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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Enfermidade Providencial

Pedrinho brincava com seus amigos no jardim jogando bolinhas de gude. Eram garotos levados, mas Pedrinho gostava deles. Cansado da brincadeira, um deles disse, fazendo careta:

— Que dia mais chato! Nada temos para fazer.

Chutando umas pedras, Pedrinho concordou:

— Chato mesmo. Que tal se nós brincássemos de pega-pega?

Dedé, balançando a cabeça, respondeu:

— Outra vez? Já fizemos isso hoje!

— Que tal amarrarmos o rabo do gato e atearmos fogo para vê-lo correr? — sugeriu Joãozinho, maldoso, com os olhos brilhando de animação.

— Nada feito! — retrucou Dedé — Esqueceram que já fizemos isso? Meu gato está todo queimado e minha mãe ficou muito brava comigo.

Pedrinho concordou:

— É verdade. Temos que inventar coisas diferentes.

— Mas, o quê? — Dedé perguntou. — Já jogamos bola, corremos atrás do cachorro do Pedrinho, sujamos as roupas do varal da dona Antônia, tomamos sorvete...

— Já sei! — falou Joãozinho com ar inteligente e maroto — Vamos roubar frutas na chácara do velho Simão.

Todos bateram palmas. Afinal, tinham encontrado algo diferente para fazer. Nisso, a mãe de Pedrinho chamou-o para tomar banho e jantar. Como fosse tarde, resolveram deixar a brincadeira para o dia seguinte.

À noite, Pedrinho colocou o pijama e deitou-se. Sua mãe veio dar-lhe boa noite e juntos fizeram uma prece.

Naquele momento, envolvido pelas bênçãos da prece, Pedrinho sentiu remorso de tudo o que fizera e desejoso de realmente mudar.

O garoto orou a Jesus pedindo-lhe que o transformasse num menino bonzinho e o livrasse das tentações do mal.

Todavia, lembrando que os amigos ficariam esperando por ele, pediu à mãe que o acordasse cedo, e explicou:

— Combinei encontrar-me com o Dedé e o Joãozinho.

A mãezinha, preocupada, aconselhou:

— Olha lá, meu filho, o que vão fazer. Não gosto que ande na companhia desses meninos. São muito arteiros.

— Não se preocupe, mamãe. Não vamos fazer nada errado.

A mãe despediu-se, dando-lhe um beijo no rosto:

— Está bem, meu filho. Boa noite! Que o seu anjo da guarda o proteja e lhe inspire bons pensamentos.

Na manhã seguinte, Pedrinho amanheceu muito indisposto. Passou mal à noite, teve febre, calafrios. A mãe examinou-o e, pelas manchas no corpo, achou que poderia ser catapora, pois tinha ouvido dizer que várias crianças estavam com essa doença.

Pedrinho não conseguiu levantar-se para ir ao encontro dos amiguinhos.

Mais tarde, um vizinho veio vê-lo e perguntou:

— Vocês sabem da novidade? Hoje pela manhã dois garotos entraram no pomar do velho Simão para roubar frutas e foram apanhados pelos cachorros quando tentavam pular o muro.

Preocupada, a mãe de Pedrinho perguntou:

— E os meninos?

— Estão bem, embora um pouco machucados. Levaram um susto terrível! Poderiam até ter morrido!

Pedrinho, assustado, ouvia a conversa. Depois, não se conteve e começou a chorar, falando com voz entrecortada de pranto:

— Ainda bem que fiquei doente!

E confessou tudo para sua mãe, que o ouviu em silêncio.

— Está vendo, meu filho, do que você se livrou? Agradeça a Jesus e ao seu anjo da guarda que o protegeram. Lembra-se da prece que fez ontem ao deitar? A oração nos protege sempre, e é ajuda preciosa nas dificuldades e perigos deste mundo. Procure sempre ser bom para merecer o amparo dos Amigos Espirituais.

— É verdade, mamãe. Procurarei ser um menino diferente de hoje em diante, eu prometo.

E completou com um suspiro aliviado:

— Bendita catapora!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

O Cavalinho de Pau

Como toda criança, Antônio tinha seus sonhos. Desejava muito ter um cavalinho de pau para brincar de viajar, de mocinho e bandido, de fazendeiro.

Sua família, contudo, era muito pobre e seu pai não tinha recursos para comprar-lhe o brinquedo tão almejado. E Toninho, sabendo disso e sendo um menino muito compreensivo, não pedia nada. Sonhava apenas.

À noite, antes de dormir, sempre dava rédeas à imaginação e fazia de conta que estava cavalgando um lindo cavalo de madeira.

No dia do seu aniversário, quando fez oito anos, o pai lhe trouxe de presente uma pequena bola de borracha. Não era o cavalinho de pau com que ele sonhava tanto, mas era uma linda bola colorida e ele ficou feliz, porque sabia quanto representava para o pai aquele sacrifício.

Certo dia, brincando com a bola nova na rua, Toninho viu um garotinho que olhava fixamente para a bola colorida.

Cheio de compaixão, pois tinha um coração muito bom, Toninho aproximou-se do menino de bola na mão. Os olhos do pequeno estavam brilhantes quando ele disse:

— Que linda bola! Sempre sonhei ter uma igual a essa.

Levado por um impulso generoso, Toninho estendeu-lhe as mãos, dizendo:

— É sua. Pode levar.

O menino estava surpreso.

— Você está me dando a sua linda bola?! — indagou, ainda não acreditando em tamanha felicidade.

Como Toninho confirmasse, ele agradeceu e, agarrando a bola com as duas mãos, virou-se e saiu correndo e gritando de alegria.

Toninho sorriu também, contente. Por que não satisfazer o desejo do garoto? Afinal, ele bem que sabia o que era desejar uma coisa e não poder ter.

Quando o pai chegou do trabalho de tardezinha, ele contou o que fizera.

— Fez muito bem, meu filho, não devemos ser egoístas. Mas, não sentirá falta da sua bola?

— Não, meu pai, brincarei com outras coisas. E depois, Jesus não ensinou que deveríamos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que os outros nos fizessem? Assim, se eu estivesse no lugar daquele menino eu gostaria de ganhar a bola, por isso resolvi dá-la a ele. Então, estou feliz!

O pai fitou o filho com admiração e falou, emocionado:

— Jesus deve estar muito contente com você, meu filho, e o recompensará por isso, pode ter certeza.

