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sábado, 28 de junho de 2014

AS AVENTURAS DE LUIZINHO

Luizinho era o caçula dos cincos irmãos de uma família fraterna.

Todos já trabalhavam menos Luizinho. Quando atingiu a idade de nove anos, também lhe fora atribuída uma tarefa, pois os pais queriam ensinar-lhe o valor do trabalho.

Quando Luizinho começou a trabalhar, passou a revelar uma certa insatisfação.

Oh! Que vida, trabalhar debaixo deste sol.

Se chovia... Como esta chuva atrapalha o meu serviço.

Quando frio, resmungava... Estou tiritando de frio.

Luizinho precisava ver com seus próprios olhos o valor das coisas.

Um dia sonhou que estava do tamanho de um polegar e dentro de um frasco. Chegou um garoto, encheu o frasco de água e sabão e começou a fazer bolhas de sabão. Numa dessas, lá foi Luizinho pelo ar, numa bolha. O vento batia..., batia..., e ele subia cada vez mais.

O vento o levou para bem alto, e ele estava admirando o céu azul, quando passa por ele uma gaivota branquinha que lhe diz:

- Olá Luizinho! Que está fazendo por aqui?

- Passeando – respondeu o menino – Mas você me conhece?

Sim, falou a gaivota. Você é aquele menino resmungão. Resmunga do sol, da chuva do vento, do frio... Passo sempre por aqui e do alto eu o ouço por causa das vibrações que circulam na atmosfera.

Bem, até logo amigo. Preciso trabalhar para levar alimento aos meus filhotes.

Já estava escurecendo, quando o vento conduziu a bolha sobre um ramo florido. Ali ele ficou.

Quando amanheceu, o sol surgia majestoso, dando vida a tudo. Ficou deslumbrado em presenciar que com a presença do sol, as flores iam se abrindo e exalando um perfume...

E ele podia ver de perto! Oh meu Deus! Que maravilha. Estava extasiado quando uma abelha veio sugar o mel, depois outra e mais outra. E pensou no trabalho dessas abelhinhas, nesse vai e vem continuo. Algo tocou o seu íntimo e começou a sentir a grandeza das coisas.

Nisso o vento bateu no ramo florido, levando a bolha sobre uma plantinha ressequida, quase sem folhas, sedenta, parecia sem vida, quase morrendo. Uma nuvem escura se aproximou, o sol desapareceu, e começa a cair os primeiros pingos d’água.

E ele pode ver como aquela plantinha saciava sua sede. A cada gota, era como um sopro de vida. Seus raminhos caídos, já se colocavam mais altivos. E observar o próprio vento que o conduzia, ora mais alto, ora mais baixo e notou que junto ao vento, muitas sementinhas bailavam, o vento pousou a bolha num capim macio, perto delas.

Ali Luizinho ficou. Veio o sol, a chuva, e eis que ele vê desabrochar do solo uma plantinha. Ela foi crescendo, dando folhas, flores, e surgem os frutos.

De repente, ouve-se um burburinho. Eram crianças que vinham apanhar os frutos e saboreavam felizes, graças ao vento, ao sol e a chuva. Nesse instante ele agradeceu a Deus a grandeza da vida e de tudo que ELE fez por nós.

Luizinho despertou, guardando no seu coraçãozinho a grandiosidade do ensinamento e passou a trabalhar feliz.

Maria Helena Fernandes Leite


Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 7 de junho de 2014

O QUE É O AMOR?

Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora:

- Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera.

Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:

- Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:

- Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou:

- Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.

A terceira criança completou:

- Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora se dirigiu a ela e perguntou:

- Meu bem, por que você nada trouxe?

E a criança timidamente respondeu:

- Desculpe professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?

“A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração".

Livro: Histórias para sua Criança Interior - Autora: Eliane de Araújo.


Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 24 de maio de 2014

A LIÇÃO DE DOGUINHO

Doguinho é um cãozinho preto com pintas brancas. Ele mora com seus pais, dona Pintada e seu Preto, em uma casa com um bonito jardim.

