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sexta-feira, 15 de abril de 2022

A Casca de Banana

Laurinha estudava na escola de seu bairro, e estava na terceira série do primeiro grau.

Não se preocupava muito com os estudos, mas conseguia sempre ser aprovada, embora com dificuldade.

Agora, já quase no final do ano, Laurinha ia fazer uma prova muito importante.

Sua mãe aconselhava-a a estudar, mas Laurinha respondia:

— Depois. Agora estou brincando.

— Laurinha, venha estudar, minha filha!

— Mais tarde, mamãe. Agora preciso conversar com minha amiga.

Algumas horas depois a mãezinha atenta a chamava novamente, e ela replicava:

— Amanhã, mamãe. Posso assistir à televisão? Só um pouquinho!

Depois, ficava com sono e ia para a cama e, no dia seguinte, tudo se repetia da mesma maneira.

Até que chegou o dia da prova.

Nervosa, Laurinha foi para a escola e voltou bastante deprimida.

Uma vergonha! Tirara nota ZERO na prova e fora a chacota de toda a classe. Os outros alunos foram bem e acharam as questões fáceis. Só ela não sabia nada, e, portanto, nada respondera.

A professora a chamara na frente, inquirindo a razão daquele tremendo fracasso, porém Laurinha, de cabeça baixa e muito envergonhada, nada respondeu.

Ao chegar em casa contou à sua mãe, chorando muito. Sentia-se humilhada perante os colegas de classe, achava que ninguém gostava dela. E tomou uma decisão:

— Não vou mais à escola! Não quero mais ver ninguém.

A mãe, com carinho, afagou-lhe os cabelos dizendo com ternura:

— Não se comporte dessa maneira, minha filha. Na verdade, você recebeu uma lição merecida. Colheu o que plantou, entende? Como não estudou nada, nada poderia saber, não é? O seu fracasso é, portanto, responsabilidade sua!

A menina fitou a mãe, surpresa, já parando de chorar.

— Pode ser. Mas não volto mais àquela escola. Nunca mais! E, depois, vou perder o ano mesmo!

Sua mãe sorriu, sabendo que não era o momento para insistir no assunto. Laurinha iria refletir e, provavelmente, mudaria de atitude.

Para espairecer, convidou-a para irem juntas à padaria da esquina. No caminho, a menina, que se distraía com o movimento da rua, pisou numa casca de banana que alguém jogara na calçada. Levou o maior tombo!

Rapidamente, toda dolorida e olhando em torno, para ver se alguém presenciara sua queda, Laurinha levantou-se, envergonhada.

A mãezinha viu naquele incidente oportunidade para uma lição e não perdeu tempo:

— Por que você não ficou esparramada no chão?

Laurinha olhou para a mãe, surpresa e sem entender a pergunta.

— O quê? Por que não fiquei no chão? Claro que não!

— Ah! Você não pensou em ficar na calçada, estatelada?

Laurinha replicou, horrorizada:

— Que ideia, mamãe! Naturalmente que não. Levantei o mais rápido possível!

A senhora balançou a cabeça, concordando:

— Isso mesmo, minha filha. É assim que devemos agir sempre. Não acha você que a situação na escola seja mais ou menos a mesma?

Laurinha escutou e pareceu meditar por momentos.

— Pense bem, querida. Em nossas vidas as dificuldades são obstáculos que precisamos superar. E não importa quantas vezes levemos uma queda, temos sempre que nos levantar e seguir em frente.

A menina sorriu e seus olhos se iluminaram.

— A senhora tem razão, mamãe! Uma prova mal feita não significa nada, a não ser que preciso me esforçar mais. Amanhã vou para a escola.

No dia seguinte, logo cedo, Laurinha voltou às aulas e, para alegria sua, a professora deu-lhe uma nova oportunidade para que pudesse recuperar os pontos perdidos.

Afinal, aquele problema que lhe parecera tão grande e sem solução, na verdade era bem pequeno.

E Laurinha, desse dia em diante, sempre que se via em dificuldades e tinha vontade de desistir, lembrava-se da lição que lhe dera uma humilde e desprezada casca de banana.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

A Pipa de Coração

Gabriel era apaixonado por pipas.

Desde pequeno seu pai lhe ensinara a fazer pipas e a soltá-las.

Era com imensa alegria que ele levava a pipa para o campo e corria, soltando a linha, até vê-la subir no ar, cada vez mais alto.

Margarida, uma amiga de Gabriel, sempre pedia:

— Gabriel, você me deixa soltar a sua pipa? Só desta vez!

Mas ele respondia:

— Não. Isso não é coisa de menina. Além disso, você não sabe, e vai estragar minha pipa.

E a menina, inconformada, reclamava:

— Mas eu deixo você andar na minha bicicleta! E ler meus livros!

Certo dia, Gabriel tinha feito uma linda pipa nova e a garota tornou a pedir para que ele a deixasse soltá-la.

— Não adianta, Margarida. Você não vai colocar a mão na minha pipa nova.

A menina afastou-se dele e foi embora, muito brava e revoltada.

Após as aulas, passando perto da casa de Gabriel, Margarida viu que ele estava se divertindo num balanço, junto de outra amiga. Viu também que ele havia deixado a pipa nova encostada em uma árvore.

Ela se aproximou e, sem que ele percebesse, pegou a pipa e saiu correndo.

Chegando em casa, foi logo empinar a pipa. Com satisfação, viu que ela subiu e soltou mais linha. De repente, tentou puxar e não conseguiu: a pipa estava presa num galho. Com medo de que Gabriel, procurando a pipa e não a encontrando, viesse atrás dela, puxou com força e a pipa rasgou, caindo no chão, toda estragada.

