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segunda-feira, 15 de maio de 2023

Salvando Uma Vida

Era um lindo sábado de sol. Henrique passeava com seu pai caminhando sob a sombra das árvores no parque municipal.

Calado, o pequeno Henrique pensava. Ficara impressionado com algumas cenas que tinha visto no dia anterior durante a transmissão do jornal de uma emissora de televisão.

— Papai, como pode existir gente que mata outras pessoas? — perguntou.

Apertando mais a sua mãozinha, o pai respondeu:

— É mesmo muito triste, não é, meu filho? Isso acontece porque os homens ainda trazem o mal no coração. Se todos se amassem como irmãos, isso não aconteceria. Seríamos todos como uma grande família!

O garoto, de apenas seis anos, mas muito observador, pensou um pouco e retrucou:

— Mas ontem mesmo eu vi na televisão uma notícia que um pai foi preso porque machucou seu filho! Eu pensei que todos os pais amassem seus filhos!

Naquele momento estavam passando por um banco e o pai convidou:

— Vamos nos sentar e descansar um pouco.

Acomodados no banco, o pai fitou o menino que aguardava uma resposta, e prosseguiu:

— Todas as pessoas, Henrique, são espíritos em evolução. Deus, que é o Supremo Criador, criou os seres para a evolução. Através de muitas vidas, todos progridem e se aperfeiçoam, tornando-se melhores. Desde os micróbios, que nós não vemos porque são muito pequenos, até os astros celestes que contemplamos à distância, tudo progride.

O menino estava surpreso e pôs-se a perguntar:

— Ah! E o meu gatinho? E as flores desse jardim? E os peixes que vimos no lago? E...

O pai sorriu amorosamente, completando:

— Tudo, meu filho. Os minerais, os vegetais, os animais e os seres humanos. Tudo evolui. Assim, quando a criatura humana comete maldades, significa que ainda tem muito o que aprender. Até mesmo os pais, que os filhos julgam serem as melhores pessoas do mundo, embora amem seus filhos, são imperfeitos e trazem agressividade dentro de si. Com o tempo, todas as pessoas se tornarão boas e só praticarão o bem: a si mesmas, aos seus semelhantes e ao mundo em que vivem.

— Ah!...

— Por isso, devemos respeitar a natureza, respeitando a vida.

Henrique, que ouvia com muita atenção, lembrou:

— Mas os homens matam os animais para comer. Coitadinhos!

— Sim, meu filho, mas isso faz parte da nossa cultura e tende a desaparecer. O pior é que há homens que matam e destroem por prazer. Os animais, que são inferiores a nós, só matam para se defender ou para saciar a fome. Mas o homem mata por maldade os próprios irmãos de raça, e os animais, por esporte; destrói a natureza por ambição, queimando as matas, sujando os rios e poluindo as cidades.

O garoto, com carinha preocupada, exclamou:

— Puxa, papai! Eu quero fazer alguma coisa para ajudar!

— Muito bem, meu filho. Todos nós podemos ajudar a preservar o nosso planeta para que ele seja melhor, mais limpo e mais agradável. Sabe como? Dando o exemplo de amor e respeito pela vida e mostrando às outras pessoas como devem agir.

Henrique sentiu-se naquele instante como um homenzinho a quem fosse conferida grande tarefa.

Era tarde. Hora de voltar para casa.

Recomeçaram a caminhar, quando viram, vindo em sentido contrário, uma garotinha e sua mãe.

A menina, que tinha acabado de comprar um sorvete, desembrulhou o picolé, jogando o papel no chão.

Quando mãe e filha se aproximaram de Henrique e seu pai, um pequeno grilo surgiu do meio dos arbustos, saltando entre eles.

As reações foram diferentes. A garota tirou o sorvete da boca e correu até onde estava o inseto, levantando ameaçadoramente o pé para esmagá-lo.

Henrique também correu, e, mais rápido, jogou-se no chão e conseguiu pegar o grilo, antes que ela o atingisse com o pé.

Depois se levantou, ainda ofegante, acariciou o assustado grilo que repousava na palma de sua mão, sorriu satisfeito e disse:

— Por que queria matá-lo? Deixe-o viver! Ele não lhe fez mal algum!

E, ante o assombro de mãe e filha, coradas de vergonha, Henrique fitou o pai com orgulho, afirmando:

— Temos que preservar a vida, não é papai?

Em seguida, sem esperar resposta, reiniciou sua caminhada.

Deu alguns passos, mas sentiu que ainda faltava alguma coisa. Parou, virou-se para a menina e completou:

— E saiba que lugar de papel é no lixo!

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Aprendendo a Viver

Morando numa pequena casa em um bairro humilde, Toninho vivia inconformado.

Na escola via colegas mais bem-vestidos, calçando tênis caros, e sentia-se triste. Gostaria de ser como um deles, ter casa bonita, passear no “shopping center”, ter brinquedos sofisticados, “videogames”. Ouvia o relato dos amigos sobre a programação de final de semana, e ficava humilhado.

Por que só ele tinha uma vida tão chata e tão sem atrativos?

Nunca podia comprar nada de diferente, usava o par de tênis que não servia mais para o seu irmão, e suas roupas estavam velhas e surradas. É bem verdade que a mamãe as trazia sempre limpas e bem-passadas, mas Toninho sentia-se mal por usar sempre as mesmas roupas.

Ao chegar em casa para o almoço, reclamava. A comidinha era simples e nunca tinha pratos diferentes.

– Outra vez feijão com arroz?

O pai, operário de uma fábrica, respondia com paciência:

– E não está bom? Tem muita gente que não tem o que comer, meu filho! Vamos agradecer a Deus, pois nunca passamos fome.

