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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Refletindo Sobre a Criação


Lucas estava de férias da escola, mas, mesmo assim, sentia-se entediado devido ao cancelamento de sua viagem, há tempos programada. Andava de um lado para o outro quando se deparou com um livro e pensou: “Vou lê-lo, quem sabe o tempo passe mais rápido”.

A leitura era sobre a criação do Universo, dizia que Deus o criou como em um “passe de mágica”, apenas com um gesto tudo apareceu. Assim também criou as primeiras figuras humanas, Adão e Eva.

Para Lucas aquilo não parecia ter sentido, mas continuou a leitura, queria terminar aquele raciocínio para que pudesse formar a sua opinião. Foi quando chegou sua prima, Clara, que vinha entregar as encomendas para sua tia, mãe de Lucas, pois Clara fazia lanches para vender, e era a responsável pelo lanche daquela tarde.

Ao chegar, Clara cumprimentou carinhosamente o primo que estava entretido nas páginas do livro, e não conteve a curiosidade:

- Mas que livro é esse Lucas, que você está lendo com tanta atenção?

Lucas voltou o olhar para a prima e respondeu:

- É um livro que achei aqui em casa, veja!

Clara olhou, viu de que se tratava e perguntou ao primo:

- Você concorda com essa teoria?

Lucas rapidamente respondeu:

- Eu não concordo com a forma que diz como tudo foi criado, mas acredito na autoria, sei que Deus é o Pai Universal, o Criador de tudo. E também tem essa história de Adão e Eva que para mim não tem coerência. Não acredito que toda a maldade mundana originou-se só porque Eva comeu a tal maçã, que ela é a culpada pelas nossas dores ou castigos. É conveniente acreditar nessa teoria, pois é tão mais fácil culpar essa mulher de todos nossos pecados. Sem falar que Adão e Eva, pela lógica, não poderiam originar todos os povos, toda a raça humana. A ciência explica a criação de forma diversa. Na minha opinião, a religião e a ciência deveriam andar de mãos dadas.

Clara surpreendeu-se com o primo, não imaginava que ele, tão novo, tivesse esse pensamento. Então, inspirada, respondeu:

- Sim, Lucas, concordo com você. Na ciência há leis da matéria e na religião há leis morais, e todas elas provêm de um princípio que é Deus, portanto uma não pode contradizer a outra, e sim, se completarem. Eu acredito que nada pode ser criado “magicamente” de uma hora para outra. A criação foi feita com muita calma, no decorrer do tempo, respeitando-o, através de uma evolução que vai desde o reino vegetal até o ser pensante, e tudo é regido por uma força maior, causa primária de todas as coisas, ou seja, Deus.

Depois de ouvir atentamente a prima, Lucas respondeu:

- Nossa Clara, como você sabe tudo isso?

- É um assunto que sempre me questionei, então comecei a estudar, li alguns livros a respeito e, hoje, já tenho a minha opinião formada sobre a criação.

A explicação de Clara foi fundamental para que Lucas pensasse a respeito. Os dois ficaram conversando a tarde toda, e não viram o tempo passar.


Juliana Guzzo

Fonte da imagem: Internet Google.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Buscando Solução


O pequeno Gabriel, de sete anos apenas, andava muito triste.

O ambiente da sua casa, que sempre fora cheio de paz, amor e alegria, já não era o mesmo.

Desde algum tempo, percebia que seus pais brigavam muito. Mal se falavam e, quando isso acontecia, era para discutir.

Gabriel e seus irmãos, Clarinha e Vinícius, pouco mais velhos do que ele, ficavam quietinhos no quarto, com o coração apertado de preocupação, sem saber o que fazer para ajudar.

Um dia, os pais brigaram tanto que o pai saiu de casa batendo a porta com estrondo, e a mãe ficou chorando muito em seu quarto.

Gabriel não conseguia pensar em nada mais. Não estudava, não brincava, não conseguia fazer seus deveres e estava indo mal na escola.

Há dois dias eles tinham brigado e o pai ainda não voltara para casa. Sua mãe parecia uma sombra, sempre de olhos inchados de tanto chorar.

— Mamãe, o papai não vai voltar? — perguntou, preocupado com a situação.