Margarida, assustada, recolheu os restos e correu a escondê-los em seu quarto.

Não demorou muito, apareceu Gabriel.

— Roubaram minha pipa, Margarida. Você viu quem foi?

— Não, não vi.

Ela entrou em sua casa e deixou-o na rua, sozinho.

A mãe notou que Margarida estava estranha. Na hora de dormir perguntou a ela:

— Você não está bem, minha filha, parece triste. Quer contar o que aconteceu?

A menina começou a chorar e contou para a mãe o que tinha acontecido.

— Não tive intenção de estragar a pipa dele, mamãe. Só quis ter o gostinho de brincar um pouco com ela! Agora não sei o que fazer!

A mãe abraçou-a, carinhosa:

— Eu sei, minha filha. Porém você cometeu um gesto feio: pegou o brinquedo dele sem pedir. E depois, acabou estragando-o.

— O que devo fazer, mamãe?

— Faça uma prece e peça que Jesus a ajude. Lembre-se de tudo o que já aprendeu. Consulte sua cabecinha, pense bem. Amanhã tenho certeza que você acordará com a solução. Agora, boa noite. Durma bem, minha filha.

Margarida pensou... pensou... pensou...

Lembrou-se de que pegar a pipa do amigo sem permissão dele, mesmo tendo a intenção de devolver, foi um desrespeito e que, numa situação semelhante, não gostaria que fizessem o mesmo com ela.

No dia seguinte, tinha decidido o que fazer.

Após as aulas, comprou papel, muniu-se do necessário e fez uma pipa. Muitas vezes tinha visto Gabriel trabalhar e sabia como fazê-lo.

Mais tarde, enchendo-se de coragem, procurou o amigo e contou-lhe o que tinha acontecido, terminando por dizer:

— Peço-lhe desculpas, Gabriel. Não tive intenção de estragar sua pipa. Mas, para compensá-lo, aqui está outra que fiz especialmente para você.

— Aqui está, Gabriel. Espero que goste! — pegou a pipa e entregou ao garoto.

O menino ficou comovido ao ver sua pipa nova. Tinha o formato de um coração.

Depois, ele abraçou Margarida com carinho:

— Margarida, eu reconheço que sempre fui muito chato com você. Por isso, também tenho que lhe pedir desculpas. De hoje em diante, tudo vai ser diferente.

— Amigos?

— Amigos!

Dali a pouco, Gabriel já estava testando sua pipa nova, todo feliz da vida, enquanto Margarida o observava, satisfeita por ter resolvido o problema.

Gabriel virou-se para Margarida e sugeriu com um sorriso:

— Bom trabalho. Ela ficou ótima! Quer experimentar?

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de março de 2022

A Visita

Sílvia morava numa casa confortável, tinha pais amorosos, frequentava uma boa escola e nada lhe faltava.

Filha única, ela se acostumara a ver satisfeitas todas as suas vontades, e jamais aceitava “não” como resposta.

Com o passar dos anos, os pais de Sílvia perceberam como tinham errado na educação da filha. Reconheceram que tinham transformado a menina, agora com oito anos, numa criaturinha egoísta, arrogante, insatisfeita, orgulhosa e exigente. Quando não faziam sua vontade, jogava-se no chão e esperneava, berrando a plenos pulmões.

Após passar por inúmeros vexames, os pais de Sílvia resolveram que era preciso mudar, antes que fosse tarde demais. O que era engraçadinho numa criança de dois anos tornara-se inaceitável numa garota de oito.

Querendo colocá-la diante da realidade, certo dia a mãe lhe disse:

— Venha, minha filha. Vamos sair.

— Oba! Vamos fazer compras? Estou mesmo precisando de um montão de coisas! Quero comprar algumas camisetas, três calças jeans, alguns calçados e também brinquedos. Estou cansada dos que tenho. São velhos e imprestáveis! — considerou a menina, fazendo uma careta.

A mãe, tranquilamente, afirmou:

— Não vamos fazer compras, Sílvia.

— Ah! Não? E aonde vamos, posso saber?

— Vamos fazer uma visita.

— Não quero fazer visita! Quero fazer compras! — respondeu a criança, mal-humorada.

Sem perder a calma, a mãe insistiu:

— Primeiro a visita. Depois, se você se comportar, veremos!

Sem dar maiores explicações, Olinda pegou a filha pela mão e levou-a até o carro. De cara amarrada, a menina olhava pela janela.

O carro deixou as ruas de maior movimento, encaminhando-se para um bairro na periferia. Aonde iriam? — pensou Sílvia.

Estacionaram numa rua muito pobre. As casas eram miseráveis, as pessoas sujas e malvestidas. Nas ruas, não havia calçadas nem asfaltamento. Crianças brincavam na terra, em meio a poças de lama malcheirosa.

Sílvia sentiu nojo. Que lugar horrível!

A mãe parecia não notar tanta sujeira. Caminhava serena, cumprimentando as pessoas com um sorriso amistoso. Diante de uma casa, parou. Bateu na porta e alguém veio abrir. Era uma mulher toda despenteada, rosto sujo e roupas remendadas.

— Bom dia, Maria. Viemos fazer-lhes uma visita.

O semblante da dona da casa iluminou-se ao ver a recém-chegada.

— Dona Olinda! Que prazer tê-la em nossa casa! Entre! Entre!

Sílvia estranhou. Nunca pensou que sua mãe tivesse relacionamento com “essa gentinha”.

Entraram. A moradia era muito pequena. Na sala, que também servia de quarto, Sílvia viu um leito. Aproximou-se, curiosa.

Uma menina, que parecia ter a sua idade, estava deitada.

— Ela está doente? — perguntou surpresa.