Toninho não respondia. Abaixava a cabeça e punha-se a comer, de má vontade.

Certo dia, Toninho saiu chateado de casa. Brigara com os pais, pois queria uma calça jeans que tinha visto numa loja no centro da cidade e seu pai lhe dissera que era impossível naquele momento. Não tinha dinheiro.

Nervoso, engolindo as lágrimas e chutando uma lata, Toninho foi para a rua. Andou bastante, sem destino. Cansado, parou para descansar um pouco. Logo, uma menina aproximou-se dele e pediu uma moeda.

Ele olhou admirado para a garota, afirmando:

– Não tenho dinheiro!

– Mas você parece rico. Deveria ter dinheiro.

Toninho, espantado, olhou melhor para a menina, achando graça.

– Então, acha que sou rico?

– Pois não é? Está limpo, bem-vestido, bem-calçado. Aposto que tem até uma casa!

Toninho, que sempre se considerara muito pobre, perguntou:

– Tenho. Por quê? Você não tem uma casa?

A menina respondeu, apontando para um lugar ali perto:

– Não. Moro debaixo daquele viaduto ali.

O garoto, que nunca se dera conta da verdadeira pobreza, estava horrorizado. A menina, cujo nome era Júlia, convidou-o para conhecer “sua casa” e ele a acompanhou.

Lá chegando, Toninho viu um casal simpático acendendo o fogo num fogão improvisado com tijolos. Também havia outras famílias dividindo o local.

Os pais de Júlia o receberam com um sorriso. Haviam recebido alguns gêneros alimentícios e estavam contentes. Teriam o que comer naquele dia e poderiam até ajudar outras famílias que ali estavam.

– Não se assuste – disse a mãe de Júlia a Toninho –, nem sempre estivemos nesta situação. Acontece que há alguns meses meu marido foi dispensado na indústria onde trabalhava e está desempregado até hoje. Não pudemos mais pagar o aluguel e fomos despejados. Para comprar o que comer, nós fomos vendendo os móveis e eletrodomésticos que possuíamos. Assim, perdemos o jogo de sofá, a geladeira, o fogão, o aparelho de som, as camas. Agora, estamos morando aqui debaixo desse viaduto. Mas, não pense que estamos tristes. Não, de modo algum! Sempre agradecemos a Deus por termos onde nos abrigar. Existem pessoas que nem isso possuem!

Toninho sentiu um nó na garganta. Despediu-se, emocionado.

Chegando em casa, Toninho sentiu a segurança e o aconchego do ambiente doméstico. Entrou na cozinha e um cheiro bom de comida veio do fogão.

Seu pai chegou da fábrica e se sentaram à mesa para comer. Toninho pediu para fazer a oração de agradecimento.

– Muito obrigado, Senhor, por tudo o que temos. Pela nossa casa, pela família, pela comida. E que nunca nos falte o necessário para viver. Assim seja.

Notando que o filho estava emotivo e diferente, o pai explicou:

– Meu filho, amanhã vou receber um dinheiro extra e poderei comprar aquela calça jeans que você tanto deseja.

Para sua surpresa, Toninho respondeu:

– Não, papai, não precisa. Isso agora já não tem qualquer importância.

Vendo o espanto dos pais, que não estavam entendendo, o menino contou-lhes a história de Júlia, sua nova amiga.

Os pais de Toninho também quiseram conhecer a família de Júlia, que tanto bem fizera a seu filho, e tornaram-se amigos. O pai de Toninho explicou o caso na fábrica e, dentro de poucos dias, surgindo uma vaga, o pai de Júlia foi contratado.

Na escola, agora o comportamento de Toninho era completamente diferente. O exemplo de otimismo e resignação daquela família havia tocado seu coração. Mostrava-se mais alegre, satisfeito e nunca mais se sentiu infeliz, reconhecendo que a vida é um bem muito precioso e que Deus dá a cada um o necessário para poder viver.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 15 de abril de 2023

A Caixa de Bombons

Dinho, menino de cinco anos, não conseguia parar quieto. Impaciente, andava de um lado para outro, com expressão de sofrimento.

Percebendo a inquietação do menino, a mãe perguntou:

— O que está acontecendo, meu filho?

Com as mãos apertando a barriga o garotinho reclamou, em lágrimas:

— Minha barriga dói, mamãe! Ai! Ui! Ai! Não aguento mais!...

Cheia de ternura, a mãezinha colocou o pequeno no colo e passou a massagear- lhe a região da dor, enquanto ele se aconchegava ao seu seio.

— Por que, mamãe, estou sofrendo tanto? Será que o Papai do Céu não gosta mais de mim? — perguntou, com a voz entrecortada pelos soluços.

Acalentando-o ainda mais junto ao peito, a mãezinha explicou:

— Não é nada disso, meu filho. Deus ama a todos nós da mesma maneira: a você, a mim e às outras pessoas. Nós é que, muitas vezes, com nossas atitudes, causamos o próprio sofrimento.

Fez uma pausa, para ver se o garoto estava entendendo, e perguntou:

— Vejamos: o que foi que você comeu hoje?

Dinho, que prestava atenção no que a mãe dizia, franziu a testa no esforço de se lembrar, e, parando de chorar, respondeu:

— Quando levantei, tomei um copo de leite e comi bolachas.

— Ótimo! E na hora do almoço?

— Comi arroz, feijão, bife e batatinha frita, que gosto muito!

— Muito bem! E foi só isso? Será que não esqueceu alguma coisa?

O menino concentrou-se e depois acrescentou, satisfeito:

— Tomei sorvete de morango!