Dois dias depois, voltando para casa após as aulas, Toninho entrou no seu quarto para guardar o material e trocar de roupa, quando teve uma grande surpresa.

Bem no meio do aposento, entre outros brinquedos, estava o mais lindo cavalo de madeira que Toninho jamais vira!

Cheio de espanto, aproximou-se dele acariciando-o ternamente, temendo vê-lo desaparecer.

O pai entrava no quarto neste momento e ele virou-se, indagando com o olhar ansioso o que significava “aquilo”.

— Minha patroa mandou-lhe estes brinquedos. Eram do filho dela, mas ele está muito crescido e não brinca mais. Então, resolveu dá-los a você. Gosta?

— Se gosto? É a coisa mais linda que já vi na minha vida, papai! — disse Toninho, abraçando o cavalinho pelo pescoço e beijando a crina de barbante.

Depois se levantou e, limpando as lágrimas com as costas das mãos, afirmou:

— Acho que Jesus deve ter realmente ficado contente comigo, papai, para mandar-me este presente!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

domingo, 15 de agosto de 2021

O Susto

Rafael era um menino muito arteiro. Desses que não param um minuto.

Desde pequeno dava muito trabalho aos pais, que viviam tendo de protegê-lo a todo instante.

Assim mesmo, com todos os cuidados, Rafael completara oito anos e já tinha quebrado a perna duas vezes, trincado o osso do braço, cortara duas vezes a cabeça levando vários pontos. Isso sem contar as quedas, os arranhões, os galos e os sustos.

Ufa! Cuidar de Rafael não era tarefa fácil!

Sempre tinha alguém gritando:

— Cuidado, Rafael!

A mãezinha recomendava-lhe com carinho:

— Meu filho, não corra tanto!

— Olhe o buraco!

— Não atravesse a rua! Olhe o sinal fechado!

Mas, qual! Rafael, sempre apressado, não dava atenção.

Um dia, voltando da escola, Rafael viu um amigo do outro lado da rua e não deu outra. Correu para encontrá-lo. A mãe, que caminhava a seu lado, não conseguiu detê-lo. Só conseguiu gritar:

— Não, Rafael!... Olhe o carro!

Porém, não deu tempo. O veículo não conseguiu frear a tempo. O motorista, assustado ao ver que o garoto atravessava a rua correndo, ainda desviou o carro, jogando Rafael ao chão.

Foi aquela correria. Alguém chamou a ambulância, que levou o menino para o hospital.

Rafael permanecia desacordado. Batera a cabeça no asfalto e estava inconsciente.

Felizmente, não aconteceu nada de grave.

Enquanto isso, Rafael percebeu que estava num lugar diferente. Olhou em torno e achou tudo bonito.

Nesse momento aproximou-se um rapaz todo reluzente. Sério, olhou para Rafael e disse:

— Por pouco você não conseguiu retornar mais cedo.

— Eu? Retornar para onde?

— Para o mundo espiritual! Não é isso o que tem tentado sempre? — perguntou o moço.

O menino respondeu, apavorado:

— Não!... Não quero deixar minha família, a escola, meus amigos, meu corpo!

Sereno, o rapaz considerou:

— Então, tenha mais cuidado, Rafael. Cuide bem do seu corpo, proteja-o de perigos. Ele é um grande amigo que você tem e também seu maior tesouro nesta vida. Evite retornar mais cedo porque a responsabilidade será sua.

Nesse momento, Rafael acordou no hospital.

Logo viu as fisionomias preocupadas do pai e da mãe. Felizes por vê-lo acordado, eles choravam.

— Não chorem! — disse ele. — Prometo-lhes que, daqui por diante, terei mais cuidado.

E contou aos pais a conversa que tivera com o moço luminoso, e eles entenderam o que tinha acontecido com Rafael enquanto estava desacordado.

Era a resposta do Senhor às suas preces. Juntos, elevaram os pensamentos em oração, agradecendo a Deus.

A partir desse dia, Rafael transformou-se num outro menino.

Continuava a ser criança, brincava, jogava bola e se divertia como qualquer outro garoto da sua idade, porém agora tinha mais cuidado e respeito pelo seu corpo e pela sua vida.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

domingo, 1 de agosto de 2021

A Lição da Formiga

Na escola de Otávio organizava-se uma festa e os alunos, animados, ultimavam os preparativos. Alguns penduravam enormes cordões de bandeirinhas coloridas, outros faziam cartazes, outros varriam o chão, outros ainda limpavam as mesas e cadeiras.

Na cozinha, preparavam-se bolos e tortas, doces e salgados, para serem servidos durante a festa.

Trabalhavam com amor, enquanto conversavam e se divertiam.

Otávio era o único que não quisera colaborar em nada.

A professora, atenta e dedicada, solicitou-lhe várias vezes que ajudasse nesse ou naquele setor de serviço, mas ele recusava-se terminantemente a auxiliar no esforço de todos.

Certo momento, a professora ordenou-lhe, severa:

— Já que você se recusa a colaborar na organização de nossa festa, a exemplo dos demais, terá uma outra tarefa: deverá entregar-me amanhã, sem falta, uma redação sobre o tema: A Vida das Formigas.

— Mas professora, isso não é justo! — reclamou o garoto. — Só eu tenho que fazer esse trabalho?

— Engano seu, Otávio. Não é justo é você estar sem fazer nada enquanto seus colegas trabalham e se esforçam a benefício de todos.

Fez uma pausa e, vendo a indecisão de Otávio, completou:

— Pode começar já, caso contrário não conseguirá terminar até amanhã.

— Mas, como fazer isso? Não sei por onde começar! — retrucou o garoto.

— É simples. Observe as formigas no jardim!

Muito embaraçado, Otávio encaminhou-se para o jardim da escola. Suspirando, sentou-se no chão e pensou: Bolas! Onde é que vou encontrar formigas?

Nisso, viu uma formiguinha que passou apressada entre seus pés. Seguiu-a com o olhar e logo em seguida reparou em duas outras que seguiam apressadas, no mesmo sentido.

Curioso, levantou-se e acompanhou-as. Um pouco adiante, viu uma formiga que voltava carregando um pedaço de pão que, não obstante pequeno, era muitas vezes maior do que ela.

Sorriu, divertido, e, ao mesmo tempo, admirado: — Aonde será que ela vai levar aquele pedacinho de pão duro? — pensou.

