ESTE É UM BLOG DE ARQUIVO

ESTE BLOG É UM ARQUIVO DE ESTÓRIAS E CONTOS DO BLOG CARLOS ESPÍRITA - Visite: http://carlosespirita.blogspot.com/ Todo conteúdo deste blog é publico. Copie, imprima ou poste textos e imagens daqui em outros blogs. Vamos divulgar o Espiritismo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Responsabilidade e Amizade

Juquinha voltava da escola com a mochila dependurada nas costas e uma bola nas mãos. Brincando, ele chutou a bola e quebrou a vidraça da janela de uma residência pela qual estava passando.

Temeroso pelo que fizera, ele saiu correndo e dobrou a esquina, rápido.

Zezé, seu colega, que vinha um pouco atrás, preocupado com uma prova que faria no dia seguinte, nem notou o que tinha acontecido.

Ao passar diante da casa, deparou-se com um homem muito zangado, que, o agarrando pelo braço, gritou:

— Peguei você, moleque safado!

Assustado, sem entender o que estava acontecendo, Zezé se defendeu:

— Eu não fiz nada! Não sei do que a senhor me acusa.

— Como não sabe? Você acaba de quebrar a vidraça da janela de minha casa e não sabe?...

— Não sei não, senhor. Não fui eu! Não fui eu!

— Ah, não? E essa bola aqui, de quem é?

Zezé havia reconhecido a bola, nova e bonita, que pertencia ao seu amigo Juquinha. Porém ele não era dedo-duro e não entregaria o colega. Então, apenas respondeu:

— Não é minha, senhor, eu juro!

— Se você estiver mentindo para mim, vai se arrepender. Vamos! Vou levá-lo até sua casa e falar com seus pais.

— Por favor, senhor, solte-me! Meus pais estão trabalhando e não tem ninguém em casa.

Zezé chorava e suplicava tanto, que o homem cedeu. Largou o braço dele e pediu-lhe o endereço, que o garoto deu. Depois, voltando aos poucos à normalidade, ele informou:

— Amanhã irei à escola falar com sua professora. Como é seu nome?

— José Luiz Barbosa, mas todos me chamam de Zezé.

— Muito bem, Zezé. Pode ir agora.

Zezé continuou seu caminho, aliviado. No dia seguinte tudo se esclareceria, tinha certeza. Certamente Juquinha não deixaria que ele fosse acusado injustamente.

De manhã Zezé levantou-se, confiante, e foi para a escola.

Eram dez horas quando o homem apareceu na porta da sala de aula.

A professora Dorinha o recebeu e perguntou o que desejava. Ele entrou e explicou o que tinha acontecido diante de toda a classe.

Juquinha encolheu-se na carteira.

Diante da acusação daquele homem, Zezé esperou que Juquinha assumisse a culpa, não deixando que ele fosse acusado injustamente.

Como Juquinha continuasse calado, Zezé baixou a cabeça triste e desiludido.

A professora Dorinha, vendo a situação criada, saiu em defesa do aluno.

— O senhor tem toda razão de reclamar e até de desejar uma reparação, porém não pode vir aqui e acusar um aluno meu sem ter certeza da culpa dele. Além disso, esta bola não é do Zezé, posso lhe afirmar.

— Mas alguém quebrou minha janela com esta bola e quero saber quem foi.

Ele olhava para toda a classe, fitando um por um. Todavia, ninguém se manifestou. Irritado, ele disse:

— Muito bem. Vocês estão se protegendo, mas eu vou descobrir quem foi e, aí, tomarei providências. Deixarei a bola aqui na mesa. Que o dono a pegue depois, se tiver coragem. Passem bem.

O homem retirou-se pisando duro. Após a saída dele, Dorinha olhou para sua classe, triste, e considerou:

— Estou bastante decepcionada com vocês. Não importa o que tenhamos feito, temos a obrigação moral de assumir nossos erros. Mentir é muito feio e, omitir nossa responsabilidade, deixando que alguém seja acusado em nosso lugar, é pior ainda.

Zezé, com a cabeça entre as mãos, chorava baixinho.

Nesse momento, Juquinha levantou-se, tímido e envergonhado:

— Professora, fui eu que quebrei a vidraça. Mas não fiz por querer! Foi um acidente!

Depois, virando-se para o amigo que chorava, disse:

— Zezé, me desculpe! Não quis criar um problema para você, apenas fiquei com medo da reação de meus pais ao ficarem sabendo. Porém, você sabia que eu era culpado e não me entregou, e isso me deixou com vergonha de mim mesmo. Será que você pode me perdoar?

Zezé levantou a cabeça, limpou as lágrimas e sorriu:

— Claro, Juquinha. Sabia que você não deixaria que eu fosse acusado injustamente. Afinal, somos bons amigos!

Juquinha caminhou até Zezé e abraçaram-se, contentes por terem resolvido bem a situação.

Depois, Juquinha, também emocionado, prometeu:

— Professora, eu prometo que ao sair daqui irei à casa daquele senhor, contarei a verdade e me responsabilizarei pelos danos que causei.

— Ótimo, Juquinha. Você decidiu muito bem — concordou Dorinha.

E Zezé, ao lado dele, afirmou:

— Eu acompanho você, Juquinha.

A professora abraçou a ambos, depois olhando para os demais alunos, informou:

— Neste dia tivemos uma lição ao vivo. Uma situação difícil se resolveu de forma pacífica, e todos amadureceram um pouco mais. Juquinha aprendeu que a mentira só prejudica, e pôde comprovar a grandeza de Zezé que não entregou o amigo, mesmo sabendo-o culpado.