— Isso mesmo, Dinho. Mais alguma coisa?

— Não. Só comi isso.

— Pense bem, meu filho!

Dinho não saberia dizer se foi o olhar da mãe que parecia saber tudo, mas a verdade é que baixou a cabeça, com o rosto vermelho, sentindo-se descoberto. Lembrou-se de que, na parte da tarde, foi até o armário onde sua mãe guardava as guloseimas para repartir com a família, pegou uma caixa de bombons e comeu tudo, tudo, tudo, sozinho, escondido atrás da casa.

Esfregando as mãos, com medo da reação da mãe, ele contou o que tinha feito.

Sem reprovar o comportamento do menino, ela considerou:

— Está vendo, Dinho? A dor não foi mandada por Deus, meu filho. Ela é consequência da sua gulodice. Se você tivesse repartido com seus irmãos a caixa de chocolates, não estaria passando mal e sentindo dor.

Nesse momento, ouviram o barulho de um trem que chegava. De longe escutaram seu apito estridente: PIUIIIIII... PIUIIIII...

A mãezinha aproveitou a oportunidade e explicou:

— Está escutando o apito do trem?

— Estou.

— Pois bem! O maquinista está comunicando a todos que o trem está se aproximando da cidade e que é preciso tomar cuidado. É um aviso! Da mesma forma, meu filho, a dor também é um alerta do nosso corpo avisando que algo não vai bem dentro dele e que é preciso tomar cuidado. Entendeu?

— Entendi, mamãe. A dor é nossa amiga! É por isso que a gente vai ao médico?

— Isso mesmo, meu filho! Normalmente, quando estamos com algum problema, procuramos o médico que saberá nos ajudar.

— Então, hoje nós iremos ao médico?

A mãezinha sorriu, completando:

— Neste caso, não há necessidade. O doutor, que conhece você muito bem e sabe da sua gulodice, já prescreveu um remédio natural para essas ocasiões. Agora, vou dar-lhe algumas gotinhas que ajudarão seu organismo a melhorar, amenizando a dor. Está bem?

Dinho sorriu, confiante e satisfeito. Sentia-se seguro, porque o Pai do Céu o amava e porque tinha uma mãezinha tão sabida e tão boa.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 1 de abril de 2023

A Banda

Numa classe, a professora estava tendo dificuldade em explicar aos seus pequenos alunos sobre os cuidados que se deve ter com o próprio corpo. Dizia ela:

— É preciso cuidarmos de nosso corpo para que ele possa funcionar bem. Cada órgão tem uma função própria e trabalha para executar a sua tarefa, obedecendo à harmonia do conjunto. Por exemplo: o coração é responsável por bombear o sangue, levando-o a todas as partes do corpo através das artérias; o estômago processa a comida; os rins filtram o sangue; os pulmões cuidam da respiração. Tudo isso sob o comando do cérebro. Entenderam?

Os alunos olhavam com cara de dúvida, mas o pequeno Rogério meneou a cabeça, afirmando, convicto:

— Não.

A professora tentou explicar de novo, de maneira diferente, mas viu que eles continuavam sem entender direito.

Aí ela teve uma ideia. Aproveitando o desejo de realizar um projeto que tinha em mente, perguntou:

— Vocês têm em casa algum instrumento musical de brinquedo?

Muitos levantaram a mão.

— Eu tenho um tamborzinho, professora! — disse Rogério.

— E eu, um pianinho! — afirmou Aline.

— Tenho uma sanfona! — gritou Maurício, do fundo da sala.

Assim, apareceram mais três cornetas, duas flautas, uma gaita, um prato e duas violas.

Satisfeita, a professora pediu que trouxessem os brinquedos no dia seguinte. Apesar de não saberem qual a intenção da professora, as crianças obedeceram.

No dia seguinte chegaram, curiosas, portando seus instrumentos musicais.

Entrando na sala, a professora explicou:

— Com esses instrumentos, vamos formar uma banda. O que acham?

As crianças adoraram. A professora ordenou:

— Muito bem! Agora prestem atenção! Quando eu der sinal, vocês começam a tocar.

E assim ela fez. Disse “já”, e todos começaram a tocar ao mesmo tempo.

Foi uma confusão! Barulho ensurdecedor tomou conta da classe.

A outro sinal, elas pararam.

Os alunos estavam horrorizados. Alguns até taparam os ouvidos para o ruído infernal que se fizera.

— O que acharam? — perguntou a professora.

— Horrível! — respondeu o pequeno Rogério, ao que todos concordaram.

A professora sorriu e explicou:

— Realmente, estava muito ruim. Para tocar em conjunto, é preciso aprender. Só assim teremos um som bonito e harmonioso. Mas, não se preocupem. Vocês vão aprender!

Dali em diante passou a orientá-los, ensinando como cada um deveria tocar seu instrumento até que estivessem todos afinados. Muitos dias depois, quando já estavam em condições de tocar em conjunto, ela resolveu fazer o ensaio geral.

Sob a regência da professora, eles começaram a tocar o que tinham aprendido. Ficou lindo! Os sons saíram dos instrumentos na hora certa, na medida exata, numa integração harmoniosa e agradável ao ouvido.

As crianças estavam maravilhadas! Jamais esperavam que pudesse sair tão bonita a melodia simples que tocaram.

Bateram palmas, se abraçaram, pulando de satisfação e de alegria.

Quando os alunos se acalmaram, a professora perguntou:

— E então? Perceberam a diferença? É que, agora, ninguém toca o que quer, como quer. Cada um toca uma parte diferente da mesma música, seguindo uma ordem e com disciplina. Isto é um conjunto!

