ESTE É UM BLOG DE ARQUIVO

ESTE BLOG É UM ARQUIVO DE ESTÓRIAS E CONTOS DO BLOG CARLOS ESPÍRITA - Visite: http://carlosespirita.blogspot.com/ Todo conteúdo deste blog é publico. Copie, imprima ou poste textos e imagens daqui em outros blogs. Vamos divulgar o Espiritismo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Tucumim, o Indiozinho

Tucumim era um pequeno índio muito estimado em toda a floresta. Gostava de correr, brincar com os animais, pescar. Caçar só quando estava com muita fome, pois evitava provocar sofrimento em outros seres da Criação.

Alimentava-se geralmente de raízes, ervas ou frutos silvestres que colhia no meio do mato.

Amava o sol, a lua, o vento, a chuva e, principalmente, as outras criaturas. Quando encontrava um animalzinho ferido, não descansava enquanto não o visse curado.

Certa vez, voltando de um passeio pela floresta, Tucumim viu um passarinho preso numa arapuca, com a asinha quebrada. Retirou a ave da arapuca e colocou uma pequena tala, que amarrou com fibra vegetal, para imobilizar a asa. Em poucos dias a avezinha, já curada, partiu, agradecendo ao amigo com lindos trinados pela alegria de poder voar novamente.

Nesse mesmo dia, andando à procura de raízes comestíveis, Tucumim topou com um coelhinho, seu amigo, que estava numa armadilha com a pata machucada. O indiozinho colocou sobre o ferimento uma pasta feita com ervas, conforme lhe ensinara seu avô, e, em pouco tempo, o coelhinho saiu pulando. Antes de internar-se na floresta, ele se virou como a dizer:

— Obrigado, Tucumim. Você é um amigão!

Na manhã seguinte, quando foi pescar, Tucumim ouviu gemidos de dor. Era uma oncinha caída num buraco preparado como armadilha e que, na queda, tinha se machucado. Incansável, Tucumim fez um curativo na ferida e logo a oncinha corria feliz pela floresta, muito agradecida pela ajuda.

Tucumim, porém, estava preocupado.

Quem estaria colocando aquelas armadilhas na floresta e tirando a paz de seus habitantes? Sentiu medo.

Seu avô sempre dissera que ele deveria ter muito cuidado com o homem branco, que era mau e matava sem piedade, pelo prazer de matar.

Por isso, Tucumim tinha muito medo dos homens brancos.

Na verdade, nunca tinha visto um homem branco. Imaginava-os gigantescos e de fisionomia terrível e assustadora.

Assim, ao encontrar pegadas diferentes no chão, concluiu que só poderiam ser de homem branco, e ficou apavorado.

Contou na aldeia o que estava acontecendo e todos os índios ficaram assustados também. Resolveram sair e procurar essa criatura malvada que estava colocando em pânico os moradores da mata.

Procuraram... procuraram... procuraram...

Estavam cansados de andar quando ouviram uma voz que gritava:

— Socorro! Socorro! Tirem-me daqui!...

Seguindo o som da voz, chegaram até a beira de um grande buraco, no fundo do qual um homem gemia de dor.

Apesar de assustados, de arco e flechas em punho, os índios gritavam satisfeitos:

— Nós o apanhamos! Nós o apanhamos! Vamos acabar com ele!

Porém, Tucumim, que possuía um coração bondoso e sensível, ao ver aquela criatura gemendo de dor, condoído pensou:

“Mas ele não tem a aparência terrível e assustadora que eu imaginava. É igualzinho a nós. Só a roupa é diferente.”

Virando-se para seus irmãos de raça, falou:

— Não podemos matá-lo. Não percebem que ele é uma criatura como nós, que sofre e chora? Vamos, ajudem-me a tirá-lo do buraco. Está ferido e precisando de ajuda.

Com o auxílio de um cipó, os índios retiraram o caçador com todo o cuidado, colocando-o sobre a relva, à sombra de uma árvore.

Emocionado, o caçador não parava de agradecer:

— Se não fossem vocês, provavelmente eu morreria dentro daquele buraco. Não sei como lhes agradecer. Percebo agora o mal que fiz colocando todas aquelas armadilhas na floresta. Acabei caindo numa delas e agradeço a Deus por vocês terem me salvado. Como posso retribuir o bem que me fizeram?

Tucumim, porta-voz de toda a tribo, respondeu:

— É fácil. Não coloque mais armadilhas na floresta. Deixe os animais em paz.

O caçador, envergonhado, concordou:

— Nunca mais farei isso, prometo. Agora sei que tive o que merecia. Cada um é responsável por tudo o que faz, e eu mereci essa lição. Perdoem-me. Quero que sejamos amigos.

Percebendo a sinceridade do homem, os índios estenderam-lhe as mãos em sinal de amizade e depois o levaram para a taba.

Nesse dia prepararam uma grande festa para comemorar o acontecimento.

Afinal, todos somos irmãos!