Ela parou de falar por alguns momentos, depois prosseguiu comovida:

— Juquinha ainda vai enfrentar dificuldades com o homem a quem prejudicou, e também com seus pais, mas tudo ficará mais fácil diante da sua resolução de dizer a verdade. Que todos possamos ter aprendido a lição.

Ao terminar a aula, Zezé acompanhou Juquinha, que explicou ao homem o que tinha acontecido, desculpando-se e prometendo pagar os danos causados, usando sua mesada para comprar-lhe uma vidraça nova.

Contaria a seus pais o que tinha acontecido, e tinha certeza de que o problema seria resolvido com tranquilidade.

O mais difícil fora admitir a culpa. Tudo o mais não tinha importância.

Sereno e confiante, Juquinha retornou para casa, certo de que, dali por diante, não haveria problema que não conseguisse resolver.

Aprendera, também, que uma amizade sincera como a de Zezé, não tinha preço e precisava ser valorizada.

E desse dia em diante, tornaram-se ainda mais amigos.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Respeito às Coisas Alheias

Paulinho era um menino que fora criado com todo amor e carinho pelos seus pais.

Estudava numa escola boa e confortável, tinha professora dedicada e amigos com quem se divertia nas horas de folga. Enfim, era um bom aluno.

Contudo, certa vez entrou na sua classe um garoto maior que veio transferido de outra escola. De personalidade envolvente, Roberto começou a dominar Paulinho, que passou a ver no novo amigo um líder.

Desse dia em diante, Paulinho mostrou fraco rendimento escolar, não fazia mais os deveres de casa, tornou-se malcriado e saía sempre à noite voltando tarde ao lar, sem que sua mãe soubesse onde tinha estado.

Não valeram conselhos e recomendações dos pais e da professora; o garoto cada vez mais mostrava indisciplina, desrespeito e desinteresse por tudo o que lhe fora ensinado até então.

Seus pais, muito preocupados, não sabiam mais o que fazer.

Nessa época, o pai de Paulinho começou a ter problemas de saúde. O coração estava seriamente comprometido e era necessário um tratamento rigoroso e muito cuidado.

Certo dia, Paulinho chegou tarde da noite e encontrou tudo fechado e silencioso. Ninguém em casa.

Sem saber o que fazer, procurou informações com um vizinho. Assim, recebeu a notícia de que seu pai passara mal e fora levado às pressas para o hospital.

Com o coração angustiado, correu até o hospital e encontrou sua mãe em prantos.

— Graças a Deus que você chegou, meu filho — disse ela.

— Como está papai? — perguntou, aflito.

— Está sendo atendido pelo médico, Paulinho, mas demoramos muito para vir e temo que o socorro chegue tarde.

— Mas, por que, mamãe? Por que não pediu para Aninha ligar logo de um telefone público?

— Eu pedi, meu filho, mas o telefone está quebrado.

Muito desapontado, o garoto lembrou-se de que fora ele mesmo e seu bando quem destruíra o aparelho por brincadeira. Gaguejando, insistiu:

— Mas tem um pronto-socorro próximo de nossa casa. Por que a senhora não solicitou uma ambulância?

Meneando a cabeça, a mãe informou algo desalentada:

— Tentamos, Paulinho... Mas a ambulância, infelizmente, estava com os quatro pneus cortados, serviço de um bando de garotos desocupados que andam por aí, segundo informaram.

Corando até a raiz dos cabelos, Paulinho lembrou-se que, também por divertimento, eles haviam estragado os pneus da ambulância que estava estacionada no pátio defronte o pronto-socorro.

Cheio de vergonha e arrependimento, em lágrimas, Paulinho confessou à sua mãe tudo o que fizera, e concluiu:

— Se o papai morrer, nunca mais vou me perdoar. Por minha culpa ele não recebeu a assistência urgente de que tanto precisava.

A mãezinha que ouvia calada afagou-lhe os cabelos e falou com carinho:

— Sempre é tempo de nos arrependermos de nossas ações más, meu filho. Ore e peça a Deus em favor do seu pai. Ele nunca deixa de nos amparar nas nossas necessidades.

Algum tempo depois, o médico veio avisar que estava tudo correndo bem e que o paciente logo estaria recuperado.

Cheios de alegria, mãe e filho se abraçaram, agradecendo a Deus que atendera às suas súplicas.

E, a partir daquele dia, Paulinho voltou a ser o menino que era antes, reconhecendo que o respeito à propriedade alheia é muito importante, especialmente às coisas públicas que prestam serviço inestimável à população, e que nunca sabemos quando nós também vamos precisar delas.

Que ele, ao invés de transmitir suas boas qualidades aos amigos indisciplinados, se deixara contaminar por eles.

Paulinho prometeu a si mesmo que faria tudo o que pudesse para que seus amigos também compreendessem que somente o respeito e o amor ao próximo poderão nos tornar pessoas melhores e mais felizes.

Fiel às promessas de mudança interior que fizera a si mesmo, Paulinho procurou à companhia telefônica e a direção do pronto-socorro responsabilizando-se pelos estragos verificados e prontificando-se a pagar com seu trabalho os prejuízos que causara.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de janeiro de 2023

O Vaga-Lume

Morando num lindo recanto do campo, entre flores coloridas e perfumadas, árvores frondosas e amigas, Vavá, o vaga-lume, vivia sempre triste insatisfeito.