— Márcia, quando bebê, esteve muito doente. A partir daí, não saiu mais dessa cama. Não anda, não fala, não enxerga. Só ouve. Tenho que lhe dar comida na boca. Faz as necessidades aí mesmo, por isso não há roupa que chegue. Agora mesmo, já está molhada. Fez xixi e preciso trocá-la.

Sílvia ficou olhando aquela menina que ali estava deitada, sem poder sair do leito, brincar, ir à escola ou passear. Seus olhos se encheram de lágrimas e sentiu o coração inundar-se de compaixão.

Nesse momento, ouviu que sua mãe dizia:

— Maria, trouxe gêneros alimentícios, leite e bolachas; para a Marcinha, roupas e calçados. Além disso, pegue este dinheiro. Não é muito, mas será o suficiente para pagar as contas de água, energia elétrica e comprar gás. Se precisar de mais alguma coisa, me avise. Sei que você é sozinha e não pode trabalhar porque tem que cuidar da Marcinha.

A pobre mulher não cabia em si de felicidade. Com lágrimas nos olhos agradeceu, comovida:

— Dona Olinda, foi Jesus quem mandou a senhora. Deus lhe pague! Nunca há de faltar nada para a senhora e para sua filha.

Despediram-se. Entrando no carro, iniciaram o caminho de volta. Chegando ao centro da cidade, Olinda perguntou:

— Quer fazer compras agora, minha filha?

Sílvia enxugou uma lágrima e balançou a cabeça:

— Não, mamãe. Descobri que não preciso de nada. Já tenho demais.

O resto do trajeto a menina manteve-se calada.

Mais tarde. Sílvia chamou sua mãe no quarto. Duas caixas de papelão se achavam no meio do aposento, abarrotadas de roupas, calçados e brinquedos. Com um sorriso radiante, Sílvia perguntou:

— O que acha, mamãe, de levarmos todas essas coisas para Marcinha? Afinal, não preciso delas. Tenho certeza de que, lá, terão muito mais utilidade. Também tenho alguns livros que pretendo doar. Como ela ouve, pretendo ler para ela.

Olinda abraçou a filha com carinho. A lição fora bem aproveitada. Agora estava certa de que Sílvia jamais voltaria a ser a mesma criança exigente e egoísta.

— Tem toda razão, querida. Hoje mesmo levaremos tudo para a Marcinha. Ela vai adorar!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de março de 2022

Pagar o Mal Com o Bem

Caminhando apressado rumo à escola, Orlando encontrou um grupo de colegas com quem estava tendo problemas. Sem motivo, desde algum tempo, Pedro tomara-se de antipatia por ele e passara a tratá-lo mal em qualquer lugar onde estivesse.

Por isso, vendo que o grupo se aproximava, Orlando ficou preocupado.

E não deu outra. Passando por ele, Pedro jogou a mochila de Orlando no chão, numa atitude provocadora, e depois se afastou dando uma gargalhada.

Orlando, porém, não reagiu. Com tranquilidade, abaixou-se, apanhou a mochila, e continuou seu trajeto como se nada tivesse acontecido.

Na escola, enquanto a professora escrevia no quadro-negro, Pedro levantou-se de sua carteira e jogou todo o material de Orlando no chão.

Ouvindo o barulho, a professora virou-se. Pedro, já no seu lugar, ria disfarçadamente, acompanhado pelos demais alunos.

— O que houve, Orlando? — perguntou ela ao ver os cadernos e livros espalhados no chão.

Recolhendo o material, o menino desculpou-se:

— Não foi nada, professora. Derrubei sem querer.

E isso se repetia todos os dias. Pedro encontrava sempre novas maneiras de agredir o colega: no jogo de futebol, na escola ou na rua.

Orlando nunca reagia, o que deixava Pedro cada vez mais irritado.

Certo dia, Orlando estava passeando de bicicleta quando viu Pedro e sua turma que vinham em sentido contrário. Tentou se esquivar, mas não teve jeito. Eles o encurralaram de encontro a um muro.

Orlando desceu da bicicleta, enquanto os garotos o cercavam. Pedro aproximou-se com ar ameaçador.

— É agora que eu lhe arrebento a cara, seu pirralho!

E assim dizendo, levantou os punhos cerrados, prontos para espancar o outro. Orlando continuou olhando-o sem dizer nada.

— Vamos, seu covarde! Lute!

Mas Orlando continuou calado, embora lágrimas surgissem em seus olhos.

A turma ria, incentivando Pedro que, cansado de esperar, partiu para cima do menino.

Nisso, um homem que passava viu o que estava acontecendo e correu para socorrer Orlando. O bando, assustado, saiu correndo, mas ainda a tempo de ouvir o homem perguntar:

— Sabe quem são aqueles meninos? Quer que os siga?

Enxugando as lágrimas, o pequeno Orlando respondeu:

— Não. Não foi nada. Eles não fizeram por mal. Deixe-os ir embora, senhor.

Apesar de admirado, o homem respeitou a vontade de Orlando. E, depois de se certificar de que ele estava bem, afastou-se, aconselhando-o a tomar cuidado porque a turma poderia voltar.

Na tarde do dia seguinte, Orlando saíra para fazer uma tarefa e viu Pedro que vinha de bicicleta descendo a rua. Certamente estivera fazendo compras para sua mãe, porque trazia uma sacola presa no guidão.

De súbito, tentando ajeitar melhor a sacola, Pedro não viu um buraco no asfalto. A bicicleta se desequilibrou e ele foi jogado sobre o meio-fio, batendo a cabeça na quina da calçada. Um filete de sangue escorreu pela sua testa. Sentindo muita dor, Pedro gemia.

Orlando aproximou-se, atencioso:

— Você está bem? Quer ir para um hospital? Está ferido e precisa de cuidados.