Doguinho não é um cãozinho obediente. Sempre reclama para ajudar nas tarefas do lar e nunca quer tomar banho.

Dona Pintada sempre diz:

- Você precisa tomar banho, filho. Se ficar sujo vai adoecer e encher-se de pulgas!

Mas ele não obedecia. Achava que seus pais não tinham razão, reclamava e se escondia em baixo da cama!

Um dia Doguinho resolveu fugir. Pensou: “Se eu fugir não terei mais que tomar banho, nem obedecer à ninguém”.

E fugiu. Andou muito, encontrou outros cachorrinhos e brincou o dia todo.

Quando anoiteceu seus novos amigos foram para casa e Doguinho ficou sozinho, em um lugar estranho, sem ter para onde ir.

Quis voltar para casa, mas estava perdido. Com fome e frio, latiu muito, reclamou, mas ninguém lhe deu atenção.

O cãozinho pensou em sua cama quentinha, no carinho de seus pais e se arrependeu de ter fugido de casa.

Sentou em um canto da calçada e, com medo, chorou baixinho.

Lembrou-se, então, de fazer uma prece, pedindo a Deus que lhe ajudasse a voltar para casa.

Pouco tempo depois, ouviu um latido:

- Doguinho! Doguinho!

Eram seus pais, procurando por ele. Doguinho ficou muito feliz em vê-los.

Agradeceu a Deus pela ajuda e abraçou-os forte. Prometeu ser um filho obediente e nunca mais fugir de casa.


Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 10 de maio de 2014

LUZ INTERIOR

Prisma era um peixinho que vivia solitário em um pequeno rochedo submerso. Quase não saia de casa, devido a uma deficiência motora, que dificultava a sua locomoção.

Quando nasceu ninguém sabia dizer, e muito menos explicar quem eram seus pais.

Muitos moradores daquela aldeia sabiam apenas que Prisma era uma criaturinha diferente dos outros de sua espécie.

Às vezes o peixinho colocava sua cabecinha para fora do pequeno rochedo para abocanhar algas frescas.

Eu sabia da sua vida e das suas dificuldades, porque Prisma era meu vizinho.

Quem sou eu?

Meu nome é Conchilda e sou uma concha velha, mas muito observadora. Via Prisma sair quase todas as noites e ficar olhando para o grande clarão da lua que refletia nas águas, e isso chamava minha atenção.

Às vezes eu me perguntava o quê será que Prisma pensava!

Um dia tomei coragem e aproximei-me do peixinho, que estava envolto em seus pensamentos, a olhar distante para a luz, e disse:

- Por que olha tanto?

Sem tirar os olhos da luz, delicadamente disse:

- Procuro respostas.

- Respostas para quê?

- Resposta para compreender a minha existência – e prosseguiu: Às vezes a luz se torna forte, dando-me uma grande sensação de segurança, e posso até me sentir vitorioso.

Eu pensei: Como vitorioso?! Afinal, o pobre mal podia bater sua barbatana!

Dei um pequeno sorriso e tentei conter minha emoção, e lhe disse:

- Não compreendo você!

- Nem queira Conchilda, porque para sermos vitoriosos precisamos aceitar o inevitável.

Pensei... O quê seria inevitável?!

- Conchilda, nossa existência é a obra máxima do Criador.

- Como?!

- Olha, imploramos para ser criados e pouco agradecemos pela nossa existência. A vida, por si só, já é uma benção, e devemos agradecê-la sempre, ainda que não sejamos perfeitos, pois deve haver uma razão justa para isso.

- Você agradece ao Pai Criador, Prisma?

- Sim; todas as noites venho aqui e fico a admirar a luz, e oro ao Criador pelas dádivas maravilhosas que Ele nos concede.

Fiquei calada. Como podia um peixe feio, defeituoso e solitário pensar ainda em agradecer ao Criador?! Muitos outros sadios vivem a cobrar do Criador!