Sentia-se pequeno e inútil. Voava sobre as rosas e admirava lhes a beleza e o perfume; encantava-se com as borboletas que passavam vestidas elegantemente de asas multicoloridas. Ouvia com assombro o canto mágico dos pássaros nas ramagens do arvoredo e entristecia-se por não conseguir emitir uma nota sequer. No fundo, tinha uma inveja profunda deles, das rosas, das borboletas, dos pássaros e de todos os que eram diferentes dele.

Por que Deus o fizera assim? Ele não era bonito como as borboletas, não era perfumado como as rosas e não sabia cantar como os pássaros!

A única coisa que possuía era aquela incômoda lanterninha na parte traseira do seu corpo e que ninguém mais tinha. Só ele!

Ainda se fosse uma luz bonita e brilhante, como a das estrelas que Vavá contemplava à noite, ou como aqueles postes de luz que ele via de vez em quando na cidade, seria diferente. Teria orgulho dela. Mas qual! Essa luz fraca e oscilante não servia para nada!

Certo dia, Dona Coelha apareceu aos saltos, muito preocupada com seu filhotinho. O pequeno estava doente e ela precisava de uma determinada planta para fazer um chá.

Pediu ajuda para a Borboleta:

— Amiga Borboleta, ajude-me a encontrar o remédio para meu filho.

Mas a borboleta respondeu, abrindo as asas multicoloridas:

— Como procurar? Está ficando escuro e não vejo nada!

Dona Coelha agradeceu e pediu auxílio para a rosa, muito aflita:

— Por favor, amiga Rosa, ajude-me a encontrar o remédio para meu filho!

Abanando a linda cabeça de pétalas macias, a rosa respondeu, delicada:

— Gostaria de ajudá-la, mas, infelizmente, não posso andar e, mesmo que pudesse, com essa escuridão seria impossível!

Dona Coelha agradeceu e, encontrando o passarinho, pediu-lhe:

— Você que anda por tantos lugares, poderia ajudar-me a procurar a planta que necessito para curar meu filho?

O passarinho ficou pensativo e depois respondeu, atencioso:

— Creio que sei onde encontrar a planta que a senhora procura, Dona Coelha, mas está muito escuro e não posso voar, pois trombaria nas árvores. Além disso, não sei o lugar exato e agora de noite seria impossível encontrá-la.

A pobre coelhinha ficou muito triste e já se dispunha a desistir do seu intento e retornar ao seu lar sem a planta necessária. Mas os bichinhos que se juntaram para analisar o problema, preocupados com a situação da pobre mãe, começaram a discutir qual a melhor solução.

Dona Coruja, que ouvia tudo em silêncio, acomodada num galho de árvore, sugeriu:

— Só conheço alguém capaz de ajudar neste momento tão difícil.

— Quem??!! — perguntaram todos ao mesmo tempo.

— O vaga-lume Vavá!

Olharam-se surpresos. Como não pensaram nisso antes?

— EU???...

— Claro! Quem mais possui uma lanterna? — explicou a Coruja, satisfeita.

Encaminharam-se, então, para o região onde o passarinho vira a planta, sempre guiados por Vavá, que ia na frente, todo orgulhoso, iluminando o caminho.

Procuraram... procuraram... procuraram... até que, bem escondidinha, lá estava ela.

Dona Coelha, muito feliz e aliviada, não sabia como agradecer:

— Obrigada, Vavá! Se não fosse você e sua lanterninha nunca teria conseguido. Que Deus o abençoe!

Vavá, que, pela primeira vez, sentia-se útil e valorizado, ficou satisfeito. E percebeu que o dom que Deus lhe dera era muito... muito importante, e poderia ajudar muita gente.

Agora já não se incomodava mais de não ser belo como as borboletas, ou perfumado como as rosas, ou ter voz melodiosa como os pássaros.

Já não se sentia mais como um pequeno e insignificante inseto, inútil e desprezado por todos. Ele era muito importante e tinha uma tarefa que só ele podia executar: clarear as trevas.

E, a partir desse dia, Vavá passeava sempre pelo campo, confiante em si mesmo e orgulhoso da sua luz, agradecendo a Deus a bênção que lhe concedera.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Respeito à Propriedade Alheia

Era uma tarde de domingo muito bonita e ensolarada. Os pássaros cantavam, as borboletas enfeitavam alegremente as flores e todos os animais brincavam felizes.

Foi então que Joãozinho disse a seu amigo Antoninho:

- Vamos aproveitar este dia bonito e passear no pomar de maçãs do Seu Joaquim?

Antoninho, com água na boca, respondeu:

- Oba! Vamos sim, quero comer aquelas maçãs maravilhosas!

Assim, foram correndo até o pomar. Chegando lá, olharam para todos os lados, para ver se não havia ninguém. Foi então, que após espreitarem com cuidado, subiram nos pés de macieiras.

Joãozinho dizia sorridente:

- Olha, Antoninho, que frutas deliciosas!

- São saborosas!

Antoninho, com o os olhos brilhando, respondeu:

- É verdade, ainda bem que podemos comer de graça. Vamos comer muitas maçãs e levar o que pudermos para casa.

E assim o fizeram.

Continuaram a comer muitas maças e quando já estavam apanhando algumas frutas para levarem embora, avistaram uma menina que se aproximava.

Era a Aninha, a sobrinha do Seu Joaquim.

Ficaram assustados, mas depois pensaram: é só uma menina!

Aninha se aproximou e perguntou:

- Quem são vocês? O que vocês fazem no pomar do tio Joaquim?

Eles responderam baixinho:

- Viemos comer algumas maças.