Surpreso ao ver quem o estava socorrendo, Pedro respondeu meio sem jeito:

— Não foi nada. Foi só um susto.

— Graças a Deus! Quer que o ajude a chegar em casa? — perguntou Orlando, recolhendo os tomates e cenouras que estavam espalhados pelo chão.

Pedro estava perplexo. Não entendia porque Orlando mostrava-se tão bondoso com ele. Pensativo, ficou olhando para o garoto à sua frente. Afinal, não se conteve:

— Orlando, você tem muitos motivos para me detestar. Trato-o muito mal e não perco oportunidade de desafiar, humilhar e diminuir você perante os colegas. Por que está me ajudando?!...

— Porque aprendi que não se deve retribuir o mal com o mal — respondeu o garoto com simplicidade.

Espantado com a resposta do colega, Pedro falou:

— Agora entendo porque nunca aceitou uma provocação. Mas com quem foi que aprendeu essas coisas?

— Com Jesus. A professora da aula de Moral Cristã, do Centro Espírita que frequento, falou sobre esse assunto outro dia. Jesus ensinou que devemos retribuir o mal com o bem. Que se alguém nos bater numa face, devemos apresentar a outra. E, mais do que isso, que devemos amar, não apenas os nossos amigos, mas também os inimigos. É isso.

Calado, Pedro ouviu as explicações de Orlando. Na verdade, naquele momento se deu conta de que nunca havia conversado com ele, e não sabia como era, nem o que pensava. Agora, ouvindo-o, percebeu que Orlando era diferente dos outros colegas, mais consciente e responsável, apesar da pouca idade.

Pedro sentiu, naquele instante, que o rancor e a animosidade tinham desaparecido do seu coração.

— Obrigado! — disse simplesmente, afastando-se.

No domingo, ao chegar ao Centro, Orlando teve uma grata surpresa.

Lá estava Pedro, todo sorridente, embora um pouco encabulado, para também participar da aula de evangelização.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Ensinamento Vivo

Após as aulas, Carlinhos voltava para casa quando, andando por uma rua de grande movimento, viu um homem caído na calçada.

Condoído da situação do mendigo, Carlinhos desejou fazer alguma coisa para ajudar.

Mas, como? Era pequeno e ninguém lhe dava atenção.

Tentou despertar o pobre maltrapilho, mas ele não se mexeu.

Assustado, o garoto tentou pedir ajuda aos transeuntes, mas todos estavam apressados, sem lhe dirigirem um olhar sequer.

Um tanto desanimado, Carlinhos viu um sacerdote que se aproximava e encheu-se de esperança. Abordou o religioso, suplicando:

— Padre, ajude este pobre homem que está passando mal!

O sacerdote lançou um olhar indiferente ao mendigo e respondeu:

— Infelizmente, não posso. Tenho o tempo contado. Dirijo-me à igreja onde deverei rezar uma missa dentro de poucos minutos.

E assim dizendo, seguiu seu caminho, deixando o menino muito desapontado.

Não demorou muito, Carlinhos viu um senhor simpático que se aproximava, sobraçando alguns livros.

Enchendo-se de coragem, pediu:

— O senhor, que deve ser um homem bom e que deve ler muito, a julgar pelos livros que carrega, poderia auxiliar este pobre homem?

O estranho olhou o infeliz estirado na calçada, e, ajeitando os óculos, retrucou:

— Não posso. Estou a caminho da biblioteca onde devo entregar-me a importantes estudos. Além disso, ele não tem nada que um café bem forte e sem açúcar não cure. Está bêbado!

Friamente, sem se preocupar com a aflição do garoto, continuou seu caminho, apressado.

Carlinhos estava quase desanimando quando viu sua professora de Evangelização Infantil, vindo em sua direção. Com ânimo renovado, o menino correu ao seu encontro, afirmando satisfeito:

— Graças a Deus que a senhora apareceu, tia Marta. Veja, este pobre homem precisa de ajuda urgente!

A professora aproximou-se, fitando o infeliz que continuava caído na calçada. Depois, olhando o relógio disse, compungida:

— Gostaria de poder ajudar esse coitado, Carlinhos, mas infelizmente estou indo para casa e preciso preparar o jantar. Estava justamente a caminho do supermercado onde deverei comprar o necessário antes que feche.

Ao ouvir essas desculpas, o garoto não conteve o desapontamento. Seus olhos se umedeceram e murmurou mais para si mesmo:

— Será que esse pobre homem não encontrará também um bom samaritano?

Surpresa, a professora perguntou:

— O que disse?

— Sim, tia Marta. Lembra-se da Parábola do Bom Samaritano que a senhora contou no último domingo? Pois é! Estou aqui há bastante tempo e ninguém atende às minhas súplicas. Já passou até um sacerdote, um professor, e ninguém quis socorrê-lo.

Fez uma pausa e, fitando a professora com os olhos grandes e lúcidos, questionou:

— Será que não vai aparecer um bom samaritano, como na parábola que Jesus contou?

Profundamente tocada pelas palavras do garoto, a professora respondeu, envergonhada:

— Tem razão, Carlinhos. Precisamos fazer alguma coisa por este homem.

Ela pensou um pouco e lembrou-se que, não longe dali, existia um pronto-socorro.

Decidida, telefonou e, não demorou muito, uma ambulância recolhia o mendigo, encaminhando-o para atendimento.

Marta foi com o menino até o hospital, onde o médico examinava o paciente. Algum tempo depois. O doutor informou:

— Felizmente ele chegou a tempo. Está doente e num estado de fraqueza tão grande que, se não fossem vocês, teria morrido. Agora receberá o tratamento necessário ao seu restabelecimento. Já está tomando soro e, medicado, logo deverá ficar bom.