Olhou em volta e, um pouco à frente, viu um grande pedaço de sanduíche que alguém jogara. Em torno dele, dezenas de formigas trabalhavam diligentes. Algumas cortavam em pedaços menores e outras os transportavam.

Quando o pedaço era ainda muito pesado para suas pequenas forças, uniam os esforços e carregavam juntas.

Seguindo o trajeto que faziam, Otávio percebeu que entravam num formigueiro, deixavam a carga e retornavam ao trabalho.

— Que interessante! — murmurou Otávio, impressionado com a cooperação e a união existente entre as pequenas operárias. — São tão pequenas e tão unidas e trabalhadeiras!

Nesse momento, lembrou-se da festa da escola e que só ele não estava colaborando. Levantou-se, envergonhado, procurou a professora pedindo que lhe desse uma tarefa.

Sorridente, a mestra perguntou:

— Muito bom! Mas o que fez você mudar de ideia, Otávio?

— As formigas que a senhora mandou que eu pesquisasse. Vivem unidas num sistema de cooperação fraterna e amiga. Se elas podem trabalhar, eu também posso.

Parou de falar, fitando a professora e disse:

— Só que, ajudando na festa, não terei muito tempo para preparar a redação. Preciso mesmo entregar amanhã cedo?

A mestra sorriu, satisfeita, e, colocando a mão sobre a cabeça do menino falou, com carinho:

— Não, Otávio. Não há necessidade de fazer a redação. Você já aprendeu sua lição

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

A Força do Sol

Carlinhos, menino bom e prestativo, gostava de ajudar as pessoas.

Uma coisa, porém, Carlinhos não suportava: ver gente discutindo ou brigando.

Logo ficava nervoso e entrava no meio da discussão, querendo apartar a briga. Isso acontecia em qualquer lugar em que estivesse: em sua casa, na escola ou na rua.

Em casa, quando seus pais começavam a discutir por problemas domésticos, Carlinhos colocava-se no meio deles, querendo resolver a parada.

Na escola, muitas vezes seus colegas se desentendiam jogando futebol ou por qualquer outro motivo, e partiam para a briga aos empurrões, socos e pontapés. Carlinhos corria tentando separá-los e acabava no meio da briga.

Chegava em casa desanimado, cansado, todo sujo e, não raro, machucado.

A mãe, que o conhecia bem, já sabia o que tinha acontecido, e aconselhava-o com amor:

— Meu filho, não faça mais isso. Qualquer dia você pode se machucar seriamente tentando apartar uma briga. Tenha mais cuidado! Chame um adulto, o professor responsável pela turma.

Mas qual! Carlinhos prometia não interferir mais em discussões, porém quando uma briga começava, lá estava ele de novo no meio.

Certo dia, em que ele tinha chegado com um olho vermelho e a testa sangrando, a mãe aflita perguntou-lhe:

— O que aconteceu desta vez, meu filho? Veja seu estado! Você está todo sujo, o uniforme rasgado, e está machucado! Andou brigando de novo?

— Claro que não, mamãe! Ao contrário. Tentava separar dois amigos meus que se desentenderam jogando bola.

A mãe o envolveu num abraço e disse, com amor:

— Depois conversaremos. Agora vá tomar um banho.

Quando o menino saiu do banho, já com aspecto melhor, ela fez um curativo na testa dele e chamou-o para almoçar.

O pai, que chegara naquele momento, olhou para o filho, sério, respirou fundo e ia ralhar com ele, mas resolveu manter-se calado.

Os dois irmãos menores olhavam para Carlinhos e riam. Todos sabiam o que tinha acontecido. Não era a primeira vez que ele chegava machucado em casa.

— Parem de rir, vocês dois. Isso não é brincadeira. Carlinhos, meu filho, almoce e depois farei uma compressa em seu olho para evitar que fique roxo.

Após a refeição, enquanto colocava a compressa sobre o olho de Carlinhos, a mãe conversava com ele dizendo:

— Mantenha distância quando perceber que uma briga está prestes a começar, meu filho.

— Mas, mamãe! Quero evitar que meus amigos briguem! Não suporto vê-los de cara virada um com o outro, com raiva.

— Eu sei que sua intenção é boa, Carlinhos. Para fazer isso, porém, é preciso manter certa distância da briga e, especialmente, agir com tranquilidade, delicadeza, equilíbrio e muito amor.

— Como assim, mamãe? O que é equilíbrio?

— É quando nos mantemos controlados e imparciais no meio de uma situação, isto é, sem pender para um lado ou para o outro, guardando os melhores sentimentos. Entendeu?

— Mais ou menos.

A mãe procurou em torno algo que pudesse servir-lhe de exemplo. De repente, olhou pela janela e viu o sol brilhando lá fora.

Levou o garoto até o jardim e perguntou:

— Carlinhos, sem contar Deus, que é nosso Pai e Criador do Universo, o que existe de maior e mais poderoso neste mundo em que vivemos?

O menino pensou um pouco e depois respondeu, olhando para o alto:

— O Sol, mamãe. Estudei na escola que o Sol é uma estrela muitas vezes maior que o nosso planeta Terra. Ele nos dá luz, calor e condições de viver. A professora explicou que o Criador fez tudo tão bem feito que, se o Sol estivesse um pouco mais distante da Terra, morreríamos congelados por falta de calor; se estivesse um pouco mais próximo, morreríamos queimados!

— Isso mesmo, Carlinhos. E não só nós, seres humanos, mas todos os seres viventes, animais e plantas. Então o Sol é poderoso e está bem distante da Terra, não é? No entanto, indispensável à vida, seus raios chegam até nós com delicadeza, sem nos machucar ou ferir; penetram os lugares mais escondidos e profundos, com suavidade, levando luz e calor.

O garoto pensou um pouco e disse:

— Entendi aonde quer chegar, mamãe. Quer dizer que para ajudar não precisamos entrar na briga, não é?

— Exatamente, meu filho. Veja! Você tem apenas oito anos, mas é bem maior que os garotos da sua idade. Então, o que acontece? Se os meninos forem menores, você pode machucá-los com sua força. Se forem maiores, você acaba machucado.

— É verdade, mamãe. Então, o que posso fazer?

— Na hora do perigo, pense em Deus pedindo que a paz e o entendimento se estabeleçam. Depois, se puder ajudar, faça-o, mas sem entrar na briga.