- E vocês pediram permissão para meu tio? - indagou Aninha.

Os dois se olharam e disseram que ninguém estava vendo.

Aninha apontou para o céu e disse:

- Deus está vendo, Ele sabe tudo o que fazemos e somos responsáveis pelas nossas atitudes.

Após ouvirem o que Aninha falou, Joãozinho e Antoninho ficaram envergonhados.

- Você tem razão Aninha, Deus vê tudo o que fizemos, por isso, devemos sempre agir corretamente, disse Joãozinho.

Antoninho tomou coragem e pediu desculpas. Disse que desse dia em diante sempre pediriam permissão para pegarem coisas que não fossem suas, respeitando as coisas alheias.

Autoria: Carla Kitzmann – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

O Servo Infeliz

Existiu certa vez num país muito distante, um homem que vivia sempre muito infeliz e desgostoso da vida que levava.

Todo serviço era pesado e desagradável. Não havia tarefa que desejasse realizar e qualquer pequeno serviço que se lhe ordenasse era feito de má vontade.

Vivia resmungando pelos cantos e acabou por tornar-se uma companhia indesejável até junto dos outros servos da casa.

Se o patrão o mandava lavar e tratar dos cavalos, reclamava que o cheiro dos animais lhe causava mal-estar. Se a tarefa solicitada era ir até a cidade comprar mantimentos, alegava que o sol lhe dava tonturas e que era sempre ele a fazer o serviço pesado. Se ele era mandado recolher o rebanho no pasto ao anoitecer, alegava que o sereno era ruim para sua saúde delicada.

Enfim, qualquer tarefa que lhe fosse conferida era executada de mal humor e muita má vontade, embora tivesse corpo sadio e braços fortes.

Certo dia, ele e outro servo foram mandados à cidade para fazer um serviço, e, como não poderia deixar de ser, ele ia reclamando da vida para o companheiro que o escutava com paciência infinita.

— Pois é como lhe digo. Todo serviço mais desagradável fica para mim. Faço sempre as obrigações mais pesadas e, se não bastasse isso, vivo com problemas de saúde e dores no corpo todo. Já não aguento mais!

O outro, com delicadeza retrucava, convicto:

— Não é bem assim, meu amigo. Todos nós trabalhamos bastante, é verdade. Mas somos recompensados, pois o patrão é bom e generoso. Não podemos nos queixar da sorte. Além do mais, todo serviço é bênção de Deus.

— Qual nada! Somos tratados como animais e trabalhamos qual burro de carga para ganhar uma miséria. Ah! Como eu gostaria de ter uma vida diferente, de não precisar trabalhar!

E avistando na estrada, logo adiante, um homem sentado sob uma árvore, à frente de pequeno portão que dava acesso a uma casa simples, mas que exalava limpeza, apontou-o enquanto falava:

— Olha aquele homem ali calmamente sentado à beira do caminho. Sua fisionomia serena mostra que não deve ter problemas. E, para estar sentado a essa hora do dia, é sinal de que não trabalha. Isso é que é vida!

Aproximaram-se. O homem fitava-os com tranquilidade. Como ainda estivesse um pouco frio, trazia uma manta bastante surrada, mas limpa, que o cobria até a cintura.

Entabularam conversação, e o servo infeliz o inquiriu curioso:

— Diga-me, bom homem, o que faz da vida? Com certeza não deve trabalhar! Ah, como o invejo!

O estranho fitou-o serenamente e respondeu:

— É verdade. Não trabalho mais como antigamente porque não posso. Toda a minha vida fui um homem trabalhador. Chegava todas as noites em casa exausto, mas feliz, porque cumprira bem minhas obrigações. Um dia, porém, conduzia uma carroça rumo ao povoado quando sofri um acidente. Os cavalos assustaram-se e a carroça desgovernou-se.

Tentando deter os animais, que saíram num galope desenfreado, pulei sobre os cavalos e fiquei entre eles, segurando-os com meus fortes punhos. O varal, porém, partiu-se, e eu perdi o equilíbrio, caindo entre as patas dos animais. Fiquei muito ferido, porém com a bênção de Deus, estou ainda vivo.

E, fazendo uma pausa, retirou a manta de sobre as pernas, concluindo:

— Fiquei sem minhas pernas, mas não lamento. Ainda posso fazer muita coisa, garanto-lhes. Tenho ainda os braços fortes, os dedos ágeis e a cabeça lúcida. Disse-lhes que não executava mais o serviço antigo...

E, apontando com a mão, mostrou um garoto sorridente que se aproximava trazendo um fardo de palha.

— Agora faço cestas para vender. Meu filho me ajuda e temos conseguido sobreviver com essa atividade.

E elevando a fronte para o alto, falou com os olhos rasos de lágrimas:

— Deus é muito bom! Tenho uma família amorosa, não me falta serviço e estou vivo com a graça de Deus. Como podem ver, tenho tudo o que preciso para ser feliz.

O servo descontente abaixou a cabeça, envergonhado pela lição que recebera. Comovido, saiu dali meditando em todas as dádivas que Deus lhe dera e que nunca soubera aproveitar e agradecer.

Desse dia em diante tornou-se um outro homem. Com bom ânimo e alegria realizava todas as tarefas, lembrando sempre de agradecer a Deus as oportunidades que lhe concedera na vida.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

O Melhor Pai do Mundo

Carlinhos, um menino muito arteiro, entrou em casa se sentindo muito chateado.

Estava no quintal jogando bola com os amigos e, sem querer, quebrou o vidro de uma das janelas.