Cheios de alegria, Marta e Carlinhos se abraçaram. Combinaram, depois, que todos os dias viriam visitar o novo amigo no hospital.

Emocionada, a professora afirmou:

— Graças a você, Carlinhos, hoje nós agimos como verdadeiros cristãos!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

A Força do Sol

Carlinhos, menino bom e prestativo, gostava de ajudar as pessoas.

Uma coisa, porém, Carlinhos não suportava: ver gente discutindo ou brigando.

Logo ficava nervoso e entrava no meio da discussão, querendo apartar a briga. Isso acontecia em qualquer lugar em que estivesse: em sua casa, na escola ou na rua.

Em casa, quando seus pais começavam a discutir por problemas domésticos, Carlinhos colocava-se no meio deles, querendo resolver a parada.

Na escola, muitas vezes seus colegas se desentendiam jogando futebol ou por qualquer outro motivo, e partiam para a briga aos empurrões, socos e pontapés. Carlinhos corria tentando separá-los e acabava no meio da briga.

Chegava em casa desanimado, cansado, todo sujo e, não raro, machucado.

A mãe, que o conhecia bem, já sabia o que tinha acontecido, e aconselhava-o com amor:

— Meu filho, não faça mais isso. Qualquer dia você pode se machucar seriamente tentando apartar uma briga. Tenha mais cuidado! Chame um adulto, o professor responsável pela turma.

Mas qual! Carlinhos prometia não interferir mais em discussões, porém quando uma briga começava, lá estava ele de novo no meio.

Certo dia, em que ele tinha chegado com um olho vermelho e a testa sangrando, a mãe aflita perguntou-lhe:

— O que aconteceu desta vez, meu filho? Veja seu estado! Você está todo sujo, o uniforme rasgado, e está machucado! Andou brigando de novo?

— Claro que não, mamãe! Ao contrário. Tentava separar dois amigos meus que se desentenderam jogando bola.

A mãe o envolveu num abraço e disse, com amor:

— Depois conversaremos. Agora vá tomar um banho.

Quando o menino saiu do banho, já com aspecto melhor, ela fez um curativo na testa dele e chamou-o para almoçar.

O pai, que chegara naquele momento, olhou para o filho, sério, respirou fundo e ia ralhar com ele, mas resolveu manter-se calado.

Os dois irmãos menores olhavam para Carlinhos e riam. Todos sabiam o que tinha acontecido. Não era a primeira vez que ele chegava machucado em casa.

— Parem de rir, vocês dois. Isso não é brincadeira. Carlinhos, meu filho, almoce e depois farei uma compressa em seu olho para evitar que fique roxo.

Após a refeição, enquanto colocava a compressa sobre o olho de Carlinhos, a mãe conversava com ele dizendo:

— Mantenha distância quando perceber que uma briga está prestes a começar, meu filho.

— Mas, mamãe! Quero evitar que meus amigos briguem! Não suporto vê-los de cara virada um com o outro, com raiva.

— Eu sei que sua intenção é boa, Carlinhos. Para fazer isso, porém, é preciso manter certa distância da briga e, especialmente, agir com tranquilidade, delicadeza, equilíbrio e muito amor.

— Como assim, mamãe? O que é equilíbrio?

— É quando nos mantemos controlados e imparciais no meio de uma situação, isto é, sem pender para um lado ou para o outro, guardando os melhores sentimentos. Entendeu?

— Mais ou menos.

A mãe procurou em torno algo que pudesse servir-lhe de exemplo. De repente, olhou pela janela e viu o sol brilhando lá fora.

Levou o garoto até o jardim e perguntou:

— Carlinhos, sem contar Deus, que é nosso Pai e Criador do Universo, o que existe de maior e mais poderoso neste mundo em que vivemos?

O menino pensou um pouco e depois respondeu, olhando para o alto:

— O Sol, mamãe. Estudei na escola que o Sol é uma estrela muitas vezes maior que o nosso planeta Terra. Ele nos dá luz, calor e condições de viver. A professora explicou que o Criador fez tudo tão bem feito que, se o Sol estivesse um pouco mais distante da Terra, morreríamos congelados por falta de calor; se estivesse um pouco mais próximo, morreríamos queimados!

— Isso mesmo, Carlinhos. E não só nós, seres humanos, mas todos os seres viventes, animais e plantas. Então o Sol é poderoso e está bem distante da Terra, não é? No entanto, indispensável à vida, seus raios chegam até nós com delicadeza, sem nos machucar ou ferir; penetram os lugares mais escondidos e profundos, com suavidade, levando luz e calor.

O garoto pensou um pouco e disse:

— Entendi aonde quer chegar, mamãe. Quer dizer que para ajudar não precisamos entrar na briga, não é?

— Exatamente, meu filho. Veja! Você tem apenas oito anos, mas é bem maior que os garotos da sua idade. Então, o que acontece? Se os meninos forem menores, você pode machucá-los com sua força. Se forem maiores, você acaba machucado.

— É verdade, mamãe. Então, o que posso fazer?

— Na hora do perigo, pense em Deus pedindo que a paz e o entendimento se estabeleçam. Depois, se puder ajudar, faça-o, mas sem entrar na briga.

A partir desse dia, ao ver os garotos discutindo, Carlinhos fazia uma rápida oração e depois dizia sereno:

— Calma, pessoal. Vamos tentar resolver esse problema em paz, está bem? O que está acontecendo? Posso ajudar?

Ouvindo-lhe a voz tranquila, os amigos paravam de discutir, acalmavam-se os ânimos, e logo estavam brincando de novo, felizes por estarem juntos e em paz.

