lhe que ele estava no picadeiro.

Adentrando a enorme lona do circo, agora totalmente vazio; Guilherme parecia ainda ouvir os aplausos e os gritos da plateia.

Logo o viu. Uma pequena figura, sentada no chão, tendo a cabeça entre as mãos.

- Olá! - disse, à guisa de cumprimento.

O palhaço ergueu a cabeça, ao ouvir a voz estranha.

- Olá! - respondeu - O que o traz aqui, garoto?

- Bem, é que eu gostaria de ver um palhaço de perto.

- Ah! Com certeza vai se decepcionar. Sou apenas um homem como qualquer outro.

- Estranho! Sempre pensei que os palhaços deveriam levar vida alegre, sempre sorrindo e brincando, como se a existência fosse uma festa! - exclamou o menino.

- Puro engano, meu filho. Muitas vezes rimos para não chorar - disse, com pesar.

- Agora entendo isso. Ontem mesmo, durante o espetáculo, percebi que você estava triste, por quê?

- Deu para notar?!... A verdade é que estou com problemas muito graves.

E o palhaço lhe contou que estava com a filhinha doente e não tinha recursos para levá-la ao médico.

Contente por poder ajudar, Guilherme lhe assegurou:

- Ora, não se aflija! Meu pai é médico e poderá examinar sua filha.

Saiu correndo e, pouco depois, voltou acompanhado pelo pai.

Ficaram impressionados com a miséria do local. O carro em que viajavam, e que lhes seria de moradia, era muito pobre e sem conforto.

O médico examinou a criança e afirmou que ela, além de pneumonia, estava também muito desnutrida, precisando se alimentar melhor.

- Eu sei doutor. - disse o palhaço - Mas não tenho dinheiro. Ganho pouco e mal dá para as despesas mais urgentes.

- Não se preocupe. Sua filhinha deverá ser hospitalizada, mas ficará boa logo, com a ajuda de Deus.

O médico conduziu a menina para o hospital, onde ela foi medicada.

Em seguida, levou uma cesta contendo gêneros alimentícios que dariam para muitos dias e entregou também, ao palhaço, um envelope contendo certa importância em dinheiro.

- Mas, doutor, não sei quando poderei lhe pagar!...

- Não se preocupe. Quero apenas vê-lo fazer as crianças sorrirem.

Depois de alguns dias, a garotinha voltou para casa contente e saudável.

Era o último espetáculo do circo. Iriam levantar acampamento no dia seguinte. Guilherme e seus familiares estavam na primeira fila.

O palhaço aproximou-se, trazendo nas mãos um lindo balão vermelho, amarrado com um cordão.

Chegando junto a Guilherme entregou-lhe o balão, com sorriso aberto e feliz.

- Você agora não é mais um palhacinho triste - disse Guilherme.

- Não. Graças a você, posso sorrir novamente. Não sei como lhes agradecer tudo o que fizeram por mim.

O médico, bem-humorado, afirmou:

- É fácil! Faça um espetáculo bem alegre para deixar as crianças contentes.

Com um último olhar agradecido, o palhaço afastou-se dando cambalhotas e fazendo palhaçadas, acompanhado pelo riso das crianças.

Guilherme suspirou, satisfeito. O pai olhou para o menino, com carinho:

- Muitas vezes, o sofrimento e a dor estão onde menos esperamos, meu filho.

E é preciso ter sensibilidade para descobrir onde está a necessidade das pessoas. Se não fosse você, ninguém teria descoberto o problema do palhaço. Muito bem, meu filho, Jesus certamente está contente com você.

E completou;

- A verdade é que onde estivermos podemos ajudar alguém. Basta que tenhamos boa-vontade para isso.

Autor: Tia Célia - Publicado no Jornal O Imortal - Nº 552 - Janeiro de 2000.
Fonte do texto e imagem: Internet Google.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Coruja e o Sol

Há muito, muito tempo, quando o papai do céu criou o nosso Planeta, Ele o colocou pertinho de uma estrela linda e brilhante.

Tempos depois, em um dia de inverno, fazia um frio muito forte, todos os animais da floresta procuravam se proteger do tempo ruim em suas casinhas ou tocas, o vento era tão forte e gelado que ninguém tinha coragem de sair ao ar livre.