Mas refleti profundamente sobre como Prisma aceitava a sua vida, e reconheci que a grandeza de sua alma superava as suas limitações físicas. Naquela noite, aprendi com ele a despertar para a vida e acender a minha luz interior, pela oração ao Pai.

Hoje, já sem Prisma ao meu lado, procuro ajudar meu semelhante, ensinando sobre o poder da prece e falando da importância da confiança na luz que existe em nós.

Crianças: Para conquista a luz interior é necessário abrir o coração para Deus, agradecendo sempre a Sua Luz, que nunca nos falta.

Tiamara


Fonte do texto e imagem: Internet Google.

domingo, 27 de abril de 2014

AMOR VERDADEIRO

Pobre borboletinha! Vivia a sonhar em ser um dia a Grande Rainha, sonho esse acalentado desde seus tempos de lagarta.

Quando, em sua metamorfose, fez-se linda, tomou-se de cores vivas e tornou-se brilhante.

Brilhante?... Era bonita, quase aveludada.

Nossa irmãzinha viajava muito! Não tinha pouso fixo. Um dia, porém, cansada, resolveu alojar-se em um lindo roseiral.

Ali passou a viver conformada com seu destino. Porém, indagava-se:

- Senhor, porque tão bonita e tão sozinha? Ninguém para admirar minha beleza! E meus sonhos? Nunca serão realizados? Onde irei arrumar um príncipe?

Através de um único amigo, o Besouro, conheceu o lindo e charmoso Borbolosal, vindo de fina família, que se enamorou de nossa amiguinha, levando-a para morar em seu jardim de margaridas.

No início, tudo era festa! Mas, Borbolosal começou a se decepcionar com a companheira, que reclamava atenções só para ela. E o ciúme? Era um horror! Até mesmo do compadre Besouro, que não podia conversar com o amigo Borbolosal.

Assim, tornou-se possessiva e autoritária. No reinado, todos a respeitavam e temiam pela sua autoridade; até alguns companheiros serviçais foram maltratados.

Borbolosal cada dia tornava-se mais triste, sem esperança; saia sem destino e alojava-se em lindo girassol.

Um dia, apareceu por lá uma linda borboletinha amarela, que vendo-o tão triste, perguntou:

- Que se passa, meu amigo? Perdeste algo?

Fitando aquela criaturinha tão humilde, o coraçãozinho de Borbosal encheu-se de esperança.

- Vivo a fugir da realidade! Aqui venho para sonhar.

- Amigo, é necessário que sonhes, mas o Criador deseja que possas viver a vida que pediste.

Nesse momento, Borbolosal responde:

- Pensei que havia morrido minha esperança, mas percebo que você, irmãzinha, a trouxe de volta.

E pôs-se a contar sua história.

Depois de grande relato, a borboletinha Amarela quis conhecer Brilhante, sua esposa. E qual não foi a surpresa de Borbolosal, ao notar que Brilhante gostou muito de Amarelinha e que as duas tornaram-se boas amigas.

Assim, Borbolosal continuava vivo, com o conforto do amor impossível, e suportando todas as suas dificuldades com mais resignação.

A borboletinha Amarela ensinou a humildade e a resignação à irmãzinha Brilhante, que ouvia seus conselhos, mas os seguia muito pouco.

Mas Borbolosal e Amarelinha conseguiram algumas mudanças em Brilhante, porém, à causa de muito sacrifício.

Um dia, Amarelinha pediu ao Criador que a levasse para as montanhas, pois estava sentindo que aquele sentimento pelo Borbolosal crescia de maneira estranha.

Então o Criador fez a sua vontade. Amarelinha partiu para sempre, com a esperança de um dia se reencontrarem, pois o amor era recíproco.

Desde então, o casal viveu bem muito anos.

Conta a lenda que, quando da morte de Borbolosal, Amarelinha apareceu, e ambos, se reencontrando, foram felizes para sempre no céu.

“Crianças, o amor verdadeiro é renúncia, tolerância e confiança no Pai Criador”.