Fez uma pausa e indagou:

— Será que essa bandinha tem alguma relação com nosso corpo?

Para sua satisfação, foi Rogério quem respondeu:

— Claro que tem, professora! Acho que os músicos são como os órgãos do corpo! E eu sou o coração, porque toco tambor e dou o ritmo!

— Isso mesmo! Parabéns, Rogério!

O regente representa o cérebro, que comanda o corpo, não é professora? — concluiu outra aluna.

— Certo! Vocês entenderam muito bem! Então, para que o corpo funcione bem é preciso que cada parte, cada órgão, cumpra direitinho sua função. Já pensaram se cada órgão do corpo resolver trabalhar como quiser? Seria um caos! Assim, temos que cuidar da higiene, nos alimentarmos de forma sadia, protegendo e cuidando do corpo que Deus nos concedeu, para termos saúde orgânica. Manter o pensamento elevado, cultivar a paz, para termos equilíbrio e saúde espiritual. Entenderam?

Todos tinham entendido.

A partir desse dia, o sucesso da bandinha foi tanto que passaram a se apresentar em todas as festas da escola, agradando a todos. Deram até um nome para a banda: CORPO MUSICAL.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de março de 2023

A Árvore e os Frutos

Chegando em casa após as aulas, Denis procurou não fazer ruído. Entrou pé-ante-pé, com receio de enfrentar a mãe. Todavia, não escapou da pergunta costumeira:

— Onde esteve, meu filho?

— Ora, mamãe! No colégio, é lógico!

— Denis, suas aulas terminaram às 5 e já passam das 7 horas da noite. O que fez nesse tempo todo?

A senhora se preparou para ouvir as explicações do filho, que nos últimos dias aconteciam com frequência. Denis fez cara de inocente e retrucou:

— Poxa, mamãe! Tenho que dar conta de todos os meus passos? Estava com amigos, ora!

— Que amigos?

— Uma turma legal que conheci há algum tempo.

Como o pai não tardaria a chegar e ela estivesse atrasada com a refeição, a senhora deu por terminada a conversa, dizendo:

— Falaremos sobre isso depois, meu filho. Agora, tome o seu banho e não demore. Hoje é dia de nosso Evangelho no Lar, lembra-se?

O garoto concordou, feliz por ter se livrado da bronca.

Após o jantar, sentaram-se para fazer o Evangelho. O pai Eugênio, a mãe Clara, Luciana de 6 anos e Denis.

A lição da noite, aberto o livro ao acaso, foi:

“A árvore que produz maus frutos não é boa e a árvore que produz bons frutos não é má; portanto cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem frutos nos espinheiros, nem cachos de uvas nas sarças. O homem de bem tira as coisas boas do bom tesouro do seu coração e o homem mau tira as más do mau tesouro do seu coração; porquanto a boca fala do que está cheio o coração”. (Lucas, 6:43 a 45.)

Após a leitura, fizeram comentários sobre a lição. Clara explicou:

— Jesus quis dizer com essas palavras que nosso comportamento dirá aos outros como nós somos. Daí a importância do nosso exemplo em qualquer lugar: na escola, no trabalho, na rua, no lar. Se agirmos mal, seja através de palavras ou de atos, estaremos demonstrando a todos que viemos de uma árvore má. E isso denota o que trazemos por dentro, como são baixos os nossos pensamentos, que se traduzem em atitudes negativas da nossa parte.

Luciana, que ouvira a conversa da mãe com o irmão, lembrou-se de comentar:

— Mamãe, ontem vi Denis com uma turma tão esquisita! Os meninos eram grandes, usavam cabelos pintados de cores fortes e tinham brincos nas orelhas.

Denis, que ouvia calado, respondeu irritado:

— Você não tem nada com isso, sua fofoqueira! Eles são legais e meus verdadeiros amigos.

O pai interferiu, prontamente:

— Calma, meus filhos! Não é hora para discutirmos esse problema. Nossa reunião semanal não é um tribunal em que analisamos as atitudes das pessoas. Além disso, Luciana, não podemos julgar ninguém pela aparência externa. O importante é o que a pessoa é por dentro. Os amigos de Denis podem ser excelentes garotos. A verdade é que não os conhecemos.

Denis olhou para o pai, agradecido pela força que lhe dera, enquanto Luciana fazia uma careta para o irmão. A mãe, para concluir, disse-lhe com carinho:

— Os pais sempre querem o melhor para seus filhos. Se muitas vezes parecemos severos, é que desejamos dar a vocês a melhor educação possível, para que ninguém venha a dizer que vocês são frutos de uma árvore má. Especialmente você, Denis, que já está com doze anos, deve ter muito cuidado com as amizades que escolhe, porque existem por aí muito desequilíbrio, vícios e toda espécie de mal. Mas, confiamos em vocês, que receberam a boa semente do Evangelho de Jesus e temos certeza de que sempre agirão o melhor possível de acordo com suas consciências.

Clara fez uma prece e deu por terminada a reunião.

No dia seguinte, a turma de Denis combinou de sair à noite. O rapazinho prometeu que ia falar com os pais.

Assim, acabando as aulas, foi direto para casa. A mãe ficou satisfeita, achando que era resultado da conversa do dia anterior.

Encontrando um momento propício, Denis pediu:

— Papai, mamãe, gostaria de sair hoje à noite com a turma. Afinal, já tenho doze anos.

O casal trocou um olhar preocupado. Eugênio perguntou:

— Aonde pretendem ir?

— Apenas comer um sanduíche, papai. Abriu uma lanchonete nova e queremos conhecer. Prometo que volto logo. Deixa, pai!