Ninguém, menos um animalzinho, bem pequenininho, muito fofinho que resolveu dar um passeio à noite.

Sabe quem era?

Uma corujinha! As corujas são bichinhos que gostam muito de sair à noite para caçar seus alimentos, só que havia um problema: estava frio demais, não havia insetos naquela região para ela comer, então a corujinha precisou andar muito, muito longe a procura de comida, logo se afastou de sua casa.

Procurou, procurou algum alimento e quando ela percebeu a distância que estava de casa resolveu voltar, só que neste momento começou a nevar na floresta.

A neve foi caindo, caindo... Cada vez mais forte e a corujinha, que já estava tremendo de frio, acabou ficando presa no gelo.

E agora o que ela iria fazer? - Ai, ai, ai meus pezinhos, dizia ela, e agora, alguém precisa me salvar!

Mas, com todo aquele frio, ninguém apareceu.

A noite passou e a corujinha presa no gelo frio ficou..., rezando pra que aparecesse alguém que a salvasse até que...

Sabe o que começou a acontecer?

O dia começou a amanhecer e, com ele... O sol com seus raios de luz quentinhos começaram a aquecer todo aquele gelo que prendia a corujinha, até que ela conseguiu soltar um pezinho, depois o outro... e zupt! Saiu correndo toda contente de volta pra sua casinha!

Pensou ela: “Obrigada solzinho querido pelo seu calor que me salvou, obrigada papai do céu por ter criado essa estrela tão importante pra nossa vida!”

História criada pela evangelizadora Carina Fiorim Comerlato.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 23 de novembro de 2013

O POTE DE BARRO

Um pote de barro, velho e sujo, fora jogado ao chão por ser considerado imprestável.

Já conhecera momentos felizes, fora jovem e bonito, e sua pintura atraía os olhares de admiração de todos.

Passara por mãos respeitáveis e tivera muita utilidade. Mas agora, depois de servir durante muitos anos com lealdade e firmeza, ele fora considerado lixo e atirado ao monturo. Só não se partiu, porque caíra em meio à macia vegetação, que lhe amortecera a queda.

Triste, o velho pote de barro lamentava-se da sua sorte e da ingratidão dos homens. Sentia saudade das mãos amigas que o acariciavam, e a inatividade a que fora relegado lhe doía por dentro.

Logo ele que desejava tanto servir e ser útil!

O tempo passava e ele continuava ali, jogado ao chão.

A chuva o castigava e o vento o enchia de terra. Veio o inverno e ele tiritava de frio sem poder se proteger.

Um dia, trazida pelo vento que soprava forte, uma sementinha caiu sobre seu dorso e, tremendo de frio, suplicou-lhe:

— Oh, meu amigo pote, posso abrigar-me dentro de você? O vento me arrasta e o frio me castiga. Não tenho onde ficar!

Feliz por poder ser útil, o velho pote respondeu gentil:

— Com todo prazer, minha pequena amiga! Entre no meu bojo e fique à vontade.

E a sementinha ali ficou protegida do vento e do frio, quietinha..., quietinha...

Sem ter o que fazer e cansado da vida, o pote adormeceu esperando a estação mudar e o tempo melhorar.

Certo dia acordou ao perceber passos de alguém que se aproximava, e ouviu uma exclamação:

— Mas que lindo pote de barro!

Olhou dos lados para ver sobre quem falavam, mas admirado notou que era a ele que se dirigiam!

Surpreso, só então notou que se transformara num belo vaso de flores!

A sementinha que ele permitira se alojasse em seu interior germinara e, no meio de verdes e brilhantes folhas, lindas flores desabrocharam enchendo-o de perfume e cor.

E o pote sorriu satisfeito da vida e muito orgulhoso da sua nova e útil ocupação.

Também assim acontece conosco na vida, meus amiguinhos. Sempre poderemos ser úteis para alguma coisa. E quando tivermos real desejo de servir e ajudar o nosso próximo, seremos mais felizes porque também seremos auxiliados.

Jesus, que é Nosso Mestre, sempre nos recompensará pelo bem que fizermos aos outros.

Pois não foi ele mesmo que disse: “A cada um segundo suas obras”?

Autor: Célia Xavier Camargo – (Tia Célia) - Livro: O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Lição do Escravo

Há muito tempo, quando ainda existia a escravidão no Brasil, um negro velhinho, de cabelos de neve, chamado Bastião, vivia numa fazenda grande e bonita.