Tiamara


Fonte do texto e imagem: Internet Google.

domingo, 13 de abril de 2014

MEU QUERIDO VOVOZINHO

Todas as tardes após a escola eu e meus amigos, íamos jogar bola no campinho que ficava ao lado da casa de seu Antenor.

Seu Antenor é um homem de meia idade que sempre implicava com os vizinhos, com o calor, com as crianças, nada servia para ele.

E os meninos por sua vez, não deixavam o pobre velho em paz.

Um belo dia ao voltar para casa, Pedrinho passou em frente a casa de seu Antenor e o viu chorando abraçado a um retrato. Quando chegou em casa contou à dona Helena.

- Mamãe, ao passar pela casa de seu Antenor o vi chorando junto a um retrato. Pensei que ele não chorava mais, pois ele é sempre tão ranzinza.

- Ora Pedrinho, foi o meio que ele encontrou para esconder seus verdadeiros sentimentos.

- Não entendi mamãe?

- Algumas pessoas como seu Antenor que já sofreram muito na vida, com a perda da família; esposa, seu único filho, usam agressividade para se defender. Acreditam que assim não vão sofrer mais.

- Isso é um engano, pois, acabam sofrendo mais. Ninguém vive sem amor. Você meu filho que é um menino bom, deve sempre que tiver oportunidade, ajudá-lo com muito carinho.

Seu Antenor é muito só, e o evangelho sempre nos ensina a amar e a respeitar os mais velhos.

À noite Pedrinho sonhou com seu querido vovozinho, pedindo para que ele tratasse seu Antenor como seu avô e que o amasse muito.

Pela manhã na escola contou aos seus amiguinhos a conversa com sua mãe e o sonho com seu avô, então resolveram pedir desculpas a seu Antenor e para que ele aceitasse ser o avô deles, já que muitos não tinham avô e outros o avô morava muito longe.

Seu Antenor ficou muito contente, e disse emocionado:

- Eu serei o melhor avô do mundo.

"Essa história nos faz lembrar quantos vizinhos idosos nós temos, e, quantos velhinhos nos asilos estão esperando apenas um abraço, um beijo, uma palavra amiga".

Nós nunca devemos desrespeitar os mais velhos, pois são pessoas que já viveram muito e merecem todo nosso carinho e respeito.

Fonte do Texto: Revista Consciência Espírita - Fevereiro/2000

Imagem: Internet Google.

sábado, 29 de março de 2014

A PANELA

A velha empregada de minha família era uma negra.

Chico, o neto dela – como é costume acontecer quando não temos irmãos, era o meu companheiro constante de brincadeiras e folguedos.

Em tudo quanto fazíamos, à parte de Chico era sempre a mais pesada, secundária e passiva.

Ele tinha sempre que dar e, nunca, que receber.

Um dia corri para casa, à saída da escola porque Chico e eu tínhamos projetado construir uma vala que fosse do poço à lavanderia.

Sem darmos por isso, cada um de nós assumiu logo o seu papel, como de costume.

Chico era o “condenado” a trabalhos forçados, suando e repetindo esforços. E eu o implacável guarda, com uma vara na mão!

A maneira como eu estava maltratando aquele menino negro, era quase digna de um adulto imbuído de preconceitos de cor.

Foi quando a nossa preta velha chamou-nos:

- Crianças, venham pôr a minha panela no fogão!

Corremos para a cozinha. A panela estava no chão e nós a agarramos com ambas as mãos. Mas com um grito a largamos, perplexos de que ela nos tivesse mandado pegar uma coisa que, era evidente que sabia, estava extremamente quente.

Em seguida, em graves brandas palavras, tão nítidas e simples que até hoje as posso escutar, partindo do fundo do tempo, disse-nos assim:

- Ora! Vocês dois se queimaram. Que coisa mais engraçada! A cor da pele de vocês é tão diferente, mas a dor que estão sentindo é igual para ambos, não é verdade?

Concordamos que sim.

E nunca mais pude me esquecer desse episódio que sem dúvida alguma, fez de mim uma pessoa diferente.