— Está bem, meu filho. Mas não demore! — concordou o pai, dando-lhe algum dinheiro.

Todo satisfeito, Denis arrumou-se e saiu para encontrar com os amigos.

— Aonde vamos? — perguntou a Vitão, o líder da turma.

— Dar um “rolé” por aí. Aguarde e verá. Não vai se arrepender.

Denis não entendeu, mas ficou calado. A turma era de quatro rapazes mais velhos, experientes, e ele sentia-se orgulhoso de ter sido aceito por eles.

Logo passaram por um carro estacionado e o líder deu uma risadinha:

— Esse carro é do professor de Ciências, aquela careta. Caprichem nele.

Os rapazes rodearam o carro e esvaziaram completamente os pneus, para espanto de Denis.

Mais adiante, local de menos movimento, Vitão tirou do bolso interno da jaqueta um spray de tinta preta e puseram-se a pichar um muro pintado de novo. Horrorizado, Denis via tudo isso sem poder fazer nada. Não estava reconhecendo os amigos.

Depois, passando por um orelhão, quebraram todo o aparelho telefônico.

Naquele instante, vendo o vandalismo dos amigos, Denis lembrou-se da lição do dia anterior. Certamente aqueles frutos não viriam de árvores boas. Apesar do medo que sentia do líder, garoto forte e agressivo, resolveu dar um basta:

— Estou fora — disse.

— Como assim? — perguntou Vitão, espantado.

— Você entendeu. Se é esse tipo de coisa que vocês costumam fazer, não são meus amigos, nem amigos de ninguém. Estou fora. Adeus.

Fez meia volta, sem se preocupar com a reação do bando, e retornou para casa. Estava triste e decepcionado, mas, ao mesmo tempo, orgulhoso por ter tido coragem de tomar uma atitude.

Ao entrar, sua mãe estranhou:

— Ué! De volta tão cedo?!...

— É, mamãe. Descobri que o melhor sanduíche ainda é o seu.

— E a turma? — indagou o pai, surpreso.

— Ficaram lá. Percebi que não me servem. Não são frutos bons.

Satisfeito, comeu com apetite o sanduíche que sua mãe preparou com imenso carinho.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de março de 2023

Sacrifício de Mãe

O pai havia desencarnado fazia já algum tempo, partindo para a Pátria Espiritual, e Maneco ficou sozinho com sua mãe.

A vida, que até aquela data fora tranquila, sem que nada lhes faltasse, tornou-se difícil. Os recursos que o pai deixara minguavam dia a dia e, em poucos meses, acabaram por completo.

Maneco, porém, sem perceber a situação, continuava na mesma vida: estudava, brincava e divertia-se.

Acostumado a ter o que desejava, sem se privar de nada, começou a reclamar de tudo: da comida, das roupas gastas, dos sapatos usados, mostrando-se exigente e insatisfeito.

A mãezinha amorosa, cujos recursos restringiam-se à pensão que o marido deixara ao desencarnar, não sabia o que fazer para agradar o filho.

Não tendo dinheiro, a pobre mulher recorria à bondade dos vizinhos e amigos, emprestando o suficiente para comprar algo melhor para o filho: uma fruta, um pedaço de carne, algumas batatas, algum doce.

Quando o rapazinho se sentava à mesa e comia com apetite, a mãe sentia-se compensada de seus esforços, e fitava-o embevecida, satisfeita. Maneco perguntava:

— Não vai almoçar, mamãe?

Invariavelmente ela respondia, dando uma desculpa:

— Não estou com fome, meu filho.

Ou, então, alegava que já havia almoçado, ou que almoçaria depois.

Certo dia, ao chegar à sua casa, Maneco encontrou a mãezinha na cama, desfalecida.

O médico, chamado às pressas, após examiná-la, informou:

— O estado de sua mãe é de fraqueza extrema. Provavelmente não come há vários dias. Precisa alimentar-se melhor para poder recuperar as forças.

Maneco, surpreso, não sabia o que dizer. Aproximando-se do leito, perguntou à mãe:

— Por que não tem se alimentado, mamãe?

A generosa senhora, um pouco envergonhada, nada disse; apenas uma lágrima desceu pelo seu rosto pálido.

Maneco, perplexo, compreendeu enfim. Aos poucos foi ligando os fatos, lembrando-se de tudo o que vinha acontecendo, e entendeu que a mãezinha sacrificava-se por ele. Dava o melhor de si para o filho, nada reservando para ela mesma. E ele, insensível e prepotente, nunca percebera o sacrifício da mãe.

Maneco caiu ajoelhado, em lágrimas, ao lado do leito pobre, enquanto lhe dizia com voz entrecortada de emoção:

— Perdoe mãezinha, não ter percebido a nossa real situação e a grandeza da sua generosidade. Mas, nunca senti falta de nada! Como é que a senhora conseguia comprar tudo que me oferecia?

Uma vizinha, que chegara há pouco e ouvia a conversa, respondeu comovida:

— Sua mãe emprestava o dinheiro de um e de outro para que nada lhe faltasse, Maneco.

— Meu Deus! Como pude ser tão cego? Mamãe, eu arranjarei um emprego, pois já tenho idade para trabalhar. Não ganharei muito, por certo, mas o pouco que receber será o suficiente para amenizar nosso infortúnio. Deus nos ajudará mamãe, e seremos muito felizes ainda.

A mãe, com sorriso terno, afirmou contente:

— Deus já nos ajudou meu filho, e considero-me muito feliz por Ele ter-me dado um filho como você!

