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quarta-feira, 15 de maio de 2024

A Girafinha Gina

Gina era uma pequena girafa, linda e de coração bondoso. Seu corpo, coberto por um pelo curto e sedoso, tinha belas manchas cor de mel que reluziam ao sol.

Todavia, apesar de ser novinha, seu pescoço já era muito longo!

Isso lhe causava problemas com os outros animais da floresta, e encontrava dificuldade em fazer amigos.

Por ser muito grande, os outros bichos menores a discriminavam. Ninguém queria brincar com ela.

Quando ela convidava o coelho para passear, ele dava uma desculpa:

— Agora não posso, Gina. Preciso limpar minha toca.

Se ela ia à casa do esquilo chamá-lo para brincar, ele respondia:

— Agora não dá, Gina. Tenho que procurar comida. Quem sabe mais tarde?

E assim acontecia com todos que procurava. Depois, andando pela mata, ela os encontrava juntos, brincando de esconder. Então, parou de procurá-los, entendendo que não gostavam dela.

Sentia-se triste e sozinha, mas o que fazer?

Sua mãe, vendo-a tristonha, a consolava:

— Minha filha, se seus amigos não gostam de você pelo seu tamanho, então não merecem sua amizade.

Certo dia, passeando pela floresta, Gina ouviu um alarido estranho. Andou até descobrir de onde vinha aquele barulho.

Sabem o que era? Eram seus amigos que estavam chorando, desesperados. Ali estava o coelho, o esquilo, a raposa, o sapo, a garça.

Arregalando os olhos de espanto, Gina perguntou:

— Por que vocês estão chorando? O que aconteceu?

Quando eles a viram ficaram muito felizes.

— Ah, Gina! Ainda bem que você apareceu! Só você para poder nos ajudar! — exclamou o esquilo, aliviado.

E o coelho completou:

— Estamos perdidos! Saímos para passear e não sabemos mais voltar para casa. Acho que estamos rodando em círculos! Será que você pode nos indicar o rumo que devemos tomar?

Gina sorriu, satisfeita pela oportunidade de ajudar.

— Claro!

Então, a girafinha esticou seu longo pescoço, olhando em torno, por cima das árvores, e afirmou:

— Vocês devem ir para o norte. Por aqui! — e mostrou com uma das patas dianteiras o rumo que deveriam seguir. Mas, também preciso voltar para casa. Irei com vocês.

Contentes e aliviados, alegremente todo o grupo fez o caminho de volta. Alguns bichinhos estavam cansados e Gina levou-os nas costas.

Eles adoraram passear no lombo da girafinha. E todos queriam, por sua vez, experimentar.

Quando chegaram perto de casa se despediram de Gina, agradecidos.

— Gina, você é muito legal! Obrigado — disse o coelho.

— É. Apesar do seu tamanho, você é uma boa companheira — reconheceu a raposinha.

Tinham aprendido a conhecê-la e agora já gostavam dela.

Gina agradeceu, satisfeita. Sua boa ação surtira efeito.

No dia seguinte, logo cedo, a girafinha acordou com o chamado de seus novos amigos.

— Gina, quer brincar conosco?

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

A Força do Exemplo

Dora, ou Dorinha, como a chamavam, era menina viva e inteligente, porém tinha um problema: a preguiça.

Detestava qualquer tipo de tarefa, por mais simples que fosse. Para levantar cedo e ir à escola era aquela dificuldade! Alegava-se sempre cansada. Nunca fazia os deveres de casa, passados pela professora, e não estudava para as provas. Por isso, suas notas eram péssimas.

Em casa não colaborava em nada. Se a mãe, com muito carinho, lhe pedisse para arrumar a mesa, à hora da refeição, ela alegava dor de cabeça; ou para varrer a casa, pois estava atarefada, a menina respondia que precisava estudar e fechava-se no quarto. Quando a mamãe necessitava que ela olhasse o nenê, Dorinha reclamava, irritada:

— Tudo eu? Tudo eu?!...

Enfim, Dorinha não sentia prazer em ser útil. Na verdade, só estava contente brincando, passeando, assistindo televisão ou dormindo.

Sua mãe preocupava-se com ela, tentando aconselhá-la, mas sem resultado. Nas preces, a pobre mãe pedia a Deus que a ajudasse, pois temia pelo futuro da filha.

Certo dia, Dora notou que uma pequena casa vizinha da sua, e que permanecera fechada por muitos meses, estava aberta. Uma família mudara-se durante a noite e a menina ficou curiosa para conhecer os novos vizinhos.