Da Obra: Para o resto da Vida de Wallace Leal V. Rodrigues.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 15 de março de 2014

APRENDENDO A REPARTIR

Bruno era um menino que pensava apenas em si mesmo. Não repartia nada com ninguém. Quando ganhava dos avós ou dos tios algum doce, chocolate ou balas escondia tudo no seu armário. E tão bem fazia que ninguém conhecia seu esconderijo, nem sua mãe. Era seu tesouro. Sabem para quê?

Para poder comer tudo depois, na hora em que estivesse sozinho.

A mãe reprovava seu comportamento dizendo:

- Bruno, meu filho, temos que aprender a repartir o que temos com os outros. Não podemos ser egoístas e desejar tudo para nós. À medida que a gente dá, também recebe.

Mas o garoto respondia mal-educado:

- Eu, hein! Se fui eu que ganhei, tudo é meu! Não abro mão.

Seus irmãozinhos menores, Breno e Bianca comiam os doces que tinham ganhado e Bruno ficava só olhando, pensando no prazer que teria depois ao apreciar tudo sozinho no seu quarto. Porém, Bruno ia brincar e se distraía, esquecendo que havia guardado os presentes.

E o tempo ia passando.

Um belo dia, os irmãos de Bruno entraram em casa trazendo um pacote de balas e de pirulitos cada um. Vinham contentes, exibindo os doces que tinham ganhado de um senhor que passara na rua distribuindo guloseimas para as crianças.

Bruno, que estava dentro de casa, nada ganhou, e fez bico:

- Eu quero também! Eu quero! Dá um pouco pra mim?

Mas Breno retrucou, decidido, com a aprovação de Bianca, a menorzinha:

- Não dou não. Você nunca reparte nada com ninguém!

Bruno, irritado e com cara de choro, respondeu:

- Egoístas! Não faz mal. Tenho muita coisa guardada. Não preciso de nada! Vocês vão ver!

E correu para o quarto, seguido de perto pelos irmãos, curioso de ver onde ficava o esconderijo que Bruno escondia tão cuidadosamente e que eles nunca tinham conseguido descobrir. Bruno abriu a porta do guarda-roupa, retirou uma gaveta e, no fundo, num espaço vago, bem escondidinho, lá estava tudo o que ele tinha ganhado e que conservara.

Com ar de triunfo, enfiou a mão e foi retirando chocolates, doces, bolos, balas, diante dos olhos arregalados dos pequenos.

Mas, ó surpresa! Com espanto, Bruno notou que os seus doces estavam com aspecto muito feio: os chocolates estavam velhos, os doces tinham se estragado, os bolos estavam azedos, as balas meladas.

Terrivelmente decepcionado, Bruno percebeu naquele instante que, em virtude do seu egoísmo, não repartira nada para ninguém. E, pior que isso, constatou que ele mesmo não aproveitara as coisas tão gostosas que lhe tinham dado com tanto carinho. Agora, infelizmente, esta tudo estragado e teria que ser jogado no lixo.

Sentou-se na cama e, cobrindo a cabeça com as mãos, começou a chorar.

Seus irmãos, que apesar de pequenos, tinham bom coração, aproximaram-se dele e Breno disse:

- Não fique triste, Bruno.

E, sob seu olhar surpreso, repartiram fraternalmente com ele tudo o que tinham ganhado naquele dia.

- Eu não mereço a generosidade de vocês.

Aprendi nesse momento importante lição. Entendo agora o que mamãe quer dizer quando afirma que à medida que a gente dá, recebe. Eu nunca dei nada e nada mereço, mas vocês provaram que têm um bom coração.

A partir de hoje, vou procurar ser menos egoísta.

Prometo!

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal – Agosto de 2000.
Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A BALANÇA

Quando menino eu vivia brigando com meus companheiros de brinquedos. E voltava para casa lamuriando e queixando-me deles.

Isto ocorria, as mais das vezes, com Beto, o meu melhor amigo.