O senhor, dono das terras, era mau e prepotente. Por qualquer coisa, chicoteava os escravos; e, se suas ordens não fossem obedecidas ou se o negro tentasse fugir, era colocado no tronco, onde ficava acorrentado sem comer e sem beber por muitos dias.

Por isso, os escravos eram revoltados e não gostavam do patrão. Mas Bastião era diferente. Dono de coração bom e generoso estava sempre contente da vida e tentando ajudar a todos.

A filhinha do fazendeiro, menina meiga e gentil, se afeiçoara ao velho Bastião e passava o tempo junto do escravo, ouvindo suas histórias.

Certo dia, um dos escravos, não suportando mais os maus-tratos, tentou fugir. Encontrado pelo feitor e aprisionado, foi acorrentado ao tronco.

O filho do escravo fujão, menino de apenas cinco anos, vendo o pai amarrado, aproximou-se em lágrimas, agarrando-se nas pernas dele.

Irritado com os gritos do pequeno, o senhor mandou que o atirassem no meio do mato para não mais ouvir seu choro.

O fazendeiro não percebeu, porém, que sua filhinha Ana, condoída da sorte do negrinho, embrenhara-se também pelo mato para fazer-lhe companhia.

Ao perguntar pela menina, que era a luz dos seus olhos, sentindo sua falta, lhe disseram que ela fora procurar o pequeno escravo.

Assustado, o patrão chamou alguns homens e foi atrás dela. Contudo, o velho Bastião, que percebeu o que estava acontecendo, já se adiantara e tinha ido procurar as crianças.

Quando o fazendeiro e seus homens chegaram, o encontraram com uma cobra venenosa morta nas mãos, e as crianças abraçadas e em segurança, encolhidas atrás de um tronco caído, trêmulas de medo.

Bastião matara a cobra, mas fora picado por ela.

Vendo o que tinha ocorrido, o senhor não sabia como manifestar sua gratidão, pois era evidente que o escravo defendera as crianças com a própria vida.

Abraçando a filhinha, que estava muito assustada, o patrão perguntou, pela primeira vez denotando gentileza no trato com um escravo:

— O que você deseja, Bastião, pela bravura que demonstrou salvando a vida da minha filha? Seja o que for que pedir, lhe será concedido.

E o velho escravo, em cujo organismo o veneno da cobra já fazia efeito, respondeu com os olhos úmidos de pranto, muito emocionado:

— Não salvei apenas sua filha, senhor, mas também a vida de um pequeno escravo, pois toda vida vem de Deus e é igualmente importante. Já que me permite externar um desejo, gostaria de lhe pedir que todas as criaturas fossem tratadas como seres humanos, sem distinção, uma vez que somos todos filhos do nosso Pai Celestial.

E percebendo o olhar de espanto do senhor perante seus conceitos, que não julgara possível encontrar num velho escravo, Bastião concluiu:

— Isso eu aprendi com Jesus Cristo.

Diante daquelas palavras que representavam uma lição para ele, uma vez que o escravo poderia ter-se vingado dele na pessoa de sua filha Ana, e não o fizera, o fazendeiro abaixou a cabeça, envergonhado, e concordou:

— É verdade. Você tem razão, Bastião. Seja assim como deseja. De hoje em diante eu prometo-lhe que os escravos serão bem tratados, com todo o respeito que se deve a seres humanos.

A partir desse dia, o fazendeiro melhorou consideravelmente a vida dos escravos, dando-lhes condições dignas de existência, melhorando suas moradias e fornecendo-lhes alimentação mais saudável.

Com a melhoria nas condições de vida, ele percebeu que o tronco não era mais necessário, pois os escravos passaram a gostar dele e do serviço na fazenda, e tudo o que faziam era de boa vontade e com um sorriso nos lábios.

Alguns anos depois, com o crescimento da ideia abolicionista no Brasil, esse fazendeiro foi dos primeiros a libertar seus escravos, transformando-os em trabalhadores assalariados.

E nunca mais o fazendeiro se esqueceu do velho escravo Bastião que, na sua simplicidade, dera um exemplo de amor tão grande, que modificara sua vida e a de todos quantos residiam naquela propriedade.

Célia Xavier Camargo - Fonte: O Consolador.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.