Ao voltar da escola, Dorinha viu um garoto sentado num banco, no jardim à frente da casa.

Sorridente, aproximou-se para travar conhecimento com o garoto, satisfeita por ter mais alguém para brincar.

— Olá! — disse, cumprimentando-o. — Como se chama?

— Olavo. E você?

— Dora. Mas todos me chamam de Dorinha.

O menino era muito simpático e atencioso. Dorinha gostou dele. Em pouco tempo, estavam conversando como velhos amigos.

Dorinha logo começou a se queixar da vida. Reclamou da escola, da mãe, dos afazeres domésticos, enfim, de tudo. E, tomando ares de vítima, dizia:

— Já pensou, Olavo? Não basta ser obrigada a levantar cedo para frequentar uma escola chata, com aulas mais chatas ainda, e, quando chego em casa, exausta, ainda sou obrigada a ajudar minha mãe nas tarefas caseiras! Quem é que aguenta? Estou cansada dessa vida!

Olavo, que a fitava com olhos arregalados e brilhantes, deu um suspiro e exclamou:

— Como invejo você, Dorinha!

— Por quê? Minha vida é horrível e monótona! Eu odeio essa vida! — retrucou a menina, revoltada.

E Olavo falou-lhe com doçura, afirmando:

— Pois acho a sua vida ma-ra-vi-lho-sa!!!...

— É mesmo? — indagou a garota, incrédula.

— É verdade, minha amiga. Eu nunca saio de casa, nem para ir à escola...

— Você não estuda?

— Não, Dorinha. Sou doente e muito fraco. Não posso andar como você. Antes, eu tinha um amigo grande e forte que me levava à escola nos braços, mas depois ele se mudou e não tive mais ninguém que o substituísse. Minha mãe não consegue me carregar. Seria bom se eu tivesse uma cadeira de rodas para me locomover, mas somos pobres e ainda não pudemos comprar uma.

Dorinha, de boca aberta, gaguejou:

— Então, você também não pode brincar na rua? De esconde-esconde, de pular corda, correr e saltar?

— Não. Mas não me queixo...

— O que faz o dia inteiro? Deve ser bem triste sua vida.

— Até que não. Auxilio mamãe naquilo que posso: escolho o arroz, o feijão, limpo verduras, descasco batatas, enxugo a louça. Além disso, minha mãe confecciona pequenos objetos de artesanato para vender e aumentar nossa renda familiar e, quando tem serviço, eu a ajudo nessa tarefa. Também tenho amigos que me fazem companhia e me trazem revistas e livros. Passo horas entretido a ler. Enfim, acho que a minha existência é até muito boa! Conheço pessoas que possuem menos do que eu e cuja vida é bem mais difícil.

Dorinha olhava-o com admiração e respeito. Sentia-se envergonhada das suas reclamações.

Olavo sorriu e completou:

— Sinto falta apenas de poder frequentar a escola. Gostaria muito de continuar estudando e aprendendo coisas novas. Mas, algum dia, se Deus quiser, eu tenho certeza de que conseguirei. Por isso, Dorinha, agradeça a Jesus tudo o que você tem: um corpo perfeito para poder andar e brincar, inteligência para estudar e aprender, e o amor de uma família.

Dorinha despediu-se do amigo com o pensamento renovado. Ao entrar em casa foi direto para a cozinha e falou, atenciosa:

— Mamãe, eu arrumo a mesa. Depois do almoço, pode deixar que lavo toda a louça e varro o chão. E eu tomo conta do nenê também...

A mãe, desacostumada daquela boa-vontade toda, perguntou surpresa:

— O que aconteceu, minha filha? Você está doente? Com febre?

Dorinha riu e explicou direitinho:

— Estou bem, mamãe, não se preocupe. Apenas tive um encontro muito interessante.

E, depois de contar à mãe a conversa que teve com o novo amigo Olavo, concluiu:

— A partir de hoje, mamãe, vou procurar realizar minhas tarefas com otimismo e alegria!

Quanto a Olavo, os pais de Dorinha fizeram uma campanha e conseguiram comprar a cadeira de rodas que ele tanto desejava. Além disso, sabendo das dificuldades da família, levaram o garoto a um médico para tentar descobrir, dentro da medicina atualizada, recursos para sua cura.

E logo, era Dorinha, satisfeita e tranquila, que passava todas as manhãs acompanhando Olavo a caminho da escola, onde juntos iam estudar.

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.