Um dia, quando corri para casa e procurei mamãe para queixar-me do Beto ela me ouviu e disse o seguinte:

- Vai buscar a sua balança e os blocos.

- Mas, o que tem isso a ver com o Beto?

- Você verá... Vamos fazer uma brincadeira.

Obedeci e trouxe a balança e os blocos. Então ela disse:

- Primeiro vamos colocar neste prato da balança um bloco para representar cada defeito do Beto.

Conte-me quais são.

Fui relacionando-os e certo número de blocos foi empilhado daquele lado.

- Você não tem nada mais a dizer?

Eu não tinha e ela propôs: Então você vai, agora, enumerar as qualidades dele. Cada uma delas será um bloco no outro prato da balança.

Eu hesitei, porém ela me animou dizendo:

- Ele não deixa você andar em sua bicicleta? Não reparte o seu doce com você?

Concordei e passei a mencionar o que havia de bom no caráter de meu amiguinho. Ela foi colocando os blocos do outro lado. De repente eu percebi que a balança oscilava. Mas vieram outros e outros blocos em favor do Beto.

Dei uma risada e mamãe observou:

- Você gosta do Beto e ficou alegre por verificar que as suas boas qualidades ultrapassam os seus defeitos. Isso sempre acontece, conforme você mesmo vai verificar ao longo de sua vida.

E de fato. Através dos anos aquele pequeno incidente de pesagem tem exercido importante influência sobre meus julgamentos.

Antes de criticar uma pessoa, lembro-me daquela balança e comparo seus pontos bons com os maus. E, felizmente, quase sempre há uma vantagem compensadora, o que fortalece em muito a minha confiança no gênero humano.

Da obra: Para o Resto da Vida de Wallace Leal V. Rodrigues.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

SURPRESA DE NATAL

Num bairro muito pobre, na periferia de uma grande cidade, morava Paulinho.

De coração bom e generoso, era estimado por todos.

Em sua casa, faltava quase sempre o necessário. O pai trabalhava duro na roça como boia-fria, mas ganhava pouco. A mãe, apesar de dar duro lavando roupas para as famílias mais abastadas, também não recebia muito.

Assim, tudo o que ganhavam era gasto em alimentação, aluguel da casa, água e luz.

Paulinho sonhava com roupas, calçados e brinquedos que via nas vitrines e que nunca poderia ter.

Vestia-se muito pobremente, andava descalço e brincava de faz-de-conta, à falta de um carrinho ou de uma bola.

Apesar de tudo, era feliz, porque amava a todas as pessoas e todos o amavam também.

Pela manhã ia à escola. Ao retornar, ajudava a mãe nos serviços domésticos. Depois, saía para a rua. Sempre aparecia o que fazer.

Prestativo, com sorriso no rosto ajudava a quem estivesse precisando.

Dona Vitória dava-lhe a incumbência de pagar uma conta urgente.

- Claro dona Vitória. Fique tranquila. - respondia ele. Outra hora, passando pela rua, alguém o chamava:

- Paulinho, você faria companhia a Ritinha, enquanto vou fazer compras? Sabe como é, ela é paralítica e pode precisar de alguma coisa enquanto eu estiver ausente...

- Com prazer, dona Benedita.

Aproveito e conto a ela uma história que aprendi na escola.

- Obrigada. Ela fica muito feliz quando você está por perto.

E lá ia Paulinho para a casa de dona Benedita. Entrava, e um lindo sorriso abria-se no rosto da menina de dez anos que, em virtude de uma paralisia infantil não podia andar.

- Ô menino, me ajude a chegar até em casa. Vamos, tenho pressa!
Ninguém gostava do seo José porque era muito ranzinza, mas Paulinho não se incomodava com o jeitão dele.

- Claro, seo José! Como vai sua saúde? Melhorou da bronquite?

Assim, escorando o velho, com muita paciência e boa vontade, Paulinho acompanhou conversando alegremente.

Ele era assim com todos.