A mãezinha abraçou-o com carinho e sorriu, afirmando:

— Claro que vai, meu filho. Ele está muito ocupado com o trabalho, por isso não tem vindo para casa.

Não se preocupe. Tudo vai bem.

Mas Gabriel sabia que nada ia bem. E ele pensava: “O que será de nós se papai não voltar? Como ficará nossa vida? Será que ele não gosta mais de nós?”

Mas não encontrava resposta para essas perguntas. Porém, ele sabia que precisava fazer alguma coisa.

Lembrou-se de que sua mãe costumava dizer que Deus sempre tinha uma resposta para nos dar diante dos sofrimentos, e que se a buscássemos nas palavras de Jesus, encontraríamos o socorro desejado.

Então Gabriel pegou o Evangelho, abriu numa página qualquer, certo de que Jesus certamente o ajudaria mostrando o caminho. De olhos fechados, colocou o dedinho num local da página. Seus olhos fixaram-se na frase onde colocara o dedo, e leu: “Quem pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate à porta, ela se abrirá.”

De olhos arregalados, leu a frase várias vezes. Sim! Mamãe tinha razão! Jesus tinha lhe mandado a resposta. Entendeu que teria que orar pedindo o que desejava, e que encontraria um meio de resolver a situação dos pais.

Gabriel começou a orar, pedindo a Deus que não permitisse que sua família fosse destruída.

Todas as vezes que se lembrava do problema, ele repetia a oração.

Aquela noite ele conseguiu dormir mais tranquilo.

De manhãzinha, acordou com uma “ideia luminosa” na cabeça. Pegou lápis e uma folha de caderno e escreveu um bilhete para o papai, nestes termos:

“Querido Carlos, eu amo você. Precisamos conversar. Eu espero você naquele restaurante que a gente sempre vai, às oito horas da noite. Um beijo, Fernanda.”

Escreveu outro bilhete igualzinho, só trocando os nomes, como se fosse o papai convidando a mamãe para um encontro. Olhou os bilhetes, contente com ele mesmo. Depois, todo alegre, deixou o bilhete para a mãe na porta da rua, para que ela o encontrasse ao abri-la.

Arrumou-se para ir à escola e, quando foi tomar café, notou que a mãe já estava mais animada.

Na saída da escola, passou no prédio onde seu pai trabalhava, que era bem pertinho, e deixou o bilhete com o porteiro para lhe entregar. Em seguida, pôs-se a orar para seu plano dar certo.

De tarde, sua mãe avisou aos filhos que iria sair um pouco à noite. Depois, foi ao salão se arrumar.

Gabriel não tinha contado nada aos irmãos, que estranharam o comportamento da mãe. Ande será que ela iria?

De noite, a mãe apareceu na sala, já toda arrumada e perfumada, avisando:

— Não vou demorar. Tranquem bem a porta e não saiam de casa.

Mais tarde, quando voltou, os irmãos tiveram uma grande surpresa: o pai a acompanhava.

Carlos abraçou os filhos, com muito amor. Após matarem a saudade, o pai disse às crianças:

— Meus filhos, hoje eu percebi o mal que estava causando a vocês. Eu e a mãe de vocês conversamos e resolvemos nunca mais brigar. Procuraremos acertar nossas diferenças, daqui em diante, dialogando em paz. Hoje compreendemos que, se existe amor, não há o que não se possa resolver.

Parou de falar, enxugou uma lágrima, e prosseguiu:

— E isso nós conseguimos graças ao Gabriel, que encontrou a maneira certa de nos aproximar de novo.

E contou, diante de Clarinha e Vinícius, que ouviram surpresos o que o filho tinha feito.

Muito admirado, Gabriel perguntou:

— Mas como vocês descobriram que fui eu?

Todos riram, quando os pais mostraram os bilhetes que tinham recebido.

Aquela letrinha, a mesma nos dois bilhetes, e tão conhecida, só podia ser a do Gabriel!

O garoto ficou encabulado por ter sido descoberto. E o pai, desarranjando lhe os cabelos, disse emocionado:

— Todos nós temos a agradecer ao nosso querido Gabriel, que soube resolver a situação que eu e sua mãe criamos.