O pai, que lia o jornal na varanda, percebeu o que tinha acontecido. Levantou-se na mesma hora e foi chamar a atenção do filho:

— Meu filho, tenha cuidado! Não chute a bola com tanta força. Você quebrou um vidro da nossa janela. E se fosse da casa do vizinho? Seu pai teria que pagar! E se você tivesse machucado alguém?

— Mas, papai, eu não tive culpa!

— Seja como for, você causou um prejuízo e descontarei da sua mesada.

Entrando na cozinha, Carlinhos sentou-se numa cadeira, revoltado. Maria, a empregada de sua mãe, que enxugava umas louças, perguntou:

— O que foi desta vez, Carlinhos?

— Meu pai brigou comigo só porque quebrei o vidro de uma janela. Disse que vai descontar da minha mesada. Sempre a culpa é minha! Tudo eu! Tudo eu!

Maria, que gostava muito do menino, com carinho respondeu:

— Carlinhos, todos temos que ser responsáveis pelas nossas ações. E seu pai estava apenas tentando ensinar-lhe responsabilidade, disciplina e respeito às coisas alheias.

— Maria, mas ele briga comigo o tempo todo! Para tomar banho, fazer a tarefa da escola, arrumar os brinquedos. Ufa! Estou cansado! Gostaria de ter outro pai. Olha Maria, acho que nem vou dar presente a ele nos Dia dos Pais.

— Ele faz isso por amor, Carlinhos. E não é verdade que seu pai chama sua atenção o tempo todo. Pense bem!

Carlinhos, já mais calmo, pensou um pouco e concordou.

Lembrou-se de todas as vezes que o pai o tinha levado para passear, pescar, tomar sorvete, andar de bicicleta, ao parque de diversões. Todas as vezes que o pai tinha chegado cansado do serviço, mas tinha se sentado para lhe ensinar os deveres da escola, que ele não conseguia fazer sozinho.

Mais ainda: lembrou-se das vezes que o pai tinha entrado na ponta dos pés em seu quarto para desejar-lhe boa-noite.

— Você tem razão, Maria. Meu pai se preocupa comigo.

E Maria, que era uma mulher muito sofrida, colocou a mão da cabeça dele, sentou-se a seu lado e disse:

— Vou lhe contar uma história, Carlinhos. Tem um rapaz que, desde pequeno, foi muito peralta, fazia coisas erradas, brigava com os vizinhos, não respeitava as pessoas, porém nunca teve alguém que o ensinasse. A mãe o amava muito e, como o menino já não tinha pai, ela não queria que ele sofresse. E assim, sempre desculpava tudo o que o filho fazia, cercando-o de cuidados e de atenções. Nunca acreditava nas professoras da escola e nem nas pessoas que vinham alertá-la sobre o péssimo comportamento do filho. Um dia, ele começou a roubar. No começo, eram pequenos furtos, depois passou a roubar coisas maiores, aparelhos de som, televisões, e até carros.

Carlinhos ouvia com os olhos arregalados de espanto:

— E depois? — perguntou interessado.

— Depois, acabou sendo preso. A mãe lamenta até hoje não ter dado a educação que ele precisava.

O menino estava impressionado.

— Você o conhece, Maria?

Com os olhos úmidos ela respondeu:

— Conheço sim, Carlinhos. Esse rapaz é meu filho.

Somente naquele momento o garoto percebeu que, embora Maria trabalhasse na sua casa desde que ele tinha nascido, nada sabia sobre a vida dela.

Maria parou de falar, enxugou os olhos no avental, e completou:

— Por isso, Carlinhos, agradeça a Deus todos os dias por ter um pai que se preocupa com você e que o ama muito. Se eu tivesse me preocupado em dar uma boa educação e orientações religiosas a meu filho, provavelmente hoje ele seria diferente.

Carlinhos, muito sério, lembrou:

— É por isso que o papai e a mamãe sempre dizem que o Evangelho de Jesus nos ajudará a sermos pessoas melhores.

— Isso mesmo, Carlinhos. Porém, na época, eu não sabia.

Voltando das compras, a mãe entrou em casa e Carlinhos correu ao seu encontro.

— Mamãe! Mamãe! Precisamos comprar o presente do papai!

— Calma, meu filho! Mas o que aconteceu para você estar assim tão ansioso?

— É que eu descobri que tenho um pai maravilhoso! O MELHOR PAI DO MUNDO!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 15 de outubro de 2022

O Pequeno Órfão

Morando numa casa confortável, Ricardo era um menino que levava vida tranquila e segura. Uma família amorosa supria-lhe as necessidades, e ele frequentava uma boa escola onde tinha muitos amigos.

Ricardo, porém, não se contentava com o que Deus lhe concedera.

Estava sempre desejando algo mais e suspirando por tudo o que seus amigos tinham.

Sabem o que é isso? É um sentimento muito feio chamado: INVEJA.

Se os pais o presenteavam com um carrinho, ele reclamava com raiva:

— Não quero essa droga. Quero um carrinho de controle remoto, como o que o Dudu ganhou no aniversário!

— Mas, filhinho, é muito caro! — dizia a mãe, triste.

— Não me interessa. Quero, quero e quero! — gritava, batendo os pés.

Quando a mamãe carinhosa lhe comprava uma roupa, ele falava com desprezo:

— Que coisa horrível! Acha que vou usar “isso”? Essa roupa não vale nada!

— Quando a vi na loja achei bonita e lembrei-me de você, meu filho — justificava-se a mãe, pesarosa.

