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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Minha Cidade É Especial

Dona Luísa, mãe de Luna, estava no facebook e chamou a filha:

 

- Venha ver estas fotos que Antônia postou!

 

Luna se apressou – adorava fotos! Eram fotos da cidade em que a prima morava, realmente lindas! Era inverno e as ruas e praças estavam cobertas de neve. Havia um enorme parque temático perto da cidade e Antônia tinha ido andar de esqui, de trenó. Tudo era tão lindo e diferente!

 

- Odeio minha cidade! – reclamou Luna. Não tem neve, não tem parque, não tem nada pra fazer! É uma cidade feia e sem graça!

 

A mãe apenas ouviu, não disse nada.

 

Alguns dias depois de uma conversa da mãe com a professora de Luna, a menina tinha como tarefa da escola um trabalho com o tema: Minha cidade – aspectos positivos e negativos.

 

- Nem sei como começar! – protestou Luna.

 

- Converse com algumas pessoas, sugeriu a mãe.

 

- Vou começar por você, mãe!

 

- Não, eu serei a última entrevistada, sorriu dona Luísa.

 

Como sabia que não adiantava reclamar, Luna começou as entrevistas. Falou primeiro com a avó Ângela, que contou como a cidade era antigamente e como mudou ao longo dos anos: novos prédios, novas escolas, praças modificadas, além de muitas lembranças... A avó falou do local onde conheceu o avô de Luna, a Igreja onde casaram, o hospital onde nasceu dona Luísa, a escola onde ela, como professora, viu muitas crianças crescerem, até se tornarem pais e mães, de outras crianças, que agora frequentam a mesma escola... Ela até deu algumas dicas de lugares para Luna fotografar.

 

No outro dia, Luna foi conversar com seu tio Carlos, que contou que adora a cidade em que mora, pois tem muitos amigos; que eles se encontram pra jogar futebol e estudar no Centro Espírita que ele frequenta há muitos anos.

 

Luna também entrevistou o pai, e seu Juarez falou da poluição, das pessoas que jogam lixo nas ruas e nos rios, daqueles que não cuidam das calçadas em frente às suas casas. Quando ele parecia desanimado, seu olhar mudou, e ele falou que cabe a cada um fazer a sua parte para cuidar com responsabilidade do lugar em que vive. Depois da conversa, Luna ficou pensando como poderia fazer a parte dela para que a cidade fosse limpa e boa de viver.

 

A prima Clara contou à Luna que estava feliz, porque estava estudando Veterinária, curso conquistado pela Universidade local há poucos anos. Falou das oportunidades de estudo e trabalho, e das indústrias. Luna ouviu atentamente e anotou tudo.

 

Ao retornar da casa de Clara, Luna observou que havia buracos nas ruas e poucas árvores. Minha cidade não é perfeita, pensou.

 

Ao ouvir a mãe, Luna entendeu que, embora a cidade tivesse alguns aspectos negativos, é o local que, provavelmente, ela escolheu na espiritualidade para reencarnar, para aprender e evoluir.

 

Luna pesquisou na Internet a história da cidade, os pontos turísticos e acrescentou fotos aos relatos: prédios, árvores, praças, famílias, estudantes, tornando o trabalho escolar um sucesso!

 

Mas o mais importante é que Luna compreendeu que a cidade que escolhemos para viver é especial e importante para o progresso individual e coletivo. E que, embora possa não ter parques temáticos e outras coisas que gostaríamos, é o lugar adequado a cada um. Afinal, é onde escolhemos viver e progredir material e espiritualmente, através do convívio com outras pessoas e dos desafios diários.

 

Claudia Schmidt

 

Fonte da imagem: Internet Google.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Uma Amizade Especial


Era uma vez um menino chamado João, ele era filho único e morava com seus pais. João sempre sentiu-se muito amado por sua família.

Diante do planejamento reencarnatório familiar, os pais de João decidiram ter mais um filho, João ficou muito feliz com a ideia de ter um irmão.

Passaram-se nove meses e o bebê nasceu. João ganhou um irmão como desejou, ele se chamava Pedro. Porém com o passar dos dias, João começou a nutrir um sentimento desagradável, o ciúme, e a pensar que seus pais davam somente atenção para o bebê, e talvez já não o amassem tanto quanto antes. Para João, Pedro era agora o centro das atenções da família.