Não há o que não se possa resolver, quando existem boa vontade e paz no coração.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

sábado, 1 de janeiro de 2022

A Semente

Olavo, menino de sete anos, irrequieto e sem paciência, não conseguia realizar suas pequenas tarefas, reclamando de tudo.

Sentava-se para fazer os deveres da escola, mas em poucos minutos largava o lápis, irritado, alegando:

— Esta tarefa é muito difícil! Não sei fazer.

Convidado pelos colegas para assistir a um filme, logo se mostrava impaciente, reclamando:

— Este filme é muito comprido! Não aguento mais!

Ao ser chamado para jogar bola, em pouco tempo estava cansado da brincadeira:

— Este jogo não acaba nunca! Vamos brincar de outra coisa?

A mãe, preocupada com o comportamento do filho, ouvia suas reclamações, aconselhava-o a ter paciência e a se esforçar mais, sem conseguir resultado algum.

Certo dia ela resolveu levá-lo para passear.

Era primavera. Caminhando por uma praça, Olavo ficou encantado com uma árvore florida e exclamou:

— Veja mamãe, que árvore grande e bela! Suas flores são lindas e perfumadas!

Mais adiante, Olavo parou diante de uma estátua recentemente inaugurada. A escultura homenageava um pioneiro da cidade, reproduzindo sua figura em tamanho natural. Olavo, admirado diante da estátua, comentou:

— Veja mamãe, que estátua bonita. Parece ter vida!

Logo em seguida, passaram por uma grande pedra que compunha a ornamentação do jardim, e o menino considerou:

— Já esta pedra não serve para nada!

A mãezinha, aproveitando a ocasião, explicou:

— Engana-se, meu filho. De uma pedra bruta como esta é que o artista fez aquela escultura que você admirava há pouco.

— Como será que o artista consegue fazer um trabalho tão bonito?

A mãe sorriu e respondeu:

— Certamente gasta muito esforço e tempo.

E apanhando uma vagem no chão, abriu-a, retirou uma das sementes e colocou-a na palma da mão do menino, considerando:

— Tudo na vida depende de esforço, meu filho. De uma pequena semente como esta é que nasceu a árvore enorme e bela que você está vendo. Representa o esforço conjugado da natureza e do homem, pois alguém cuidou dela para que se desenvolvesse.

O garoto teve uma ideia e disse, animado:

— Vou levar esta semente e plantá-la em nossa casa. Quero vê-la crescer logo!

— Boa ideia, meu filho. Porém, não tenha pressa. Serão precisos muitos anos para que esta pequena semente se transforme em uma árvore. Mas você terá a oportunidade de vê-la nascer, crescer e se desenvolver.

Olavo ficou decepcionado.

— Gostaria que crescesse logo!

— Nada acontece de um dia para o outro, meu filho. Tudo que formos fazer demanda esforço, tempo e boa vontade. Você já viu um prédio surgir de repente, uma ponte ser construída do dia para a noite?

— Não. Nem a tarefa da escola se revolve sozinha.

— Isso mesmo. A natureza precisa de tempo para realizar seu trabalho, e nós também. Então, vá em frente. Plante sua semente e verá como é lindo vê-la crescer.

Delicadamente, Olavo levou a semente em sua mão. Chegando em casa, sob a orientação da mãe, ele abriu um buraco, depositou a semente, cobriu-a com terra e regou.

Todos os dias, logo ao acordar, Olavo ia ver o local onde tinha plantado sua semente. Um dia, deu pulos de alegria: um brotinho estava apontando.

Depois, com satisfação Olavo acompanhou o desenvolvimento da plantinha, que todo dia crescia um pouco, até que passou em muito a altura de Olavo.

Aquele menino irrequieto e impaciente aprendeu com aquela semente que tudo tem um tempo certo na vida e que não adianta atropelar as coisas.

Olavo tornou-se bom aluno na escola e alguns anos depois, já moço, foi estudar em outra cidade.

Ao voltar, encantou-se com o que viu. Sua sementinha transformara-se numa linda e frondosa árvore, cheia de perfumadas flores.

Olhando o tronco possante, os galhos frondosos que permitiam sombra e frescor, as lindas flores que enfeitavam a frente de sua casa, Olavo disse à sua árvore, emocionado:

— Nós dois crescemos e já estamos produzindo. Eu, porque consegui terminar a faculdade, e você, porque nos alegra com suas flores e sua sombra. Aprendi muito com você, querida amiga. Obrigado!

Aproximou-se e, abraçando o belo tronco, encheu-o de beijos.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O Ladrão de Bananas

Deixando a mata onde vivia, um macaquinho aventurou-se por outras bandas. Estava faminto.

Os homens destruíram a mata, e o solo ficara árido, seco, sem vegetação. Derrubaram as árvores, depois colocaram os enormes troncos em caminhões que, roncando assustadoramente, os levaram para longe; o resto fora queimado.

E o macaquinho, assim como os outros animais e aves, foi obrigado a abandonar seu refúgio, procurando um lugar onde pudesse se abrigar.

Logo, encontrou um sítio bonito com grandes árvores. No meio de um gramado, havia uma casa simpática, cercada de flores. Um homem saiu da casa e, acompanhado por um cão, foi tratar da criação. Ele deu comida conversando com os animais: galinhas, patos, porcos e cavalos; depois, tirou leite da vaca. Para cada um tinha uma palavra gentil.

O macaquinho resolveu que iria morar ali.

Ganhando coragem, aproximou-se com cuidado. O cachorro, sentindo sua presença, pôs-se a farejar e foi no seu encalço latindo feroz.

Aos guinchos, assustado, rapidamente o macaquinho subiu numa árvore e ficou escondido no meio da folhagem.

— O que houve, Pingo? Viu alguma coisa? — perguntou o dono ao cão.