Gabriel sorriu, satisfeito e aliviado, e contou:

— Agradeçam a Jesus. Foi ele que me mostrou o caminho!

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Sinal Vermelho


Minha mãe, dirigindo o carro, parou para aguardar o sinal verde. Enquanto esperávamos, um carro e uma moto ultrapassaram o sinal vermelho.

Nós duas nos olhamos e eu perguntei:

- Não está vermelho o sinal?

Minha mãe respondeu afirmativamente.

- E por que eles passaram?

- Boa pergunta. Não sei por que eles desobedeceram às leis de trânsito. Felizmente não houve um acidente, mas algo muito grave poderia ter acontecido.

O sinal abriu e seguimos rumo à escola. Foi quando minha mãe indagou:

- Você sabe a diferença entre as leis humanas e as leis divinas?

- Não, não sei – eu realmente não sabia.

- As leis divinas regem o Universo e não mudam, como a lei de reencarnação e a lei de evolução. As leis humanas são elaboradas pelos seres humanos e mudam, conforme a época e a evolução do povo. Devemos obedecer às leis humanas, porque elas ajudam as comunidades a viver em harmonia. Já pensou se ninguém respeitasse as leis de trânsito? Quantos acidentes!

- O mundo seria uma bagunça! Sem leis seria o caos – pensei alto.

- Isso mesmo – mamãe concordou. Mas há um detalhe: as pessoas podem desrespeitar as leis humanas sem efeitos imediatos, como o motorista que passou o sinal vermelho, porém, ninguém foge às leis divinas. Todas as nossas atitudes tem consequências, boas ou más, conforme a ação praticada. É a lei de causa e efeito, a que todos estamos sujeitos.

- Então aqueles motoristas vão sofrer um acidente mais tarde, porque passaram o sinal vermelho?

- Não necessariamente. Mas todas as nossas atitudes, boas ou más ficam registradas no nosso “livro da vida”.

- “Livro da vida”? Nunca ouvi falar...

- Uns chamam de “livro da vida”, outros de consciência. É onde estão registradas as leis divinas, e também nossas atitudes e pensamentos. E quando desencarnarmos, e fizermos uma análise da última existência, acessaremos esses arquivos de memória. Por isso aquele ensinamento de Jesus: “Vigiai e orai”! Vigiai os seus pensamentos e ações, a fim de não realizar escolhas erradas, que tragam tristeza e arrependimento no futuro.

Minha mãe e eu somos espíritas. Essa foi mais uma das lições que aprendemos juntas. Ainda falta muito tempo mas, quando eu dirigir meu carro, já sei que devo obedecer as leis de trânsito. Porque, em harmonia com as leis humanas e divinas, estou no caminho da evolução e da felicidade.


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

A lição do Totó


Era uma vez um menino que se chamava Juquinha.

Juquinha era muito malcriado. Gostava de brigar com os outros garotos e divertia-se em maltratar os animais.

Os garotos se defendiam, mas os pobres animais, muito dóceis e humildes, não reagiam.

Ele vivia atirando pedras nos passarinhos e destruindo seus ninhos; puxava o rabo dos gatos, batia nos cachorros e arrancava penas das galinhas.

Um horror! Ninguém gostava dele.

Sua mãe, que era uma mulher muito bondosa, condoída da sorte dos bichinhos que tinham a infelicidade de cair nas mãos do menino, tentando corrigi-lo aconselhava com carinho:

— Juquinha, meu filho! Tome cuidado. Um dia você ainda vai se arrepender! Que mal lhe fizeram esses pobres bichinhos? Eles são filhos de Deus, como nós, e merecem todo o nosso respeito e carinho.

Mas, qual nada! Juquinha sacudia os ombros, fazia uma careta e ia brincar, sem se importar com os conselhos de sua mãe.

Um dia Juquinha resolveu sair para passear com seu cachorrinho Totó.

O cãozinho ia à frente, todo satisfeito, abanando o rabo. Era tão difícil Juquinha convidá-lo para sair!

Caminhando pela rua, o menino avistou um pequeno galho que tinha caído de uma árvore. Pegou-o, fez com ele uma varinha, e começou a agitá-la no ar. Depois, tendo outra ideia, com más intenções, ameaçou Totó com a varinha, como se fosse bater nele.