— Pois pode devolver. Não vou usar. Gosto de roupas caras e de lojas chiques. Na verdade, eu quero mesmo é uma calça “jeans” como a do Beto.

Na hora da refeição era o mesmo problema sempre. Ricardo reclamava de tudo:

— Legumes novamente?

— Sim, meu filho. Legumes fazem bem à saúde e são gostosos.

— Pois não como! — gritava o menino, empurrando o prato com grosseria. — Ainda se fosse um frango assado, como o que eu vi outro dia na casa do Adriano, eu comeria.

— Meu filho — respondia a mãe desgostosa — essas coisas são caras e a vida está difícil. Você sabe que nada nos falta, mas o papai trabalha muito para manter a casa. Devemos é agradecer a Deus por tudo o que possuímos e pela vida tranquila que temos.

O garoto balançava os ombros com desprezo e saía resmungando.

A mãe de Ricardo, em suas orações, sempre pedia a Deus que ajudasse seu filho, tão invejoso e egoísta, a ver a vida com outros olhos.

Certo dia, o garoto havia brigado com os pais; exigira a compra de uma bicicleta nova e, como eles se negaram, o menino saiu batendo a porta, chorando e reclamando:

— Ninguém gosta de mim! Ninguém me dá o que peço! Sou um infeliz abandonado. Tenho vontade de sumir de casa!

Ricardo chegou até uma praça e sentou-se num banco. Amuado, ali ficou, resolvido a não voltar logo para casa; queria dar um susto nos pais.

Após alguns minutos percebeu uma criança um pouco menor do que ele que, sentada no chão, parecia muito triste.

Aproximou-se sem saber por quê. Na verdade, nunca se interessara pelos problemas dos outros.

— Olá! — disse, a guisa de cumprimento.

O menino levantou a cabeça e Ricardo percebeu que chorava.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou sem muito interesse.

— É que me sinto muito sozinho. Não tenho ninguém que goste de mim. Sou órfão e vivo na rua — murmurou o garoto.

— Como assim? Não tem casa?

— Não. Quando meus pais morreram fui morar com uma tia. Mas ela me maltratava e obrigava-me a roubar, alegando que eu comia bastante e lhe dava muitas despesas. Depois de algum tempo, não aguentei mais; fugi de casa e, desde esse dia, durmo nos bancos das praças.

— E onde você come?

O garoto sorriu. Um sorriso triste e desconsolado.

— Normalmente, peço um prato de comida em alguma casa rica, mas nem sempre consigo. Então, reviro as latas de lixo à procura de algo para comer. Você não imagina quanta coisa boa a gente acha numa lata de lixo!

Ricardo, que nunca imaginara que existissem pessoas passando por tanta necessidade, estava surpreso e chocado.

— Quantos anos você tem? Como se chama?

— Tenho oito anos e me chamo Zezé. E você? Você também está triste! Também não tem ninguém?

— Tenho sim, Zezé — falou Ricardo com satisfação. — Tenho uma família maravilhosa e gostaria que você a conhecesse. Minha mãe é muito boa e faz uma comida simples, mas muito gostosa. Quer almoçar comigo?

Zezé aceitou com alegria. Desde o dia anterior não se alimentara e estava faminto.

Chegando ao seu lar, Ricardo apresentou o novo amigo e, em lágrimas, pediu desculpas pelo seu comportamento.

— Mamãe, eu compreendo agora que Deus foi muito bom dando-me uma casa boa e confortável e uma família amorosa que se preocupa comigo. Que mais posso desejar?

Muito contente com a mudança que se operara em seu filho, a mãe abraçou-o emocionada, dizendo-lhe com carinho:

— Que bom, meu filho, que você pense assim. Deus ouviu minhas preces e, se não somos ricos de dinheiro, somos ricos de amor, de paz, de alegria e de saúde. Não é verdade?

— É verdade, mamãe — concordou Ricardo, sorridente.

Zezé ficou por alguns dias naquele lar e, tão bem se adaptou ao ambiente da casa que, a pedido de Ricardo, que se afeiçoara muito a ele, foi adotado, passando a fazer parte da família, para alegria de todos.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 1 de outubro de 2022

A Surpresa do Achado

Certa vez, um pequeno pastor caminhava pelos campos pastoreando suas ovelhas.

Já estava cansado e com fome quando, sobre o capim verde e em meio à vegetação, encontrou pequena bolsa de couro. Abriu e, qual não foi sua surpresa: ali estavam cinco lindas moedas de ouro brilhando no fundo da bolsa!

Ficou eufórico! Quanta coisa poderia fazer com esse dinheiro!

Pegando as rutilantes moedas na mão, ainda pensou que deveriam pertencer a alguém, e que esse alguém por certo estaria desesperado.

O desejo de ficar com as moedas, porém, falou mais alto e, acalmando a consciência, guardou o pequeno tesouro pensando, sem muito entusiasmo:

— Se por acaso encontrar a pessoa que perdeu as moedas, devolvo-as. Caso contrário, elas são minhas por direito, pois as encontrei.

E assim pensando, passou o resto do dia a fazer planos de como usaria o tesouro que tão inesperadamente lhe caíra nas mãos.

Ao cair da tarde, levou as ovelhinhas de volta para casa, resolvido a nada contar à sua mãe, com medo de que ela o fizesse devolver as moedas. Afinal, não existiam tantas casas assim nas imediações e, por certo, alguém do vale as perdera.

Ao chegar em casa ficou sabendo que seu pai precisara fazer uma viagem para fechar um negócio muito lucrativo.