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Responsabilidade e Amizade

Juquinha voltava da escola com a mochila dependurada nas costas e uma bola nas mãos. Brincando, ele chutou a bola e quebrou a vidraça da janela de uma residência pela qual estava passando.

Temeroso pelo que fizera, ele saiu correndo e dobrou a esquina, rápido.

Zezé, seu colega, que vinha um pouco atrás, preocupado com uma prova que faria no dia seguinte, nem notou o que tinha acontecido.

Ao passar diante da casa, deparou-se com um homem muito zangado, que, o agarrando pelo braço, gritou:

— Peguei você, moleque safado!

Assustado, sem entender o que estava acontecendo, Zezé se defendeu:

— Eu não fiz nada! Não sei do que a senhor me acusa.

— Como não sabe? Você acaba de quebrar a vidraça da janela de minha casa e não sabe?...

— Não sei não, senhor. Não fui eu! Não fui eu!

— Ah, não? E essa bola aqui, de quem é?

Zezé havia reconhecido a bola, nova e bonita, que pertencia ao seu amigo Juquinha. Porém ele não era dedo-duro e não entregaria o colega. Então, apenas respondeu:

— Não é minha, senhor, eu juro!

— Se você estiver mentindo para mim, vai se arrepender. Vamos! Vou levá-lo até sua casa e falar com seus pais.

— Por favor, senhor, solte-me! Meus pais estão trabalhando e não tem ninguém em casa.

Zezé chorava e suplicava tanto, que o homem cedeu. Largou o braço dele e pediu-lhe o endereço, que o garoto deu. Depois, voltando aos poucos à normalidade, ele informou:

— Amanhã irei à escola falar com sua professora. Como é seu nome?

— José Luiz Barbosa, mas todos me chamam de Zezé.

— Muito bem, Zezé. Pode ir agora.

Zezé continuou seu caminho, aliviado. No dia seguinte tudo se esclareceria, tinha certeza. Certamente Juquinha não deixaria que ele fosse acusado injustamente.

De manhã Zezé levantou-se, confiante, e foi para a escola.

Eram dez horas quando o homem apareceu na porta da sala de aula.

A professora Dorinha o recebeu e perguntou o que desejava. Ele entrou e explicou o que tinha acontecido diante de toda a classe.

Juquinha encolheu-se na carteira.

Diante da acusação daquele homem, Zezé esperou que Juquinha assumisse a culpa, não deixando que ele fosse acusado injustamente.

Como Juquinha continuasse calado, Zezé baixou a cabeça triste e desiludido.

A professora Dorinha, vendo a situação criada, saiu em defesa do aluno.

— O senhor tem toda razão de reclamar e até de desejar uma reparação, porém não pode vir aqui e acusar um aluno meu sem ter certeza da culpa dele. Além disso, esta bola não é do Zezé, posso lhe afirmar.

— Mas alguém quebrou minha janela com esta bola e quero saber quem foi.

Ele olhava para toda a classe, fitando um por um. Todavia, ninguém se manifestou. Irritado, ele disse:

— Muito bem. Vocês estão se protegendo, mas eu vou descobrir quem foi e, aí, tomarei providências. Deixarei a bola aqui na mesa. Que o dono a pegue depois, se tiver coragem. Passem bem.

O homem retirou-se pisando duro. Após a saída dele, Dorinha olhou para sua classe, triste, e considerou:

— Estou bastante decepcionada com vocês. Não importa o que tenhamos feito, temos a obrigação moral de assumir nossos erros. Mentir é muito feio e, omitir nossa responsabilidade, deixando que alguém seja acusado em nosso lugar, é pior ainda.

Zezé, com a cabeça entre as mãos, chorava baixinho.

Nesse momento, Juquinha levantou-se, tímido e envergonhado:

— Professora, fui eu que quebrei a vidraça. Mas não fiz por querer! Foi um acidente!

Depois, virando-se para o amigo que chorava, disse:

— Zezé, me desculpe! Não quis criar um problema para você, apenas fiquei com medo da reação de meus pais ao ficarem sabendo. Porém, você sabia que eu era culpado e não me entregou, e isso me deixou com vergonha de mim mesmo. Será que você pode me perdoar?

Zezé levantou a cabeça, limpou as lágrimas e sorriu:

— Claro, Juquinha. Sabia que você não deixaria que eu fosse acusado injustamente. Afinal, somos bons amigos!

Juquinha caminhou até Zezé e abraçaram-se, contentes por terem resolvido bem a situação.

Depois, Juquinha, também emocionado, prometeu:

— Professora, eu prometo que ao sair daqui irei à casa daquele senhor, contarei a verdade e me responsabilizarei pelos danos que causei.

— Ótimo, Juquinha. Você decidiu muito bem — concordou Dorinha.

E Zezé, ao lado dele, afirmou:

— Eu acompanho você, Juquinha.

A professora abraçou a ambos, depois olhando para os demais alunos, informou:

— Neste dia tivemos uma lição ao vivo. Uma situação difícil se resolveu de forma pacífica, e todos amadureceram um pouco mais. Juquinha aprendeu que a mentira só prejudica, e pôde comprovar a grandeza de Zezé que não entregou o amigo, mesmo sabendo-o culpado.

Ela parou de falar por alguns momentos, depois prosseguiu comovida:

— Juquinha ainda vai enfrentar dificuldades com o homem a quem prejudicou, e também com seus pais, mas tudo ficará mais fácil diante da sua resolução de dizer a verdade. Que todos possamos ter aprendido a lição.

Ao terminar a aula, Zezé acompanhou Juquinha, que explicou ao homem o que tinha acontecido, desculpando-se e prometendo pagar os danos causados, usando sua mesada para comprar-lhe uma vidraça nova.