O cãozinho, que vez por outra olhava para trás, viu o gesto e percebeu a intenção do garoto.

Totó, que já estava cansado dos maus tratos recebidos do seu dono, resolveu lhe dar uma lição.

Virou-se e deu uma mordida na perna do Juquinha. Uma pequena mordida, apenas para assustá-lo, dar-lhe uma lição. Mas o menino, surpreso e apavorado, começou a chorar de dor.

Com a dor que sentiu ao ser mordido pelo cão, que sempre fora seu amigo, Juquinha percebeu o que os animais sentiam quando ele os machucava.

Desse dia em diante ele tornou-se um menino bonzinho e protetor dos animais.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

FRED O GAROTINHO FEIO


Era uma vez um garotinho que se chamava Frederico, mas todos o conheciam como Fred. Ele era o caçula de nove irmãos. Mas Fred era diferente, ele era feio, muito feio. O coitado tinha as pernas e braços tortos, o rosto esquisito, parecia um monstrinho.

Os irmãos não brincavam muito com ele, porque Fred era muito lento e desengonçado. Não conseguia correr, pular, jogar bola como os outros. Alguns até riam dele e debochavam do seu jeito de andar.

Não adiantava muito as recriminações de seus pais, que sempre diziam:

- Não façam isso, ele é uma criança como vocês.

Nem na escola ele ia, porque nenhum colégio queria aceitar um menino tão feio e esquisito, para não espantar os outros alunos.

Tinha que aprender tudo em casa mesmo, com sua mãe.

Fred quase não saia de casa. Os olhares das pessoas às ferem mais do que as palavras. Todos pareciam achar que a feiura de Fred era contagiosa. Os vizinhos não brincavam com ele, porque suas mães não deixavam.

Como sofria aquele garotinho. Sofria e chorava pelos cantos da casa ou nos braços de sua mãe. E os dois choravam juntos...

- Como os seres humanos podem ser tão desumanos? - pensavam – Quando começarão a ver os deficientes como pessoas normais, que lutam pelo seu espaço? Choram, sofrem e amam como todos nós?

E o tempo foi passando. Ele foi crescendo, sua aparência foi piorando, mas em compensação ele foi ficando mais bonito por dentro.

Ele conseguia escrever poemas cheios de ternura e amor, pintar lindamente mesmo com seus braços defeituosos e mãos tortas. Era amigo de todos, amava a vida, tratava a todos com carinho e atenção.

Sempre quando algum irmão seu tinha problemas, ia à sua procura para desabafar. Ele escutava com atenção e procurava ajudar.

- Esse Fred é um amigão - diziam.

E ajudava a todos que batiam à sua porta, com seu jeito especial.

Até os vizinhos agora gostavam dele....

Fred não ficava mais só em casa, porque as pessoas começaram a vê-lo de maneira diferente.

- Fred não é feio, é lindo - pensavam.

- Quem dera se todos fossem iguais a ele, esse mundo seria tão diferente...

Mas, um dia...

Um dia ele acordou sentindo muita dor, seus pais preocupados chamaram o médico.

- O que será que está acontecendo?

- Será que é grave? - pensavam.

A doença era grave.

Foi uma tristeza geral.

Ele que sempre cuidou de todos com carinho e atenção agora necessitava de cuidados.

Fred, sempre sorrindo, não deixava que ninguém percebesse a gravidade de seu problema, a intensidade de suas dores.

- Oh Deus! Que eu tenha forças para suportar esse sofrimento até o fim... e, Senhor, cuide de todos por mim. Agora que não posso mais.

- Orava em seu quartinho.

Suportou até o fim, sem se queixar ou lamentar.

Deixou muitas saudades...

Saudades daquele garotinho feio, tão desprezado, mas que com o passar do tempo, amado por todos.

Um patinho feio por fora, que por dentro, se transformou num lindo cisne.

UM CISNE DE BONDADE, AMOR E LUZ, QUE TODOS NÓS PODEREMOS SER. BASTA QUERER.

QUERER COM O CORAÇÃO E FAZER COM AMOR.

Quem sabe, um dia... seremos todos cisnes?