Generoso, não apenas ajudava, mas repartia sempre o que ganhava.

Certo dia encontrou uma pedra muito bonita. Era lisinha e brilhava como o Sol, limpou-a bem e guardou-a com carinho. Mais adiante, porém, encontrou André um menino pequeno que chorava.

Tinha levado um tombo e o joelho estava doendo. Paulinho, não teve dúvidas. Tirou a pedra do bolso da calça e afirmou:

- Está vendo esta pedra, André?

- Ela é mágica e vai tirar a sua dor. Fique com ela. É sua!

O garotinho olhou encantado para a pedra e parou de chorar, abrindo um sorriso agradecido.

Na escola, Paulinho ganhou um livro de histórias e logo pensou:
- Vou dar para Ritinha.

Certamente, ela precisa mais dele do que eu. Posso fazer um montão de coisas, mas minha amiga Ritinha só pode ficar naquela cama ou na cadeira de rodas.

O Natal se aproximava. A cidade estava toda bonita, cheia de luzes, de cores e de alegria. Paulinho tinha muita vontade de ganhar um presente, mas sabia que era impossível. Seus pais não tinham dinheiro para isso. Contudo, sempre de bom ânimo, ele pensava:

- Para que quero presente? Jesus já me deu tanta coisa! Tenho saúde, pais amorosos, amigos... Nada me falta!

No dia de Natal, Paulinho saiu de casa. Queria encontrar os amigos.

Mas, todos tinham desaparecido.

Não encontrou ninguém.

Voltou para casa um pouco triste. Afinal, era Natal, dia em que se comemora o nascimento de Jesus, e ele queria cumprimentar seus amigos.

À tardezinha vieram lhe avisar que dona Benedita queria falar com ele.

Sem demora, dirigiu-se até a casa dela. Estranhou que estava tudo escuro. Já era noite e as luzes continuavam apagadas. Bateu devagarzinho.

A porta se abriu e – oh! Surpresa! – as luzes se acenderam e ele foi recebido com uma salva de palmas.

Olhou ao redor. A pequena casa de dona Benedita estava cheia de gente. Todos os seus amigos estavam ali, até o seo José! Tinha árvore de Natal e enfeites pelas paredes.

- Mas... Mas o que está acontecendo? – gaguejou espantado ao ver todo aquele povo ali reunido.

Ritinha sorriu e explicou:

- Resolvemos fazer uma festa para você, Paulinho! Por tudo o que você tem feito a todos nós, receba o nosso agradecimento.

- E, tirando de debaixo das cobertas uma caixa, falou:

- Este é o meu presente! FELIZ NATAL!

Sem poder acreditar no que estava acontecendo, com lágrimas nos olhos, Paulinho viu a cara de um cachorrinho malhado de preto e branco, com uma fita vermelha amarrada no pescoço.

Tomou o animalzinho nos braços, acariciando lhe o pelo sedoso.

- Nem sei como agradecer, Ritinha! Sempre quis ter um cachorrinho!

- Pois não agradeça. Você merece muito mais!

Todos o abraçaram desejando-lhe boas festas, inclusive seus pais, também presentes, muito orgulhosos do filho. Cada um lhe entregou um pacote. Dona Vitória, uma roupa que tinha costurado especialmente para ele. Seo José, um par de sapatos que fora do seu filho. O pequeno André entregou- lhe um carrinho, outro um estojo e assim ganhou uma porção de presentes.

Enxugando as lágrimas, Paulinho abriu os braços e só conseguiu dizer cheio de emoção:

- Obrigado! Obrigado! FELIZ NATAL para todos!

E naquela noite, tiveram uma festa animada e agradável exemplificando a fraternidade e a solidariedade que deve prevalecer no coração de todas as criaturas, lembrando a terna mensagem de Jesus.

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal – Dezembro de 1999.
Fonte do texto e imagem: Internet Google.


sábado, 25 de janeiro de 2014

A COBRA

Caminhando por uma estrada de terra batida, no meio da mata, Lúcia ia tranquila.