A partir desse dia, ao ver os garotos discutindo, Carlinhos fazia uma rápida oração e depois dizia sereno:

— Calma, pessoal. Vamos tentar resolver esse problema em paz, está bem? O que está acontecendo? Posso ajudar?

Ouvindo-lhe a voz tranquila, os amigos paravam de discutir, acalmavam-se os ânimos, e logo estavam brincando de novo, felizes por estarem juntos e em paz.

Não há o que não se possa resolver, quando existem boa vontade e paz no coração.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O Sonho de André

André era um menino de 5 anos, simpático, falante, educado, morava com a sua família, tinha muitos amigos e também tinha um amiguinho inseparável: um cãozinho chamado Toby. Enfim, André se julgava uma pessoa muito FELIZ.

Numa tarde quente André brincava com Toby no quintal de sua casa. André jogava a bolinha e Toby corria para pegar e trazia de volta. Brincaram até se cansarem. André chamou Toby para tomar água e descansarem um pouquinho na sombra de uma laranjeira. O cãozinho muito FELIZ recostou a cabeça no braço do amigo e ambos adormeceram. Que soneca boa.

André sonhou que Toby não conseguira alcançar a bolinha que havia caído em meio a um arbusto e então foi buscar. Enquanto abria os galhos avistou algo interessante: parecia um túnel que se abria em meio à folhagem. Muito curioso, foi andando por aquele túnel que, a cada instante, parecia mais e mais luminoso. Então escutou vozes e risadas de criança quando está FELIZ. Surpreso, ficou observando de longe. Havia um grupo de crianças brincando de esconde-esconde, outro brincando de roda, outro lendo história e, tinha até um grupinho, muito FELIZ, pulando amarelinha. Chamou a atenção de André o fato de não haver, ali, vídeo game, televisão ou computador. E mesmo assim a criançada brincava FELIZ.

Em alguns minutos uma moça se aproximou das crianças pedindo para todos sentarem e fazerem um exercício de respiração (inspirando e expirando, lentamente, por 5 vezes). Fizeram uma pequena, mas profunda, prece e Olívia (este era o nome daquela moça) falou que iriam receber a visita de um amigo muito, muito, mas muito especial. E como o visitante gostava muito de crianças, Ele estava se sentindo muito FELIZ. Olívia pediu que todos fechassem seus olhinhos por alguns segundos. Quando abriram, que surpresa. Quem eles viram? Nada mais nada menos que um amigo que mora no coração de cada um: (alguém sabe que amigo é esse?) isso mesmo, Jesus.

André não se conteve aproximou-se daquela turma, perguntando: - Que lugar é esse? – Eu estou no céu? E Olívia então explicou: - Aqui não é o céu não. Nós estamos em uma aula de Evangelização, onde aprendemos sobre a importância de Jesus em nossas vidas e muitos outros assuntos interessantes.

Nesse instante o garoto acordou com Toby lambendo seu rosto. Correu para contar o sonho à sua mãe. A mãe, também, sem entender direito aquele sonho, convidou André para irem até o Grupo Espírita Seara do Mestre para obterem algumas informações sobre a Evangelização. Chegando, encontraram uma moça que era evangelizadora, e ela então explicou que André também poderia “ver” Jesus. Não com os olhos físicos, mas com os olhos da alma, que é a mesma coisa que tê-Lo dentro do coração toda vez que André se sentir ou fizer alguém se sentir FELIZ.

André começou a participar das aulas de evangelização espírita e gostou muito. Algum tempo depois, a mãe perguntou a André o que ele estava achando das aulas. E ele prontamente respondeu:

- Legal mamãe! Agora consegui entender o que significa ter Jesus no coração e como isso me torna uma pessoa ainda mais FELIZ!


Cleusa Lupatini

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de junho de 2021

Oferecer a Outra Face

- Amanhã ele me paga! Não vai ficar assim! Que idiota eu sou! Por que não bati nele?

Júnior chegou gritando em casa, furioso. Certo de que a vingança era a melhor solução, começou a planejar o que faria no dia seguinte... Afinal, achava que as coisas não podiam ficar assim...

Seu pai, que havia percebido o desequilíbrio do garoto, puxou assunto, perguntando o que havia acontecido na escola.

Junior contou, então, que tinha sido agredido por Daniel, durante um jogo.

O pai deixou o garoto desabafar, falando sobre humilhação, orgulho ferido e vontade de pagar na mesma moeda.

- Você já pensou que se der o troco, Daniel pode se sentir injustiçado, e entender que a sua reação foi exagerada, e querer vingança? Violência gera violência, meu filho.

Sem entender, Júnior perguntou:

- Como assim? Estou no meu direito de devolver o que ele me fez!

- Só porque alguns acham que violência é o caminho, não significa que essa seja a melhor atitude. Perante uma ofensa, três condutas são possíveis: reagir com mais violência, fugir ou oferecer a outra face.

- Mas, se eu não der o troco, vou passar por covarde...

- Será? Quem pensa assim não sabe que revidar é continuar a briga. O que você ganha com isso? Mais ódio. Muitas brigas são motivadas por pouca coisa, ou por coisas sem sentido, mas que crescem com o calor da discussão. Lembra do ditado: Olho por olho...? Assim todo mundo acabará cego!

Júnior conhecia o ditado, e achava correto devolver na mesma moeda. Mas a conversa estava fazendo com que ele percebesse a situação de uma maneira diferente.

- Fugir também não é a solução ideal, continuou o pai, porque transfere o ódio para uma situação futura. Muitos acham que violência é apenas socos e o uso de armas, mas a violência abrange muito mais: palavras e gestos podem ser violentos, e também os palavrões, que são lixo puro, jogado da boca de quem fala.

Isso Junior já sabia. Há muito tempo que ele não dizia palavrão. E não gostava que falassem desse jeito perto dele. Ele queria agora saber sobre “oferecer a outra face”:

- Deixar ele bater nos dois lados da minha cara? E ficar imóvel? Nem pensar!

- Não, não é nada disso. Oferecer a outra face é mostrar que as coisas podem ser resolvidas de uma maneira diferente: respeitar a opinião do outro, entender seus valores, compreender suas ações, perdoar a atitude desequilibrada. Quem sabe o Daniel não teve realmente a intenção de te humilhar, e tudo não passou de um mal-entendido?