Três dias depois seu pai voltou. Vinha desanimado e triste, todo sujo e coberto de poeira.

A mulher, preocupada, perguntou o que acontecera, e ele respondeu:

— Você não imagina o que me aconteceu! Após muito viajar cheguei ao meu destino. Quando fui fechar o negócio, porém, dei por falta do dinheiro que levara separado para pagar as ovelhas. Procurei por todo lado, revirei meus pertences, mas nada achei. Percebi, tarde demais, que a mochila que levara estava com um buraco no fundo e, por certo, deixara cair pelo caminho a bolsa com o dinheiro. Mas, como encontrar? Com certeza alguém já teria achado seu dinheiro e nunca mais veria aquele que representava as economias de muito trabalho e dedicação.

E o homem tristemente concluiu:

— Meus recursos terminaram e tive que recorrer à caridade pública. Não tinha onde me abrigar, nem o que comer. Graças a Deus, consegui chegar até aqui em casa depois de muito sofrimento. Embora tenha perdido tudo o que possuía, tenho vocês que são o meu tesouro.

Assim dizendo, abraçou o filho e a esposa, emocionado até às lágrimas.

O jovem, lembrando-se do tesouro que possuía ficou contente. Afinal, poderia fazer algo pelo seu querido pai.

Correu até seu quarto e voltou com a pequena bolsa de couro contendo as cinco moedas e, com sorriso feliz, entregou-a ao pai, dizendo-lhe:

— Pegue, meu pai. É tudo seu!

O pobre homem ao ver a bolsa reconheceu-a e perguntou surpreso:

— Onde foi que a encontrou, meu filho?

— Em meio à vegetação, quando pastoreava as ovelhas.

— É verdade! Eu quis ganhar tempo e cortei caminho pelo campo, saindo da estrada. Oh, meu filho! Graças a Deus, você a encontrou. O Senhor é muito bom! Mas, como soube que era minha?

De olhos arregalados o rapaz respondeu:

— Não sabia, papai. Nunca poderia supor que lhe pertencesse. Julguei que fosse de outra pessoa!

O pai ficou sério repentinamente e, segurando-o pelo braço, inquiriu:

— O que fez, meu filho? Encontrou este tesouro que alguém perdera e ficou com ele, quando não lhe pertencia? Como fui eu que perdi, poderia ser qualquer outra pessoa aqui do vale. Não pensou no desespero que, por certo, atingiria o dono das moedas e na falta que elas lhe fariam?

— Não, papai. Não pensei em nada disso. Desculpe-me. Somente agora começo a perceber como fui egoísta e ambicioso.

O pequeno pastor, arrependido, abaixou a cabeça, enquanto as lágrimas corriam pelo seu rosto.

— Perdoe-me, papai. Sei que agi errado e agora compreendo a enormidade da minha falta.

O pai afagou a cabeça do filho, dizendo:

— Meu filho, nós temos que respeitar o que é dos outros, para que os outros também respeitem o que nos pertence. Jesus, nosso Mestre, ensinou que seríamos responsáveis por todos os nossos atos e que deveríamos fazer ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse. Agora pense: Se você tivesse perdido as moedas, o que gostaria que lhe fizessem?

— Ficaria muito feliz se quem as achou me devolvesse a bolsa, com as moedas, claro!

— Então, meu filho, assim também deve fazer para com os outros.

O pequeno pastor agradeceu a lição recebida e prometeu a si mesmo que nunca mais seria egoísta e ambicioso.

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O Esquilo Fujão

Numa clareira da floresta, habitava uma família de esquilos que vivia em paz e harmonia.

A pequena família era constituída do papai Esquilão, da mamãe Esquila e de um casal de filhotes muito obedientes. Todos se estimavam sinceramente, pois entre eles havia compreensão e amizade.

Enquanto papai Esquilão saía em busca do sustento da família, mamãe Esquila permanecia em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos.

Certo dia, Esquila descobriu que ia ser mãe novamente. Todos ficaram muito felizes. Afinal, as crianças estavam crescidinhas e um bebê fazia falta em casa.

Dentro de pouco tempo, a família aumentou. Era um lindo filhotinho!

O filhote crescia rápido e se tornava cada vez mais exigente. A pequena família vivia em função dele, fazendo-lhe todas as vontades.

Mas nem tudo podia ser permitido! E cada vez que sua mãe o repreendia, ele ficava revoltado e infeliz.

Com o passar do tempo, começou a achar que ninguém o amava. Sempre viviam ralhando com ele: “Não faça isso, Esquilino! Não faça aquilo! Arrume suas coisas!”

Um dia, cansado de tudo, sentindo-se muito triste, foi embora resolvido a viver livre na floresta. Sua mãe sempre o alertara para os perigos que encontraria, mas ele nunca se importou. O pai também jamais permitira que ele se internasse na mata sozinho preocupado com sua segurança. Agora, no entanto, ele estava livre e não precisava obedecer a ordens de ninguém.

— Ufa! Afinal vou levar a vida que sempre desejei. Já sou bastante crescido para cuidar de mim mesmo! — pensou.

Andou bastante pela floresta, satisfeito da vida.

Aos poucos foi escurecendo e o pequeno esquilo não tinha encontrado ainda local onde pudesse se abrigar. Os ruídos da mata o assustavam e ele desejou estar ao lado de sua mamãe, sempre tão amorosa.

Mas agora estava perdido. Não sabia mais voltar. E, além de tudo, estava com uma fome terrível!

A escuridão foi ficando cada vez maior e mais apavorante.