Morava num sítio das redondezas e dirigia-se à escola, distante uns quinhentos metros de sua casa.

De súbito, dentre a vegetação, surgiu, se arrastando, enorme e ameaçadora cobra. Colocando-se no meio do caminho, ela armou o bote e ficou esperando.

A princípio, assustada, a menina parou. Pensou em voltar. Naquele momento, porém, lembrou-se de tudo o que já aprendera. Sua mãe sempre lhe dizia que tudo na Natureza é criação de Deus, e que devemos respeitar qualquer forma de vida, fosse humana, animal ou vegetal.

Assim, enchendo-se de coragem, tendo o cuidado de manter uma boa distância, dirigiu-se ao réptil dizendo:

Minha amiga Dona Cobra. Nada tenho contra a senhora. Ao contrário, somos todos irmãos, porque filhos de um mesmo Pai, que é Deus.

Estou indo para a escola e preciso passar por este lugar, que a senhora está ocupando. Assim, se fizer gentileza de deixar-me passar, eu lhe ficarei muito grata.

A voz da menina, serena e doce, aquietou o animal, que a contemplava com seus olhinhos miúdos.

Depois, parecendo compreender o que lhe foi dito, coleou pela terra lentamente, desaparecendo no meio do mato.

Lúcia, grata a Deus pela proteção que lhe dera, continuou seu trajeto até a escola.

Durante horas, ali permaneceu entregue às atividades escolares, esquecendo-se do incidente.

Mais tarde, quase no horário de tocar o sinal para a saída, chegou alguém. Era um homem que tinha socorrido um menino. Ainda assustado, contou ele:

- Eu vinha a cavalo pela estradinha, quando vi um moleque ao longe, na minha frente. Ele tinha um pau na mão, e brincava, batendo nas árvores à beira do caminho, assustando os passarinhos e afugentando os pequenos animais. Percebi quando uma enorme cobra surgiu à sua frente. Quis avisá-lo do perigo, gritar para que ficasse quieto, sem fazer movimentos bruscos, mas não deu tempo.

O menino, ágil, levantou o porrete, tentando esmagar a cobra. Ela, porém, foi mais rápida e, dando um bote certeiro, picou-o.

- E o garoto, como está? - perguntou a professora, aflita.

- Felizmente, foi socorrido há tempo. Encontra-se no hospital da cidade, sob cuidados médicos.

Como ele estivesse com uma mochila escolar, pelo horário, cheguei à conclusão de que era um aluno que tinha “matado” a aula, e a trouxe para a senhora. Aqui está ela! - disse ele, entregando a mochila à professora.

- É do Roberto! Bem que estranhei ele não ter comparecido hoje à escola! Muito obrigada, senhor.

E os pais dele, já foram informados?

- Exatamente por isso vim aqui. Não sei onde ele mora. Se me disser o endereço do garoto, irei avisar à família dele.

A professora explicou onde Roberto morava, e o bom homem despediu-se, apressado.

Após a saída dele, Lúcia comentou:

- Deve ser a mesma cobra que encontrei hoje cedo na estrada!

- É verdade? Você viu uma cobra? Conte-nos! Como foi isso? - Quis saber a professora. E Lúcia, diante da classe que a ouvia com atenção, relatou o que tinha acontecido com ela, como se portou diante do perigo e como a cobra se afastou, sem molestá-la.

O silêncio se fez na sala. Todos estavam perplexos e pensativos.

Ficou muito claro como o comportamento de cada um determinara uma reação diferente no animal. O respeito de Lúcia e a agressão
de Roberto geraram consequências diversas.

A professora, satisfeita com a lição, completou:

- Se Roberto tivesse vindo para a escola, como era seu dever, não estaria agora sofrendo e nem dando preocupação a seus pais. Nada mais há para ser dito. Está terminada a aula.

Autor: Tia Célia (Célia Xavier de Camargo) - Publicado no Jornal O Imortal - Janeiro de 2000.

Fonte do texto e imagem: Internet Google.