Autora Luciana - Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Viver de lá pra cá, de cá pra lá...


Era uma vez um menino chamado Alfredo.

Ele era muito legal, e fazia o que toda criança de sua idade – oito anos – costuma fazer: ia à escola, brincava, praticava esporte... Só que ele tinha uma característica especial...

Qual será? Vocês sabem? Nãããoo?? Vamos ver?!

Alfredo não enxergava, ele nasceu com deficiência visual.

Alfredo estudava em uma escola destinada a deficientes visuais e, entre todas as matérias ali ensinadas, a música era a de que mais gostava.

Rita, a sua professora, tinha um carinho especial por Alfredo, achando-o uma criança muito alegre e esforçada.

Um dia, no intervalo de aulas, Rita estava no pátio, ouvindo um CD que ganhara de presente e, como Alfredo se aproximava, ela o chamou para ouvirem juntos as músicas que eram bastante alegres.

O CD que Rita ouvia era com músicas espíritas e a música que Rita estava ouvindo chamava-se “Sempre Viver”.

Alfredo adorou a música e chegou a cantarolar um pedacinho, mas, como ele não era espírita, ficou sem entender direito a letra.

- Puxa, Rita, que música legal! A gente aprende num instante! Só que eu não entendi muito bem esse negócio de viver de lá pra cá, de cá pra lá...

A professora, que era espírita, viu que aquele momento poderia ser muito importante para Alfredo, se ela lhe desse algumas informações que o Espiritismo nos fornece a respeito da vida, da eternidade, do Espírito, do nosso objetivo na Terra... E falou a ele, com muito carinho:

- Alfredo, esta música fala sobre reencarnação, que é um ensinamento de Jesus e também da Doutrina Espírita. Nós fomos criados por Deus para sermos perfeitos, e como em uma só vida não dá pra aprender tudo, a gente nasce várias vezes!

A cabeça de Alfredo fervilhou de curiosidade! Ele já ouvira falar em Espiritismo, tinha até um tio que frequentava um Centro Espírita.

Interessado que ficou, fez uma porção de perguntas para a professora...

- O Espírito é criado por Deus na hora do nascimento da criança? Que acontece com o Espírito quando o corpo morre? Por que, quando a gente reencarna, fica um corpo diferente do que a gente tinha? Um defeito que a gente tem, como a minha cegueira, quando desencarnamos, ele continuará a existir? Por que umas pessoas nascem de um jeito e outras de outro jeito? Eu posso encontrar as pessoas de quem eu gosto, e as de quem eu não gosto, na minha próxima reencarnação? Como vou saber isso? Quando a gente encontra dificuldades numa reencarnação é porque não fomos bons na outra passada? O defeito que a gente tem, como a minha cegueira, eu vou ter na próxima reencarnação?

Uuffaaa..., quantas perguntas que o Alfredo fez num fôlego só, né mesmo?

Que tal vocês mesmos responderem ao Alfredo?

Passado algum tempo, depois que o Alfredo recebeu todas as respostas e que a Rita foi explicando mais miuçadinho; Fred estava muito feliz com as respostas, porque assim ele percebeu que Deus não o “castigava” com a deficiência visual; aquela era uma oportunidade para aprender outras coisas, outras habilidades, e ele, como Espírito, não era cego, existindo aquela limitação apenas no corpo físico.

Uma grande esperança começou a nascer naquele coraçãozinho, fazendo Rita também muito feliz.

- Sabe, Rita, gostei desses ensinamentos do Espiritismo! Quando o Tio Jorge for lá em casa poderei conversar com ele um pouco mais.

- Isso mesmo, Alfredo. Tenho certeza que você aproveitará bastante! E também, quando quiser, poderemos continuar nosso papo, pois há muita coisa na Doutrina Espírita que você gostará de aprender!

Como estivesse acabado o intervalo da aula, os dois, abraçados, seguiram cantarolando para a sala de aula:

- Eu sei que vou viver de lá pra cá, de cá pra lá ... Eu sei que vou viver, aprendendo sem parar!

Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.

domingo, 15 de março de 2020

MINA E CELMA


Mina e Celma descendiam de famílias que imigraram para o Brasil. Foram amigas nos dias da infância, mas se tornaram adultas, casaram-se e nunca mais se encontraram.