Contaria a seus pais o que tinha acontecido, e tinha certeza de que o problema seria resolvido com tranquilidade.

O mais difícil fora admitir a culpa. Tudo o mais não tinha importância.

Sereno e confiante, Juquinha retornou para casa, certo de que, dali por diante, não haveria problema que não conseguisse resolver.

Aprendera, também, que uma amizade sincera como a de Zezé, não tinha preço e precisava ser valorizada.

E desse dia em diante, tornaram-se ainda mais amigos.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Respeito às Coisas Alheias

Paulinho era um menino que fora criado com todo amor e carinho pelos seus pais.

Estudava numa escola boa e confortável, tinha professora dedicada e amigos com quem se divertia nas horas de folga. Enfim, era um bom aluno.

Contudo, certa vez entrou na sua classe um garoto maior que veio transferido de outra escola. De personalidade envolvente, Roberto começou a dominar Paulinho, que passou a ver no novo amigo um líder.

Desse dia em diante, Paulinho mostrou fraco rendimento escolar, não fazia mais os deveres de casa, tornou-se malcriado e saía sempre à noite voltando tarde ao lar, sem que sua mãe soubesse onde tinha estado.

Não valeram conselhos e recomendações dos pais e da professora; o garoto cada vez mais mostrava indisciplina, desrespeito e desinteresse por tudo o que lhe fora ensinado até então.

Seus pais, muito preocupados, não sabiam mais o que fazer.

Nessa época, o pai de Paulinho começou a ter problemas de saúde. O coração estava seriamente comprometido e era necessário um tratamento rigoroso e muito cuidado.

Certo dia, Paulinho chegou tarde da noite e encontrou tudo fechado e silencioso. Ninguém em casa.

Sem saber o que fazer, procurou informações com um vizinho. Assim, recebeu a notícia de que seu pai passara mal e fora levado às pressas para o hospital.

Com o coração angustiado, correu até o hospital e encontrou sua mãe em prantos.

— Graças a Deus que você chegou, meu filho — disse ela.

— Como está papai? — perguntou, aflito.

— Está sendo atendido pelo médico, Paulinho, mas demoramos muito para vir e temo que o socorro chegue tarde.

— Mas, por que, mamãe? Por que não pediu para Aninha ligar logo de um telefone público?

— Eu pedi, meu filho, mas o telefone está quebrado.

Muito desapontado, o garoto lembrou-se de que fora ele mesmo e seu bando quem destruíra o aparelho por brincadeira. Gaguejando, insistiu:

— Mas tem um pronto-socorro próximo de nossa casa. Por que a senhora não solicitou uma ambulância?

Meneando a cabeça, a mãe informou algo desalentada:

— Tentamos, Paulinho... Mas a ambulância, infelizmente, estava com os quatro pneus cortados, serviço de um bando de garotos desocupados que andam por aí, segundo informaram.

Corando até a raiz dos cabelos, Paulinho lembrou-se que, também por divertimento, eles haviam estragado os pneus da ambulância que estava estacionada no pátio defronte o pronto-socorro.

Cheio de vergonha e arrependimento, em lágrimas, Paulinho confessou à sua mãe tudo o que fizera, e concluiu:

— Se o papai morrer, nunca mais vou me perdoar. Por minha culpa ele não recebeu a assistência urgente de que tanto precisava.

A mãezinha que ouvia calada afagou-lhe os cabelos e falou com carinho:

— Sempre é tempo de nos arrependermos de nossas ações más, meu filho. Ore e peça a Deus em favor do seu pai. Ele nunca deixa de nos amparar nas nossas necessidades.

Algum tempo depois, o médico veio avisar que estava tudo correndo bem e que o paciente logo estaria recuperado.

Cheios de alegria, mãe e filho se abraçaram, agradecendo a Deus que atendera às suas súplicas.

E, a partir daquele dia, Paulinho voltou a ser o menino que era antes, reconhecendo que o respeito à propriedade alheia é muito importante, especialmente às coisas públicas que prestam serviço inestimável à população, e que nunca sabemos quando nós também vamos precisar delas.

Que ele, ao invés de transmitir suas boas qualidades aos amigos indisciplinados, se deixara contaminar por eles.

Paulinho prometeu a si mesmo que faria tudo o que pudesse para que seus amigos também compreendessem que somente o respeito e o amor ao próximo poderão nos tornar pessoas melhores e mais felizes.

Fiel às promessas de mudança interior que fizera a si mesmo, Paulinho procurou à companhia telefônica e a direção do pronto-socorro responsabilizando-se pelos estragos verificados e prontificando-se a pagar com seu trabalho os prejuízos que causara.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de janeiro de 2023

O Vaga-Lume

Morando num lindo recanto do campo, entre flores coloridas e perfumadas, árvores frondosas e amigas, Vavá, o vaga-lume, vivia sempre triste insatisfeito.

Sentia-se pequeno e inútil. Voava sobre as rosas e admirava lhes a beleza e o perfume; encantava-se com as borboletas que passavam vestidas elegantemente de asas multicoloridas. Ouvia com assombro o canto mágico dos pássaros nas ramagens do arvoredo e entristecia-se por não conseguir emitir uma nota sequer. No fundo, tinha uma inveja profunda deles, das rosas, das borboletas, dos pássaros e de todos os que eram diferentes dele.

Por que Deus o fizera assim? Ele não era bonito como as borboletas, não era perfumado como as rosas e não sabia cantar como os pássaros!

A única coisa que possuía era aquela incômoda lanterninha na parte traseira do seu corpo e que ninguém mais tinha. Só ele!