Debaixo da árvore, o cachorro continuava a latir sem parar, olhando para o alto. Aproximando-se, o dono olhou para cima e viu o macaquinho que tremia de susto.

— Ora, é apenas um macaco, Pingo. Deixe-o em paz.

Nos outros dias, o homem viu o macaquinho que se aproximava cada vez mais. Uma manhã, ao acordar, encontrou o bichinho a procurar restos de comida no terreiro.

Cheio de compaixão, pegou algumas bananas e deixou-as sobre um mourão da cerca.

Arisco, o bichinho só se aproximou depois que o homem entrou em casa.

Desse dia em diante, todas as manhãs o homem deixava algumas bananas para o novo amigo. Deu-lhe o nome de Miquinho.

Ele habituou-se a ter a presença do animal por perto quando estava trabalhando.

No meio da sua plantação, ele tinha algumas bananeiras. Homem bom, mas severo, ele avisou:

— Miquinho, eu só não admito que roube meus cachos de bananas. Entendeu?

O macaco olhou-o e deu um guincho estridente, como se tivesse entendido.

Apesar dessa recomendação, o homem começou a perceber que alguém estava mexendo nas suas bananeiras. De vez em quando, um cacho desaparecia.

— É você que está roubando minhas bananas, Miquinho?

Com seus olhos de gente, pequenos e arregalados, o macaco olhava para o amigo e balançava a cabeça negativamente.

Em dúvida, o homem se calava, mas não sabia o que pensar. Quem mais poderia estar roubando suas bananas?

Certa noite caiu uma grande tempestade. O vento forte agitava as árvores, enquanto raios e trovões cortavam os ares. Os animais ficaram agitados, temerosos. No sítio, ninguém dormiu.

Na manhã seguinte, quando o dono acordou, viu o estrago que o temporal fizera. Árvores tinham sido arrancadas, o paiol fora destelhado, e no terreiro tudo estava fora do lugar.

Pegando sua velha caminhoneta, resolveu ir à cidade buscar material para fazer os reparos.

Havia percorrido algumas centenas de metros, quando viu Miquinho que, ao lado da estrada, o acompanhava pulando de árvore em árvore. O bichinho guinchava alto, desesperado, como se quisesse falar com ele.

O homem parou o veículo e desceu.

— O que está acontecendo, Miquinho? Por que esse barulho todo?

Mas o macaquinho continuava a guinchar, olhando e apontando para a estrada. Depois, pegou a mão do dono e puxou-a, como se quisesse que ele o acompanhasse.

Curioso, o homem o acompanhou e, logo depois da curva, com surpresa, viu o estrago que a chuva fizera: a ponte fora completamente destruída!

O rio, agitado, mostrava grande correnteza pelas fortes chuvas que caíram na região.

Ele pegou Miquinho no colo, abraçando-o:

— Se não fosse você, meu amigo, essa hora eu teria caído no rio. Obrigado.

Voltando para o sítio, o dono foi fazer uma vistoria nas plantações, para verificar os estragos. Nisso, encontrou um rapaz que saia de um pequeno abrigo que fizera para guardar ferramentas.

— O que está fazendo em minha propriedade? E por que está com esse cacho de bananas nos braços? — perguntou, sério.

Muito envergonhado, o rapazinho explicou:

— Moro aqui perto e estamos passando necessidade. Então, quando não temos nada para comer, venho aqui e pego um cacho. Ontem fui surpreendido pela chuva e o vento, sendo obrigado a me abrigar aqui. Acabei adormecendo e só acordei agora. O senhor me perdoe, mas não sou ladrão.

Condoído da situação do rapaz, pensou: – E se fosse eu que estivesse passando fome e precisasse roubar para comer?

Lembrou-se de Jesus quando afirmou que devemos fazer aos outros tudo o que gostaríamos que os outros nos fizessem.

O homem procurou saber onde ele morava e, depois, deixou-o ir embora levando o cacho de bananas. Em seguida, virando-se para o macaco, disse:

— E eu que pensei que fosse você o ladrão de bananas! Fui injusto e me arrependo. Você me perdoa, amigo?

Miquinho, guinchando feliz, pulou no colo dele, desmanchando-lhe os cabelos.

Mais tarde, o homem foi até a casa do rapaz e, confirmando a situação de miséria em que ele vivia com a mãe e dois irmãos menores, propôs:

— Estou precisando de um ajudante no sítio. Quer trabalhar comigo?

O rapaz sorriu, agradecendo a Deus pelo socorro que lhes tinha mandado.

E o homem, agora com a consciência tranquila, retornou para o sítio com seu amigo Miquinho, certo de que Jesus estava contente com ele.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Aprendendo a Ser Mãe

Vitória era uma menina boa, inteligente e criativa. Todavia era arteira e não aceitava quando a impediam de fazer alguma coisa.

A mãe, preocupada com sua segurança e bem-estar, alertava:

— Vitória, não mexa com fósforos. Você pode se queimar.

E a garota, respondia:

— Não vou me queimar, mamãe. Tenho seis anos e já sou grande!

A mãe achava graça, abraçava a filha com amor, e guardava a caixa de fósforos no alto do armário, onde a pequena não poderia alcançar.

E assim acontecia sempre. Quando Vitória brincava de casinha com as amigas, a mãe tinha que estar sempre atenta para que não se machucassem. Ora era uma faca, que a menina pegava para fazer comidinha, ora era o ferro elétrico que ela ligava para passar roupa; de outras vezes, subia numa grande mangueira que havia no quintal para apanhar mangas e assim por diante. A mãe não podia “descansar” um minuto.

E Vitória reclamava, batendo o pé, indignada:

— Mamãe! Sei o que estou fazendo. Já sou grande!