Depois de transcorridos muitos anos, certa tarde Mina foi visitar uma amiga. Como houvesse se demorado mais do que o previsto, fez parar um taxi e tomou caminho de volta. Notou que ao volante estava uma mulher e pôs-se a conversar com ela.

Ambas notaram algo de familiar entre as duas e finalmente reconheceram-se. Celma, simples, porém autêntica; e Mina, sofisticada, presunçosa e toda superficial.

Notando que Celma era a mesma pessoa ingênua, articulou um plano para vê-la humilhada ao seu lado. Convidou-a para um chá íntimo e ela credulamente aceitou. No horário estabelecido, Celma compareceu nos seus trajes de serviço.

Mina preveniu as amigas da sua roda sobre o jeito de ser da convidada, mas se fingiu cordial ao recebê-la. Vieram os cumprimentos estudados, um pouco de conversa e em seguida foi servido um cálice de licor acompanhado de canapés; mas tudo com grande requinte. Sem se preocupar com o aparato, Celma serviu-se a vontade.

Falou alto, gesticulou o quanto julgou necessário. Daí..., olhares zombeteiros, risinhos irônicos e piscadinhas maliciosas... Celma, o alvo das atenções.

Mas esta cena não se prolongou por longo tempo. O telefone tocou. Avisava que o neto de Mina fora acidentado.

Esta, transtornada, retorna a sala e comunica o fato.

Foi então que ela viu sair cada amiga sem se preocupar com o seu desespero. Mas Celma permaneceu. Solicita e experiente, entrou logo em ação, conduzindo Mina a clínica onde o neto se encontrava, e para satisfazer as exigências preliminares do hospital, ela teve de emprestar dinheiro também.

Estava sendo exigida a presença dos pais da criança e foi a essa altura que Mina precisou dizer que a filha era desquitada e o garotinho sofria muito com a ausência do pai.

Celma, seguindo a direção indicada pela amiga, saiu a procura da mãe e depois do pai da criança, mas só depois de uma hora de busca os dois foram encontrados.

O pai, bebendo num bar e a mãe jogando numa casa de jogos clandestinos. De volta a clínica, novo problema: sangue para o menino.

Mina se comunica com sua roda de amigas, mas nenhuma foi encontrada com disposição para doar.

Celma ligou para as suas vizinhas e não tardou surgir um grupo da amizade dela e a criança recebeu o sangue necessário. Alta madrugada, Mina e Celma se separaram, porém o quadro era outro.

A primeira sem a máscara da hipocrisia, humilhada e envergonhada, sentia-se pequena ao lado, da verdadeira amiga. Esta, cansada mas feliz, estava em paz consigo mesma, por haver cumprido o dever de "SER AMIGO"

Autor Desconhecido - Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.

domingo, 1 de março de 2020

O BESOURO INVEJOSO


Vocês já foram passear na roça? Vocês já viram que à noite, em alguns lugares escuros há um bichinho que tem luz muito bonita?

Ah! É o vaga-lume.

Pois bem, da janela de sua toca, o besouro fungava aborrecido, olhando a lanterna verde que o vaga-lume acabara de acender.

Quanto brilhava! Parecia uma pequenina estrela caída do céu. Tão linda!

O besouro era assim. Sempre queria ser igual aos amigos, aos vizinhos, aos parentes. Quando o gafanhoto comprou uma casaca verde e apareceu todo bonito na festa dos bichinhos, ele ficou de boca aberta, querendo ser como o gafanhoto.

Voltou para casa aborrecido e tristonho.

O que aconteceu – perguntou- lhe a mulher. Ele não respondeu e foi dormir todo zangado.

O mesmo aconteceu quando ele ouviu o canarinho cantando.

Que voz linda. – pensava ele. – E eu não sou capaz de fazer um assobio.

E assim, sempre querendo ser como os outros, era um besouro triste.

Mas, o que mais irritava mesmo era o vaga-lume, pois, pensava ele:

O vaga-lume não e um bichinho como eu? Por que tem ele aquela lanterna verde tão bonita e eu não tenho?