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Aprendendo com a Natureza

Laurinha, menina boa e amorosa, ouviu uma palestra na escola dizendo que trabalhar é para pessoas adultas, e que crianças tinham apenas que estudar e brincar.

Assim, quando a mãe lhe pedia para fazer alguma coisa, alegava que precisava estudar, que os amigos estavam esperando para brincar, ver televisão, ou, simplesmente, que estava cansada.

Certo dia, vendo Laurinha sem fazer nada, sentada a soleira da porta da cozinha, a mãe pediu:

– Minha filha, enxugue a louça para mim, sim?

A resposta veio rápida:

– Não posso, mamãe, estou descansando.

A mãezinha pensou um pouco e disse com carinho:

– Laurinha, todos nós temos que dar nossa contribuição na vida colaborando para o bem-estar geral.

– Criança tem que estudar e brincar. Trabalho é coisa de adulto, mamãe – retrucou a menina, mostrando o que tinha aprendido.

– Não é bem assim, minha filha. A atividade remunerada, o trabalho profissional, é serviço de pessoas adultas. Porém, dentro da nossa capacidade, é preciso retribuir um pouco do muito que temos recebido da vida.

A senhora parou de lavar a louça e, virando-se para a menina, sugeriu:

– Laurinha, aproveite que não está fazendo nada, vá até o quintal e observe bem a natureza. Depois volte e conte-me o que você viu.

Embora de má-vontade, a menina levantou-se e saiu caminhando pelo quintal. No começo nada percebeu. Passou os olhos pelas flores que se abriam, coloridas e belas, enfeitando o quintal. Andou mais um pouco e viu uma laranjeira coberta de flores perfumadas. Depois, viu uma abelhinha apressada que ia de flor em flor, retirando o alimento, e em seguida, voava para o toco de uma árvore onde fabricava um favo de mel.

Observou laranjeiras com frutos pequenos e verdes, enquanto outras já tinham laranjas maduras.

Passando por uma mangueira, apanhou uma manga e sentou-se no chão para saboreá-la. Adorava mangas!

Olhou para o alto e viu um passarinho que apanhava gravetos no chão e levava para um galho, no alto da mangueira, e ali o depositava cuidadosamente construindo o seu ninho.

Olhando para o chão, viu uma fileira de formigas que carregavam folhas, cascas de frutas e migalhas de pão para o formigueiro.

Laurinha admirou a organização delas, andando em fila ordenadamente. Todas carregavam alguma coisa. Todas trabalhavam!

Depois de chupar a manga, como estivesse toda lambuzada, a garota voltou para casa. Lavou-se na torneira do quintal e entrou na cozinha, procurando uma toalha para se enxugar.

Vendo a menina, a mãe perguntou:

– E então? O que você observou?

– Bem, vi uma abelhinha recolhendo o néctar das flores de uma laranjeira e levando para produzir o mel. Observei também que tem laranjeiras com frutos pequenos e outras com laranjas maduras. Vi nossa mangueira cheia de mangas maduras e apanhei uma para chupar. Estava uma delícia!

A menina parou de falar, pensando.

– O que mais você observou, minha filha?

– Vi também formigas levando comida para o formigueiro. Era como
se elas tivessem ido ao supermercado fazer compras! Creio que foi só.

– E o que você achou de tudo isso?

– Percebi que a senhora tem razão, mamãe. Todos trabalham, mesmo os mais pequeninos: a abelha produz o mel, a árvore produz as flores que vão se transformar em frutos, as formigas levam comida para a família, o passarinho constrói sua casa...

– Muito bem, minha filha! E você poderia ter visto ainda muito mais: os insetos e pequenos animais que se alimentam dos frutos maduros que caem e que limpam o solo, a terra que recebe a semente e que a faz germinar, e tantas outras coisas.

Entusiasmada pelas descobertas, a menina concordou:

– Tem razão, mamãe, E tem o Sol que nos ilumina e aquece, a água que bebemos...

– Isso mesmo, minha filha. E tudo para quê?

– Para nos tornar a vida melhor e mais feliz. Tudo na natureza trabalha a benefício de todos. Como eu nunca tinha percebido isso?

Abraçando a mãe, Laurinha disse:

– Mamãe, também quero ajudar, colaborando para que todos sejam felizes. Aqui em casa, o papai trabalha para trazer dinheiro e podermos comprar alimentos e tudo o mais de que precisamos. A senhora faz todo o serviço da casa, limpando, lavando, arrumando e cozinhando. Também quero ajudar fazendo aquilo que for possível. Vou trabalhar daqui por diante ajudando a senhora e todos da nossa família. Sempre tenho recebido muito, agora quero aprender também a dar.

E a menina lembrava, com novo ânimo: posso regar o jardim, varrer o quintal, cuidar do cachorro, enxugar a louça, deixar meus brinquedos e minhas roupas arrumadas. Vou ter muito que fazer!

Autoria: Célia Xavier Camargo
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.