A mãe a colocava no colo e explicava, com carinho:

— Minha filha, você ainda tem muito que aprender. Quando você nasceu em nosso lar, Deus me fez responsável por sua vida. Minha tarefa é cuidar, educar e proteger você, de modo que nada de mal lhe aconteça. Como as mães de suas amiguinhas permitiram que elas viessem brincar aqui em casa, tenho que cuidar delas também. Entendeu?

— Entendi, mamãe.

— Ótimo. Mamãe não faz por mal e nem quer ser desmancha prazeres. Quando você crescer e tiver filhos vai entender melhor. Agora, vá brincar!

No entanto, tudo continuava como antes.

Certo dia, Vitória foi com sua mãe fazer compras. Na volta, um cãozinho de rua as seguiu. Tinha o pelo curto, branco com manchas marrons. Parecia abandonado.

Vitória ficou encantada. Adorava cachorros. E aquele era tão pequeno e desprotegido!

— Mamãe, podemos levá-lo para casa?

— Não, Vitória. Ele tem dono.

— Foi abandonado, mamãe. Tenho certeza. Vamos levá-lo.

A mãe recusava e a menina insistia. Conversavam paradas em frente a uma padaria. O dono, um simpático português, entrou no meio da conversa:

— Queira desculpar-me, senhora, mas realmente esse cãozinho não tem dono. Vem sempre aqui porque costumo lhe dar um prato de leite.

Vitória, com os olhos brilhando e um sorriso radiante, de mãos postas, suplicou:

— Viu, mamãe, não lhe disse? Por favor! Vamos levá-lo para nossa casa. Ele terá um lar!

Diante de tanta insistência, a mãe acabou concordando.

— Está bem, Vitória. Com uma condição. Que você se responsabilize por cuidar dele: dar ração, água, banho e tudo o mais.

A garota concordou, feliz. Pegando o filhote no colo, acariciou-o e disse:

— Vamos, Bilu. Serei sua mãe e cuidarei de você.

Desse dia em diante, Vitória só pensava no animalzinho. Cuidava dele com muito amor. Quando ela ia para a escola, ele queria acompanhá-la; quando ela voltava, ele a esperava no portão, e a primeira coisa que a menina fazia era abraçá-lo. Mas ela reconhecia que Bilu dava trabalho e estava sempre cuidando dele, vigiando:

— Bilu, não suba no muro! Não coma porcaria do chão! Não vá para a rua, um carro pode pegar você! — E assim por diante.

Quando acabava o dia, ela estava cansada, mas feliz, por tê-lo a seu lado.

Na véspera do Dia das Mães, mãe e filha estavam sentadas no quintal observando Bilu que corria, latindo feliz, atrás de uma borboleta. Vitória olhou para a mãe e disse:

— Mamãe! A senhora me disse que eu só entenderia o trabalho que dou quando crescesse e tivesse um filho. Não precisei crescer para isso. Bilu já me dá muito trabalho e preocupação. É como se ele fosse meu filho!

A mãe sorriu achando graça do jeito sério da filha. Vitória sorriu também e trocaram um grande e carinhoso abraço, enquanto a menina exclamava:

— FELIZ DIA DAS MÃES, mamãe! Ainda não comprei seu presente.

A mãe suspirou, satisfeita, entendendo que Deus sabe o que faz e que dá a cada um, na vida, as experiências que precisa para aprender e amadurecer. Sua filhinha estava crescendo e tornando-se melhor.

— Não precisa comprar nada, minha filha. Você já me deu o melhor presente que eu poderia desejar: Você!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Peixinho Azul

O peixinho azul vivia feliz com sua família.

Nadando nas águas verdes e azuis do mar, brincava com outros peixinhos coloridos.

Peixinho Azul ajudava seus pais a cuidar da casa e do jardim.

À noite, ouvia as histórias que a vovó contava sobre a Baleia Azul.

Aprendia que ela era grande e que alimentava-se de plantas e pequenos animais marinhos.

O Peixinho Azul sentia medo da Baleia Azul, por isso a mamãe e o papai peixes sempre lhe diziam para não sair de casa sozinho.

Numa manhã, Azul saiu a nadar e, sem perceber, foi se afastando de casa. Encontrou vários amigos: o cavalo marinho, a sardinha e o peixe boi.

Continuou a nadar. De repente veio uma onda muito grande e o levou para longe.

- "Socorro. Socorro, socoooooooorro!" Gritava, assustado, mas ninguém ouvia seus gritos, pois ele estava muito longe de casa.

Olhou para os lados e viu que todos os peixes corriam e se escondiam entre as pedras e as plantas.

O que estaria acontecendo?

Peixinho Azul foi se esconder dentro de uma concha e ficou esperando...

Os pais de Azul estavam preocupados porque não encontravam o filhinho.

Será que a Baleia Azul encontrou nosso Peixinho Azul? Mamãe peixe chorava.

Azul estava assustado, mas ficou quietinho no seu esconderijo.

De repente, a baleia apareceu, enorme, bufando. Sua boca era muito grande.

Com os movimentos da baleia, a concha onde Azul estava escondido, começou a rolar. Foi rolando, rolando, rolando...

Azul avistou a sua casa e muito contente, saiu da concha e foi correndo abraçar seus pais, prometendo-lhes que nunca mais os desobedeceria.

No dia seguinte, Peixinho Azul contou aos amigos o que lhe havia acontecido e deu um conselho a todos.

- Devemos obedecer nossos pais. Eles sabem o que é melhor para nós, porque nos amam.

Adaptação da história infantil "Peixinho dourado vai passear", de Teresinha Casasanta. Editora do Brasil S/A, 46. Edição.
Fonte da imagem: Internet Google.