De tanto se aborrecer com isso, o besouro resolveu abandonar tudo e ir morar sozinho na floresta. Mas ele ia tão afobado, tão raivoso, que não vendo os galhos secos de uma arvore, estes lhe feriram os olhos.

Ah! Que dor nos olhos! Quase não vejo nada... Como poderei caminhar?

E ficou parado por instantes quando ouviu uma vozinha:

Que bichinho bonito, como ele tem as patas bem feitas. São tão bonitinhas as suas patas! Como e o seu nome?

Mas, o besouro com olhinhos machucados não viu a formiga e como a formiga havia falado em bichinho bonito, ele não pensou que fosse com ele.

Fale o seu nome, eu sou a formiguinha.

Está falando comigo? Eu me chamo besouro. Machuquei os olhos nestes galhos.

Espere um pouco, vou buscar água fresquinha para banha-lo e num instante ficara bom.

Enquanto ele esperava, ouviu outra voz:

Que bichinho interessante! Tão bonitinho! Ele tem o corpo coberto por uma capa preta!

Isso não e capa preta, são minhas asas...

Ah! Você tem asas! Pode voar. Oh! Como você é feliz!

Enquanto isso, a formiguinha já tinha chegado. Lavou os olhos do besouro, pôs uma pomadinha e ele passou a enxergar bem. Pode ver, então, que quem falava com ele era a minhoca. E olhando ao seu redor viu tantos bichinhos..., uns pequenos, outros rastejando pelo chão, e, apesar de tudo viviam felizes.

Começou a pensar..., olhou para as suas patinhas..., tão bem feitas. Olhou para suas asas fortes..., sem elas nunca poderia voar. E tão depressa...

E o besouro continuou pensando:

- Estes bichinhos não tem nada disso e vivem contentes, nem ficam irritados por não serem como eu sou... Ah! Eu também vou procurar viver alegre com o que eu tenho e não ficarei mais triste com a beleza do vaga-lume, nem de bicho algum.

Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

NASCER DE NOVO


Jorge é um menino que mora no bairro nos arredores de uma grande cidade.

Com oito anos, é conhecido de todos, por ajudar seu pai, que é pedreiro, e por estar sempre com um sorriso no rosto.

Quem o conhece o chama de Pedreirinho.

Jorge está na segunda série do Grupo Escolar. Todos os dias, ao chegar da aula, troca de roupa, almoça e vai levar o almoço do pai, geralmente em uma obra ali mesmo no bairro. E fica lá para ajudá-lo.

A família de Jorge - papai, mamãe e um irmãozinho (O Quico) - vive em harmonia. E muita dessa paz é devida a um bonito hábito que têm: uma vez por semana se reúnem para orar, para conversar sobre os ensinamentos de Jesus. Essa reunião é chamada de estudo do Evangelho no Lar.

Um dia, quando Jorge ia levar o almoço para seu pai, a vizinha o chamou e disse:

- Pedreirinho, fale com sua mãe que agora sou vovó. A Terezinha, minha filha mais velha, ganhou um bebê..., uma linda menina!

- Está bem - disse o garoto - vou voltar e lhe dar a notícia agora mesmo.

Jorge voltou rapidamente em casa, deu o recado à mãe e foi levar o almoço do pai.

À noite, quando já tinham jantado e estavam a conversar na sala, descansando dos trabalhos do dia, Jorge perguntou à mamãe:

- Mãe, você foi ver o neném da Terezinha?

- Fui sim, querido; eles estão muito felizes com o bebê, que é uma linda garotinha.

E continuou...:

- Bem, meu filho, quando nasce uma criança aí temos um Espírito recebendo um corpo novo para continuar sua evolução.

Papai, que estava bem interessado na conversa, ia falar alguma coisa, mas o Quico, o irmãozinho mais novo, disse rápido:

- Mamãe, eu sei porque a gente nasce; você já disse isto no Estudo do Evangelho: é que a gente reencarna.

Papai balançou a cabeça afirmativamente, satisfeito com o interesse dos filhos em assunto tão importante, e com a vivacidade do Quico.

Jorge, então disse:

- Eu me lembro do que a mamãe falou; foi na semana passada. Mas ainda não entendi bem porque a gente precisa nascer tantas vezes, sempre ganhando um corpo novo. Será que não dava pra gente aprender tudo o que precisa para ser um Espírito mais iluminado em uma encarnação só?