Aos poucos Júnior foi entendendo que a violência do mundo nasce na intimidade de cada um e que cada indivíduo é responsável por suas ações de violência ou de paz. O pai explicou, ainda, que o oposto da violência é a mansuetude. E que para ser manso, é necessário aprender a agir, ao invés de reagir, através de atitudes de paz, compreensão e tranquilidade. Júnior achou difícil, mas prometeu a si mesmo que iria conversar com Daniel sobre o ocorrido, oferecendo, assim, a outra face, a face do entendimento e da amizade.


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de junho de 2021

Noite do Pijama

Pedro e João eram amigões da escola! Eles adoravam brincar juntos, jogar bola, correr, colorir desenhos e conversar. Um dia Pedro convidou João para dormir na sua casa depois da aula, pois ele iria fazer uma noite do pijama.

João achou a ideia do amigo fantástica e pensou: - Nossa!! Como a família do Pedro é legal! Deixam ele fazer noite do pijama em casa!

Embora nunca tivesse participado de uma noite assim, João chegou em casa muito empolgado depois da aula e perguntou aos seus pais se poderia ir dormir na casa do colega no dia seguinte. Como foi autorizado, correu arrumar sua mochila e, feliz que estava com a novidade, ficou fazendo muitos planos.

Chegou o momento de ir pra casa do amiguinho. A mãe de Pedro levou os meninos pra casa depois da aula e, sem demora, os dois foram brincar no quintal, onde se divertiram muito.

Depois jogaram bola, brincaram de se esconder e a todo o momento João pensava que a casa de Pedro era muito mais divertida que a sua, os brinquedos do colega pareciam muito mais legais do que os seus! Achou até que os pais do amigo eram mais bonzinhos que os seus:

- Acho que eu vou querer ficar aqui nessa casa pra sempre! - pensou.

Após muito se divertirem, tomaram banho, jantaram e chegou a hora de ir pra cama.

O papai de Pedro montou um acampamento no quarto para os meninos dormirem. Logo que deitaram, Pedro pegou no sono, estava cansado. João achou estranho deitar sem a mamãe lhe dar um beijo de boa noite e fazer uma prece com ele. Também sentiu falta de ouvir uma historinha, o que sempre acontecia na sua casa. Logo começou a se revirar no colchão, e sem conseguir pegar no sono, ficou lembrando de sua caminha, de sua maninha Gabi, que às vezes lhe incomodava nas brincadeiras, mas agora lhe fazia falta! Estava com saudade da sua casa e sua família!

João começou a chorar baixinho. Passou um tempo, e a mamãe de Pedro o ouviu e veio até o quarto.

- O que houve querido? Por que está chorando? - perguntou a mãe de Pedro.

- É que eu achei que aqui era a melhor casa do mundo, mas agora eu vi que eu gosto mais da minha casa e não estou conseguindo dormir aqui!

Então a mãe de Pedro explicou amorosamente para o menino:

- Claro João, você tem razão, o melhor lugar pra gente estar é na nossa casa com a nossa família. A família que Deus nos deu de presente! Você só vai ficar uma noite aqui e amanhã voltará pra sua casa. Eu ficarei aqui até você pegar no sono, não se preocupe! É normal estranhar quando estamos longe de casa.

João ficou mais aliviado e confiante. Logo conseguiu dormir, pensando que aprendeu a importante lição de que nenhuma casa ou família é melhor ou pior que a outra, elas são apenas diferentes!

Carina Fiorim Comerlato

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sábado, 15 de maio de 2021

O Cavalinho Rebelde

Em certo sítio muito agradável, em meio a uma linda pastagem, vivia um cavalinho que era o orgulho de todos.

Nascera ali naquelas paragens e os outros animais o amavam como se fosse o filho de cada um deles.

Ele nasceu forte e sadio. Deram-lhe o nome de Formoso.

Era realmente um prazer vê-lo a correr pelos campos, galopar na pradaria, a brincar com outros animais. Mas Formoso, por ter a atenção e o carinho de todos, cresceu convencido e orgulhoso. Nada era bastante bom para ele. Queria sempre o melhor para si e acreditava que tinha mesmo o direito à atenção geral.

Quando se tornou um jovem cavalo, de pelo brilhante e sedoso, pernas ágeis e fortes, seu dono resolveu que ele seria um corredor. Afinal, Formoso era rápido como uma flecha e, sem dúvida, o cavalo mais rápido da região. Seria treinado para participar das corridas de cavalos e, com certeza, teria dias de glória no hipódromo.

Formoso torceu o nariz. Recusou-se a participar do treinamento julgando-se superior a essa tarefa.

– Eu não! – afirmava ele – Cansar-me correndo para divertimento do povo? De jeito nenhum! Não vou.

O patrão, decepcionado, julgou que talvez tivesse errado em seus cálculos. Provavelmente Formoso não tinha tendência para as corridas. Quem sabe sentir-se-ia melhor no próprio lar? Deixaria Formoso para uso de sua esposa. Ela gostava de cavalgar e ficaria feliz com o presente.

Formoso recusou-se. Quando a mulher montou em seu dorso ele mostrou seu desagrado corcoveando. Para não cair, ela desmontou e nunca mais quis saber dele.

Ainda tentando desculpá-lo e justificar suas atitudes, pois o amava, o dono pensou:

– Quem sabe minha esposa é muito pesada para Formoso? Talvez, se o meu filho montasse, sua reação seria diferente!

Qual nada! O garoto montou, sob a assistência amorosa do pai, e logo teve que descer porque Formoso reagiu dando coices e pinotes.

E assim, sucessivamente, o dono de Formoso tentou de tudo para arrumar uma tarefa para ele. Tentou colocá-lo puxando uma charrete leve e o arado, sem resultado. Esbarrava sempre na sua má vontade.

Afinal, o tempo foi passando e, vendo que não conseguia localizá-lo em nenhum setor de serviço, pois Formoso gostava mesmo era de correr pelos campos, alimentar-se muito bem e beber água fresca, o homem perdeu a paciência e resolveu vendê-lo, embora com muita dor no coração.

Qual não foi sua surpresa ao encontrar certo dia, algum tempo depois, numa pequena e poeirenta estrada, o Formoso, o seu lindo cavalo Formoso, que possuíra de tudo, que poderia ter sido um campeão nas corridas, animal de estimação e montaria para sua família, que o tratava com imenso amor, agora irreconhecível, sujo e maltratado, com a cabeça baixa, humilhado, puxando com grande dificuldade uma pesada carroça.