Ainda se fosse uma luz bonita e brilhante, como a das estrelas que Vavá contemplava à noite, ou como aqueles postes de luz que ele via de vez em quando na cidade, seria diferente. Teria orgulho dela. Mas qual! Essa luz fraca e oscilante não servia para nada!

Certo dia, Dona Coelha apareceu aos saltos, muito preocupada com seu filhotinho. O pequeno estava doente e ela precisava de uma determinada planta para fazer um chá.

Pediu ajuda para a Borboleta:

— Amiga Borboleta, ajude-me a encontrar o remédio para meu filho.

Mas a borboleta respondeu, abrindo as asas multicoloridas:

— Como procurar? Está ficando escuro e não vejo nada!

Dona Coelha agradeceu e pediu auxílio para a rosa, muito aflita:

— Por favor, amiga Rosa, ajude-me a encontrar o remédio para meu filho!

Abanando a linda cabeça de pétalas macias, a rosa respondeu, delicada:

— Gostaria de ajudá-la, mas, infelizmente, não posso andar e, mesmo que pudesse, com essa escuridão seria impossível!

Dona Coelha agradeceu e, encontrando o passarinho, pediu-lhe:

— Você que anda por tantos lugares, poderia ajudar-me a procurar a planta que necessito para curar meu filho?

O passarinho ficou pensativo e depois respondeu, atencioso:

— Creio que sei onde encontrar a planta que a senhora procura, Dona Coelha, mas está muito escuro e não posso voar, pois trombaria nas árvores. Além disso, não sei o lugar exato e agora de noite seria impossível encontrá-la.

A pobre coelhinha ficou muito triste e já se dispunha a desistir do seu intento e retornar ao seu lar sem a planta necessária. Mas os bichinhos que se juntaram para analisar o problema, preocupados com a situação da pobre mãe, começaram a discutir qual a melhor solução.

Dona Coruja, que ouvia tudo em silêncio, acomodada num galho de árvore, sugeriu:

— Só conheço alguém capaz de ajudar neste momento tão difícil.

— Quem??!! — perguntaram todos ao mesmo tempo.

— O vaga-lume Vavá!

Olharam-se surpresos. Como não pensaram nisso antes?

— EU???...

— Claro! Quem mais possui uma lanterna? — explicou a Coruja, satisfeita.

Encaminharam-se, então, para o região onde o passarinho vira a planta, sempre guiados por Vavá, que ia na frente, todo orgulhoso, iluminando o caminho.

Procuraram... procuraram... procuraram... até que, bem escondidinha, lá estava ela.

Dona Coelha, muito feliz e aliviada, não sabia como agradecer:

— Obrigada, Vavá! Se não fosse você e sua lanterninha nunca teria conseguido. Que Deus o abençoe!

Vavá, que, pela primeira vez, sentia-se útil e valorizado, ficou satisfeito. E percebeu que o dom que Deus lhe dera era muito... muito importante, e poderia ajudar muita gente.

Agora já não se incomodava mais de não ser belo como as borboletas, ou perfumado como as rosas, ou ter voz melodiosa como os pássaros.

Já não se sentia mais como um pequeno e insignificante inseto, inútil e desprezado por todos. Ele era muito importante e tinha uma tarefa que só ele podia executar: clarear as trevas.

E, a partir desse dia, Vavá passeava sempre pelo campo, confiante em si mesmo e orgulhoso da sua luz, agradecendo a Deus a bênção que lhe concedera.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Respeito à Propriedade Alheia

Era uma tarde de domingo muito bonita e ensolarada. Os pássaros cantavam, as borboletas enfeitavam alegremente as flores e todos os animais brincavam felizes.

Foi então que Joãozinho disse a seu amigo Antoninho:

- Vamos aproveitar este dia bonito e passear no pomar de maçãs do Seu Joaquim?

Antoninho, com água na boca, respondeu:

- Oba! Vamos sim, quero comer aquelas maçãs maravilhosas!

Assim, foram correndo até o pomar. Chegando lá, olharam para todos os lados, para ver se não havia ninguém. Foi então, que após espreitarem com cuidado, subiram nos pés de macieiras.

Joãozinho dizia sorridente:

- Olha, Antoninho, que frutas deliciosas!

- São saborosas!

Antoninho, com o os olhos brilhando, respondeu:

- É verdade, ainda bem que podemos comer de graça. Vamos comer muitas maçãs e levar o que pudermos para casa.

E assim o fizeram.

Continuaram a comer muitas maças e quando já estavam apanhando algumas frutas para levarem embora, avistaram uma menina que se aproximava.

Era a Aninha, a sobrinha do Seu Joaquim.

Ficaram assustados, mas depois pensaram: é só uma menina!

Aninha se aproximou e perguntou:

- Quem são vocês? O que vocês fazem no pomar do tio Joaquim?

Eles responderam baixinho:

- Viemos comer algumas maças.

- E vocês pediram permissão para meu tio? - indagou Aninha.

Os dois se olharam e disseram que ninguém estava vendo.

Aninha apontou para o céu e disse:

- Deus está vendo, Ele sabe tudo o que fazemos e somos responsáveis pelas nossas atitudes.

Após ouvirem o que Aninha falou, Joãozinho e Antoninho ficaram envergonhados.

- Você tem razão Aninha, Deus vê tudo o que fizemos, por isso, devemos sempre agir corretamente, disse Joãozinho.

Antoninho tomou coragem e pediu desculpas. Disse que desse dia em diante sempre pediriam permissão para pegarem coisas que não fossem suas, respeitando as coisas alheias.

Autoria: Carla Kitzmann – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.