Cansado de tanto andar, Esquilino aninhou-se no tronco de uma grande árvore e adormeceu depois de muito chorar.

De manhãzinha, acordou ouvindo o ruído de folhas secas. Alguém se aproximava. Levantou-se rápido. Quem sabe era alguém que poderia ajudá-lo?

Era um lobo enorme e ameaçador!

Quando o lobo uivou, arregaçando os dentes perigosamente, o esquilinho saiu em grande disparada.

Ao perceber que não estava mais ao alcance do lobo, parou para descansar.

— Ufa! Que sufoco! — disse mais aliviado.

Nisso, ouviu um ruído estranho, como se fossem guizos. Olhou para o chão e se deparou com uma enorme cobra pronta para dar o bote.

Apavorado, fugiu novamente tão rápido quanto lhe permitiam as pernas.

Com o coração aos saltos e a respiração ofegante, parou junto a uma árvore. Suas pernas estavam bambas! Encostou-se nela para recuperar o fôlego, quando escutou um zumbido diferente.

O que seria? Olhou para o lado e percebeu que quase tocara num grande cacho de abelhas. E elas pareciam realmente enfezadas!

Reunindo as forças, fugiu de novo procurando escapar do enxame que vinha em sua direção.

Olhando para trás, não viu um riacho logo à sua frente. Caiu dentro dele, ficando todo molhado.

Felizmente, as abelhas o perderam de vista e Esquilino pôde sair da água tranquilamente.

Olhando em volta, reconheceu o lugar. Sim! Estava próximo de casa!

Mais confiante, tomou uma pequena trilha e em poucos minutos chegou à clareira onde residia.

Todos ficaram felizes e aliviados com sua volta e o abraçaram e beijaram repetidas vezes.

Mais refeito, após se alimentar convenientemente, Esquilino disse à sua mãe:

— Sabe, mamãe, descobri que nada é melhor do que o lar da gente! Pensei que não me amassem, porque viviam me repreendendo. Agora, sei que é justamente por me amarem muito que agiam assim. Passei por muitos perigos, sentindo-me só e desamparado. Apenas aqui, junto de vocês, estou seguro e tranquilo.

E a mamãe, com lágrimas nos olhos, afirmou risonha:

— É verdade, meu filho. Nada como o amor da família. Porém, jamais esteve desamparado. Deus velava por você e o trouxe são e salvo para o nosso convívio.

E Esquilino, baixando a cabeça, disse comovido:

— Obrigado, meu Deus, pela família maravilhosa que o Senhor me concedeu!

Autoria: Célia Xavier Camargo – Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Luz interior

Prisma era um peixinho que vivia solitário em um pequeno rochedo submerso. Quase não saia de casa, devido a uma deficiência motora, que dificultava a sua locomoção.

Quando nasceu ninguém sabia dizer, e muito menos dizer quem eram seus pais.

Muitos moradores daquela aldeia sabiam apenas que Prisma era uma criaturinha diferente dos outros de sua espécie.

Às vezes o peixinho colocava sua cabecinha para fora do pequeno rochedo para abocanhar algas frescas.

Eu sabia da sua vida e das suas dificuldades, porque Prisma era meu vizinho.

Quem sou eu?

Meu nome é Conchilda e sou uma concha velha, mas muito observadora. Via Prisma sair quase todas as noites e ficar olhando para o grande clarão da lua que refletia nas águas, e isso chamava minha atenção.

Às vezes eu me perguntava o quê será que Prisma pensava!

Um dia tomei coragem e aproximei-me do peixinho, que estava envolto em seus pensamentos, a olhar distante para a luz, e disse:

- Por que olha tanto?

Sem tirar os olhos da luz, delicadamente disse:

- Procuro respostas.

- Respostas para quê?

- Resposta para compreender a minha existência – e prosseguiu: Às vezes a luz se torna forte, dando-me uma grande sensação de segurança, e posso até me sentir vitorioso.

Eu pensei: Como vitorioso?! Afinal, o pobre mal podia bater sua barbatana!

Dei um pequeno sorriso e tentei conter minha emoção, e lhe disse:

- Não compreendo você!

- Nem queira Conchilda, porque para sermos vitoriosos precisamos aceitar o inevitável.

Pensei... O quê seria inevitável?!

- Conchilda, nossa existência é a obra máxima do Criador.

- Como?!

- Olha, imploramos para ser criados e pouco agradecemos pela nossa existência. A vida, por si só, já é uma benção, e devemos agradecê-la sempre, ainda que não sejamos perfeitos, pois deve haver uma razão justa para isso.

- Você agradece ao Pai Criador, Prisma?

- Sim, todas as noites venho aqui e fico a admirar a luz, e oro ao Criador pelas dádivas maravilhosas que Ele nos concede.

Fiquei calada. Como podia um peixe feio, defeituoso e solitário pensar ainda em agradecer ao Criador?! Muitos outros sadios vivem a cobrar do Criador!

Mas refleti profundamente sobre como Prisma aceitava a sua vida, e reconheci a grandeza de sua alma superava as suas limitações físicas. Naquela noite, aprendi com ele a despertar para a vida e acender a minha luz interior, pela oração ao Pai.

Hoje, já sem Prisma ao meu lado, procuro ajudar meu semelhante, ensinando sobre o poder da prece e falando da importância da confiança na luz que existe em nós.

Crianças:

Para conquista a luz interior é necessário abrir o coração para Deus, agradecendo sempre a Sua Luz, que nunca nos falta.

Tiamara – Imagem meramente ilustrativa: Fonte: Internet Google.