Foram-lhe dadas muitas oportunidades que Formoso não soubera aproveitar. Agora, teria que aprender o valor do trabalho sob condições bem mais difíceis e árduas, para que pudesse valorizar as bênçãos que o Senhor colocara em sua vida.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sábado, 1 de maio de 2021

Prêmio ao Trabalho

Certa vez uma Anjo de rutilante beleza desceu à Terra.

Estava à procura de uma criança que pudesse servir de ligação entre a Terra e o Céu, e que tivesse desenvolvido sentimentos nobres, boa-vontade e o amor ao próximo.

Como recompensa, essa criança teria a ventura de fazer uma visita a planos superiores, com a finalidade de aprendizado e recreação, durante as horas consagradas ao repouso noturno.

Passando por certa cidade, o Anjo viu um garoto que parecia simpático. Aproximou-se e convidou-o a ajudar uma família muito necessitada das redondezas. O menino respondeu:

— Agora não posso! Preciso destruir um ninho de pardais que andam estragando as frutas do nosso pomar. Talvez mais tarde...

E, assim dizendo, apanhou o estilingue e afastou-se.

O Anjo baixou a cabeça muito triste ao ver a MALDADE do garoto, e foi embora.

Mais adiante encontrou uma menina e aproximou-se, esperançoso, convidando-a para ajudar os necessitados. Ela pensou um pouco e respondeu, pesarosa:

— Agora não posso. É minha hora de brincar e meus amigos estão esperando. Mais tarde, talvez...

O Anjo sorriu de leve ao perceber o EGOÍSMO da criança e afastou-se, triste.

Mais tarde, o Anjo encontrou um garoto e abordou-o, otimista. O menino, que parecia não ter problema nenhum, morava numa bela casa e estava desocupado, respondeu imediatamente:

— Ah! Não sei não. Tem certeza de que são necessitados mesmo? Veja aquele moleque de rua que está no meu portão. É um malandro e procura apenas uma maneira de se aproximar de minha casa para roubar. Essa “gentinha” não me engana. Fora! Fora! Vadio! Vá trabalhar!

Ao ouvir as palavras cruéis e cheias de ORGULHO do garoto, o Anjo afastou-se sem dizer nada.

E assim, prosseguiu em sua busca sem encontrar a criança que apresentasse os requisitos necessários, isto é, boa-vontade e amor ao próximo.

Estava quase desistindo, quando viu um garoto maltrapilho. Aproximou-se e fez-lhe o mesmo convite, embora sem muita esperança, pois o menino aparentava ser bem pobre.

Os olhos do menino brilharam ao ouvir o convite do Anjo e respondeu, incontinenti:

— Ah, vou sim! O senhor pode me aguardar só um pouquinho? Estou voltando do mercado onde fui fazer umas compras para o almoço. Moro aqui perto. Vamos até em casa?

O Anjo o acompanhou mais animado, notando-lhe a boa-vontade. Lá chegando, verificou a extrema pobreza em que sua família vivia.

Já na entrada, o menino conversou amigavelmente com os passarinhos e galinhas que vieram encontrá-lo.

— Ah, meus amigos! Pensam que me esqueci de vocês? Aqui está o que lhes trouxe — e, assim dizendo, tirou do bolso da calça um pedaço de pão duro que ganhara e distribuiu com as aves famintas.

Em seguida, entrou em casa.

— Mamãe! — disse o menino. — Vou sair para visitar umas pessoas necessitadas. Posso levar-lhes alguma coisa? Devem estar passando fome. Sei que temos pouco, mas eu não preciso de nada, por isso levarei a parte que me cabe. Não se preocupe com o serviço; arrumarei a cozinha quando voltar. Está bem?

Ao ouvir as palavras do menino, o Anjo compreendeu que encontrara o que tanto tinha procurado.

Foi com os olhos úmidos de emoção que acompanhou o garoto até o lar que precisava de ajuda.

Com carinho, o menino atendeu a todos: Tratou de um doente, deu banho no caçula da casa e ajudou a senhora no serviço doméstico. Quando terminou estava cansado, mas feliz.

Disse à dona da casa:

— Não se preocupe. Vou tentar arrumar serviço para seu marido. Dou uma ajuda de vez em quando numa casa muito rica e tenho certeza que o dono, que é um homem muito bom, poderá arranjar alguma ocupação para ele.

Fez uma pausa e concluiu:

— Tenha muita confiança em Deus! Ele não nos desampara nunca.

A pobre mulher, mais animada, agradeceu sensibilizada a ajuda que recebera, e o garoto despediu-se, prometendo voltar assim que pudesse.

O Anjo, profundamente emocionado, ao deixarem a casa disse ao menino:

— Parabéns! Você merece um prêmio pela sua BOA-VONTADE e AMOR AO PRÓXIMO. Receberá, de hoje em diante, toda a ajuda que lhe for necessária para o prosseguimento de sua tarefa de ajuda ao semelhante, porque Deus precisa do concurso de todas as pessoas de bem para a implantação do seu Reino de Amor na face da Terra.

Naquela noite o garoto teve lindos sonhos, sendo levado para regiões mais felizes do Plano Espiritual onde receberia instruções para trabalhar, acordando no dia seguinte com ânimo renovado para enfrentar a vida.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.
 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

O Crente Desapontado

Havia um homem que possuía uma pequena área de terra, mas de solo fértil e dadivoso.

Dono de profunda e invejável fé, o nosso homem não se cansava de louvar a Deus por toda a criação e pelas dádivas da natureza, sempre tão pródiga.

O terreno vizinho era habitado por um homem muito pobre, mas muito trabalhador. Ele nada possuía, mas trabalhava tanto que nem sequer tinha tempo de pensar em Deus. Acreditava no seu esforço pessoal e em tudo aquilo que seus braços podiam realizar.

E, assim pensando, desde o alvorecer até o poente, lá estava ele, arroteando o terreno, adubando, plantando e arrancando as ervas daninhas que se misturavam à boa semente.

O outro criticava-o pela falta de religião e dizia-lhe:

– Não sei como pode deixar de louvar a Deus! Veja a beleza do céu com seus astros, a pujança da natureza que nos concede suas dádivas! Agradeço a Deus todos os dias e peço a Ele que me ajude porque sei que não deixará de ouvir minhas preces.