Quico arregalou os olhos e ficou esperando a resposta...

Mamãe, então, falou:

- Seu pai e você, por mais que se esforcem, conseguem fazer uma casa em um dia?

- Ah, claro que não, né mãe?! Há muiiiito trabalho...

- Ei, Jorge - disse Quico - eu posso ajudar. Sei colocar direitinho um tijolo em cima do outro para fazer as paredes...

Todos riram com a tirada do Quico... E Jorge disse ao irmão:

- O caso, Quico é que uma casa não é feita só com paredes não, sabe? Primeiro a gente faz o alicerce, para as paredes ficarem no prumo, como diz papai... Temos, também, que deixar lugares para as portas, para janelas, para fiação.... Iiihh!! é a maior trabalheira...

- Pois é - falou papai - como a mãe de vocês estava dizendo, o Espírito reencarna para aprender. E ele aprende por etapas, já que não dá para aprender tudo em uma reencarnação só. Além disso, quando ele erra e não tem tempo para consertar o erro, a reencarnação funcionará como nova oportunidade, como um outro dia. Tudo isto mostra o amor e a sabedoria de Deus, não acham?

Jorge e Quico pararam um pouquinho... pensaram..., e Jorge disse:

- Deus é mesmo muito sábio e muito bom, nos dando tanta chance para aprender e ser feliz...

- Legal..., muito legal - disse Quico, muito contente porque, tão novo ainda, já conhecia tantos ensinamentos legais e teria bastante tempo para aproveitá-los. Aliás..., igualzinho a vocês, né?

Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

FÉRIAS DE VERÃO


Sol, mar e areia!

Naquele verão papai alugou uma casa no litoral onde passaríamos as férias.

Minhas irmãs e eu estávamos muito felizes. Levantávamos cedo e, levando brinquedos e a vontade de aproveitar o mar e a areia branquinha, logo fizemos muitas amizades.

Os dias transcorriam alegres e ensolarados.

Algumas vezes, mamãe e papai levavam-nos para caminhar à beira-mar, quando colhíamos conchas trazidas pelo vai-e-vem das ondas.

Em uma das caminhadas habituais, papai comprou sorvetes para refrescar-nos do calor intenso. Minha irmã mais nova, não encontrando local apropriado para jogar a embalagem do sorvete, jogou-a na areia ao que mamãe solicitou que juntasse, até que pudesse jogá-la na lixeira mais próxima.

Papai ensinou que ao abandonarmos objetos e lixo na praia estamos contribuindo para o desequilíbrio do meio ambiente, poluindo as águas, prejudicando os animais que vivem e procriam no mar, além de comprometer a saúde das pessoas.

Eu, minhas irmãs e nossos amigos ficamos preocupados e observando as inúmeras latas descartáveis, papéis, frascos vazios e sobras de alimentos abandonados na praia, tivemos a ideia de ir até o posto dos salva-vidas mais próximo perguntar-lhes como poderíamos ajudar a manter a praia limpa. Um deles pensou um pouco, sorriu e apontou um fardo de pequenos sacos plásticos coloridos, respondendo:

— Crianças, a tarefa principal dos salva-vidas é proteger a vida de todos os banhistas. Distribuir esses cartuchos de lixo aos veranistas também é uma forma de salvar vidas, protegendo a Natureza.

— Se os seus pais permitirem, vocês poderão distribuí-los.

Com a permissão e participação de nossos pais, todos os dias e até o final das férias, reservávamos uma pequena parte da manhã, onde saíamos empolgados, a distribuir os cartuchos coloridos às pessoas.

Ficamos felizes com a atividade e a praia ficou mais limpa, mais bela e mais segura para todos.

Com aquele simples gesto pudemos declarar nosso amor a Deus e à Natureza que, agradecida, nos proporcionou férias de verão maravilhosas.

Daquele verão trouxemos muitas fotografias e lembranças, onde a colaboração de Salvar a vida protegendo a Natureza foi a mais valiosa e inesquecível de todas.

Fonte: CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo.
Fonte da imagem: Internet Google.