O incrédulo sorria, concordava com a cabeça e pedia licença, retirando-se:

– Agora não tenho tempo. O sol já está se pondo e preciso regar minha horta e dar milho para as galinhas.

E o crente ali ficava, condoído da falta de fé do vizinho e sentado sob uma árvore, a contemplar as primeiras estrelas que já começavam a surgir, embevecido ante a majestosa obra do Criador.

O tempo foi passando e a propriedade do crente foi mudando de aspecto.

Onde antes existira uma plantação viçosa, agora o mato tomava conta, sufocando as poucas sementes que teimavam por nascer. A cerca estava toda quebrada e a horta destruída pelas galinhas que penetravam pelos buracos, e pelos passarinhos que, não encontrando oposição, comeram as plantas existentes.

No pomar, sem cuidados, as frutas amadureceram nos pés e, sem ninguém que as colhesse, apodreceram caindo ao chão, servindo de repasto para os vermes e insetos.

Enfim, o aspecto era de abandono e desolação. A sujeira tomava conta de tudo.

No terreno ao lado, porém, tudo era diferente. As plantas, bem cuidadas, faziam a alegria do seu dono. As hortaliças e legumes produziam bastante, propiciando farta alimentação, além da venda no mercado do excedente da produção.

As frutas colhidas e armazenadas deram-lhe bom lucro e, com a renda, aumentou o rancho, fez uma pintura bem bonita e ainda comprou algumas vacas.

O crente, sem entender o que acontecera, inquiriu o incrédulo:

– Não sei por que minha propriedade está indo tão mal, enquanto a sua, que era um terreno ruim e cheio de pedras, está tão bonita. Não entendo! Sou fervoroso crente em Deus. Jamais deixei de cumprir minhas obrigações religiosas e sempre tenho suplicado a ajuda do nosso Mestre Jesus.

Fazendo uma pausa, perguntou, algo desapontado:

– Será que Ele me esqueceu?

Ao que o incrédulo respondeu:

– Louvar a Deus no íntimo do coração é muito importante, mas creio que “Ele” não desprezou o trabalho. Disseste que minha terra era ruim e cheia de pedras, mas o que sei é que trabalhei muito. Para o solo, usei como adubo a estrumeira dos teus animais que jogavas em meu terreno por sobre a cerca, tornando-o mais fértil e melhorando a produção. Com as pedras que retirei do solo, fiz uma cerca mais forte e resistente ao assédio dos animais.

Fez uma pausa e prosseguiu:

– Não tenho muito tempo para dedicar-me a Deus, mas creio que esqueceste uma lição muito importante que foi deixada há muito tempo atrás por Jesus de Nazaré, que dizes amar.

– Qual é? – perguntou o crente fervoroso.

– Ajuda-te a ti mesmo que o céu te ajudará!

Envergonhado, o crente baixou a cabeça, reconhecendo que o outro tinha razão e que ele, que se julgara tão superior ao vizinho, aprendia com ele uma lição de vida, extraordinária.

Entendeu então que é muito importante ter fé em Deus, mas isto não basta. É preciso transformar em obras as lições recebidas. O Evangelho de Jesus, que ele prezava tanto, estava apenas em seu cérebro, não em seu coração.

Fora preciso alguém, que nem sequer tinha tempo de louvar a Deus, abrir-lhe os olhos e lembrar a lição inesquecível do Mestre de Nazaré:

– Ajuda-te a ti mesmo que o céu te ajudará!

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

As Visitas da Mamãe

Hoje acordei muito cedo. Estou de férias no colégio, mas minha mãe fez questão de me acordar para sairmos juntas. Não vamos ao clube, não vamos ao shopping, nem passear. Ela tem um hábito, já há muito tempo, de visitar as famílias que moram em bairros mais carentes onde, alguns, nem casa têm.

Para mim, no início, parecia estranho essas visitas, mas agora eu me acostumei e até gosto. Fiz amizade com crianças que nunca tinham tido brinquedos, que quase sempre usam a mesma roupa porque não tem outra, que ficam contentes em ganhar biscoitos que eu já estou enjoada de comer. Aprendi com elas que para ser feliz não é necessário muita coisa.

Observei que mamãe não coloca suas roupas mais enfeitadas para estas visitas e entendi, depois de algum tempo, que era para não humilhar as outras mães que não podiam se vestir como ela, assim elas ficam mais próximas umas das outras.

Nossa primeira visita foi em uma família que eu adoro. Quando chegamos à porta da casa muito pobre todos nos receberam com enorme alegria. As crianças cercaram e abraçaram mamãe com muito amor. A senhora dona da casa, mesmo preocupada com o esposo que estava acamado no hospital, recebeu-nos com muito afeto e gratidão. Levamos roupas, comida e um pouco de dinheiro, pois sem o esposo, a família não tem condições de se manter.

Eu queria dar alguma coisa para eles também, mas minha mãe explicou que qualquer coisa que eu desse não seria minha, então eu não teria nenhum merecimento. Se eu quisesse dar algo de mim, que eu tratasse dos doentes, cuidasse das crianças, auxiliasse em alguma tarefa naquele lar – isso seria a minha caridade. Poderia também aprender a costurar e fazer alguma roupa para aquelas crianças. Eu entendi que a caridade só pode ser feita quando damos aquilo que é nosso, seja algo material, o tempo ou o próprio esforço.

Mamãe prometeu às crianças que visitaria o pai delas no hospital, levando conforto e tranquilidade. Quando saímos desse lar, fomos a outros, ajudando naquilo que cada um mais precisava.

Já no fim da tarde, cansadas de tantas visitas, mas com o coração leve e extremamente alegre, chegamos em casa com a sensação de ter 'ganho o dia'. Algo que sempre me chamou atenção é que ninguém, além de mim, sabe dessas visitas da mamãe. Ela diz que, para fazer o bem, não se deve ter nenhum outro interesse se não o de ajudar.

O que eu sei é que minha mãe é uma pessoa especial porque está sempre feliz, de bem com a vida e nunca se queixa de nada – acho que isso tem a ver também com as preces que todos prometeram fazer por ela.

Baseado em Os infortúnios ocultos de O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XIII, item 4.


Luis Roberto Scholl

Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 15 de março de 2021

O Amor Transforma

Em uma cidade pequena, mas populosa, cheia de enormes prédios, com muito fluxo de carros, caminhões, motos circulando, com constante e intenso barulhos de buzinas e sirenes, os dias passavam voando, parecia que o relógio andava mais rápido e que as horas passavam depressa, com uma velocidade assustadora.

As pessoas eram impacientes, irritadas, rancorosas e egoístas. Elas não se cumprimentavam, não eram solícitas umas com as outras, não sorriam e eram embrutecidas.

O lugar era triste, porque refletia as atitudes dos moradores daquela região. Tudo parecia sombrio.

Mas um dia, um ônibus com crianças e jovens da cidade vizinha, utilizaram a praça local para se reunir e foi então que tudo mudou!

A mudança começou pela observação, olhares atentos e curiosos avistavam de longe o que acontecia.

Como a cidade era pequena, a notícia se espalhou velozmente...

Naquela praça, estavam reunidas evangelizados e evangelizadores, alegres, solícitos, pacientes, bondosos e amorosos.

Eles transformaram aquele lugar pelo exemplo, pois onde passavam cultivavam o verdadeiro amor!

Aquelas crianças, jovens e evangelizadores, estavam felizes pela oportunidade do aprendizado, pelo Estudo do Evangelho e por seguirem os passos do Mestre Jesus. Todos já eram conscientes do Amor de Deus e pelas atitudes demonstravam a gratidão pelo Nosso Pai Amoroso!

Realmente o amor e o exemplo transformam.

Amar de todo coração, esta é a lição!

(Este conto infantil foi escrito por, Aline Radde de Castro em homenagem AIJ da União Sagrada de Nosso Pai, em 28/02/2019)

Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de março de 2021

O Girassol

Narciso, um garoto muito mimado, vivia sempre criando problemas com os colegas.

Ele não aceitava ser contrariado. Sua vontade tinha sempre que prevalecer. E, quando isso não acontecia, fechava-se, irritado, e não conversava com ninguém.

Aproximava-se a primavera, estação das flores. Num lindo dia de sol, a professora levou os seus alunos até um jardim, no fundo da escola.

— Como vocês sabem, o inverno está terminando e logo a primavera vai chegar. Por isso, hoje vamos ter uma aula prática de jardinagem. Já aprenderam em classe o que as plantas precisam para germinar, se desenvolver e dar flores ou frutos. Então, vocês vão agora plantar as sementes ou mudas que trouxeram de casa.

Os alunos, animados, foram retirando das sacolas o que haviam trazido para plantar.

Cada um deles escolheu uma espécie diferente de flor.

Um aluno dizia, orgulhoso:

— Professora, trouxe algumas mudas de onze-horas. Mamãe disse que elas se alastram com facilidade e dão lindas flores.

— Muito bem, Zezinho.

— Eu trouxe uma muda de hortênsia, professora — disse Ricardo.

— E eu, uma muda de manacá para enfeitar e perfumar nosso jardim! — afirmou Bentinho.

E assim, cada um deles mostrava o que trouxera de casa: roseiras, crisântemos, petúnias, violetas, margaridas e muito mais.

Narciso, que lembrou na última hora a necessidade de levar uma planta para a escola, ao sair de casa arrancou a primeira que encontrou.

Ao observar o que os colegas trouxeram, sentiu-se diminuído ao ver que havia plantas muito mais bonitas que a sua.

Vendo que só ele se mantinha calado, a professora perguntou:

— Narciso, o que você trouxe?

Envergonhado, ele respondeu, mostrando a planta, cujas folhas caídas pareciam murchas:

— Não sei nome dessa planta, professora.

— Alguém sabe? — ela indagou para os demais.

Rafael, um garoto muito esperto e inteligente, do qual Narciso não gostava, respondeu:

— Eu sei, professora! É uma mimosa ou sensitiva. Ela se encolhe toda ao ser tocada, por isso está assim.

Um dos meninos comentou em tom de brincadeira:

— O Narciso tem nome de flor, mas se assemelha mais à sensitiva: ninguém pode se aproximar dele!

Os demais caíram na risada. Sentindo-se humilhado perante o conhecimento do outro e a brincadeira do colega, Narciso revidou, irritado:

— E você, Rafael, trouxe essa enorme flor amarela para aparecer, não é?

Rafael, que realmente trouxera uma muda já com uma linda flor, estranhou a reação do colega. Olhou para ele, pensou um pouco e respondeu tranquilo:

— Está enganado, Narciso. Escolhi o girassol porque é uma planta que acho linda e admiro muito. Não sei se você reparou, mas ele sempre, onde estiver, procura o sol. Tem gente que busca a escuridão, mas eu, como o girassol, desejo buscar a luz.

Narciso baixou a cabeça. Talvez a resposta estivesse nessa frase, pensou.

Rafael sempre estava cercado de amigos, e ele sempre sozinho. Ninguém gostava dele. Sentiu que precisava mudar seu comportamento se quisesse fazer amigos.

Aquela manhã os alunos ficaram no jardim entretidos com as plantas. Ao bater o sinal, cada um tomou seu rumo.

No trajeto para casa, Narciso notou Rafael que, um pouco atrás, ia para o mesmo lado. Parou e esperou. Rafael se aproximou dele e passou a acompanhá-lo.

— Narciso, eu sei que você não gosta de mim, mas quero ser seu amigo. Se eu fiz algo que o desgostou, peço-lhe desculpas. Nunca tive a intenção de magoá-lo.

O outro, olhando para o colega, notou tanta sinceridade em sua atitude, que se desarmou:

— Não, Rafael, você nunca me fez nada. A culpa é minha. Eu é que sou um chato.

Pela primeira vez, sentiu necessidade de ser verdadeiro, humildemente reconhecendo seus erros.

Trocaram um sorriso e, a partir dali, passaram a conversar, falando sobre a escola, futebol e do que cada um mais gostava.

Naquele pequeno trajeto, aprenderam a se conhecer melhor e Narciso passou a estimar Rafael. Pareciam velhos amigos.

Ao chegar em casa, convidou-o para entrar e conhecer sua mãe, e o outro aceitou, satisfeito.

Chegando à cozinha, Narciso apresentou o colega:

— Mamãe, este é meu amigo Rafael. Como ele, eu também quero ser como um girassol!


Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.