João era um menino muito sensível e inteligente, e começou a perceber a preocupação de seus pais, pois o bebê estava demorando muito para falar. O pequeno João se deixou envolver pelo amor de seu irmão, e passou a dar mais atenção para Pedro, que ficava muito feliz com as demonstrações de afeto do seu mano mais velho.

Com muito carinho os pais de João lhe explicaram que seu irmão tinha dificuldades para ouvir e que provavelmente não conseguiria falar. Cada vez mais João procurava entender as necessidades de seu irmão e passou a inventar brincadeiras em que a fala não era importante.

Os meninos cresciam e cada vez se amavam mais. Eles dormiam no mesmo quarto. E foi numa linda noite de verão que João começou a ouvir vozes durante o sono, acordou e percebeu que não havia mais ninguém no quarto, além dele e seu irmão caçula que dormia profundamente.

Ao dormir novamente voltou a ouvir a mesma voz, se concentrou para entender o que ela dizia, e assim ouviu:

- João meu querido, sou eu o Pedro seu irmão. Você sabia que durante o sono, enquanto nosso corpo descansa, podemos nos libertar dos limites do nosso corpo e em Espírito nos encontrar com aqueles que amamos?

João se sentiu muito feliz ao descobrir que durante o sono poderia conversar com seu irmão. Quando acordaram João ainda lembrava daquele encontro feliz.

Era feriado e o pai dos meninos levou-os para brincarem no parque da cidade. Eles brincavam felizes quando começou a chover, o pai amoroso sugeriu que os meninos esperassem a chuva parar dentro do carro. João e Pedro se entre olharam, e sem falarem nada, um entendeu o pensamento do outro. Deram-se as mãos e correram brincar na chuva.

Evangelizadora: Adriana Cardoso da Silva - Grupo Espírita Amigos de Chico (Santo Ângelo/RS).

Fonte da imagem: Internet Google.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Valorizar-se


Apesar da diferença de idade, as vizinhas Luana e Antônia eram muito amigas. Naquele dia, Antônia encontrou Luana sentada em um canto do quarto, com um olhar triste...

- E aí amiga, a festa bombou?

- É, respondeu Luana, meio sem entusiasmo.

- E essa cara, o que aconteceu?

- Não aconteceu nada. Deixa pra lá...

Um silêncio se seguiu, enquanto Antônia foleava uma revista e Luana permanecia imóvel.

- Tá bom, eu conto! – exclamou Luana. É que eu fiquei com um carinha na festa e agora não acho ele no twitter, no Orkut, nem no msn... Na verdade, não sei nada dele, só o primeiro nome.

Novo silêncio, que é quebrado depois de alguns minutos por Antônia:

- Quer um chiclé?

- Quero!- disse logo Luana.

Antônia então tirou o chiclete da própria boca e ofereceu à amiga.

- Que nojo! – reclamou Luana. De onde você tirou essa ideia?

Antônia riu e disse:

- Engraçado... o meu chiclé você não quer. Mas beijou e deu uns abraços em um garoto que você nem conhece... Dele você não teve nojo, né? E se ele tiver hepatite, herpes, cárie?

Antônia explicou que a cárie e algumas doenças são transmissíveis pelo beijo, inclusive a gripe.

- Sem falar na troca de energias, completou Antônia.

Agora foi a vez de Luana rir, dizendo que a troca de energias foi legal...

Nesse momento, a mãe de Luana entrou no quarto, com um enorme pote de pipocas. Quando ela saiu, Antônia continuou:

- Todas as nossas atitudes e sentimentos deixam marcas, em nós e com quem nos relacionamos. Por isso, é importante conhecermos as pessoas, seus valores e caráter. Você emprestaria o Toy para esse garoto que você ficou?

Toy era o cachorrinho de Luana, seu companheiro inseparável.

- Não emprestaria, né? - completou Antônia. Mas você emprestou a Luana! Valorizar quem gostamos inclui valorizar a si mesma! Valorizar o próprio corpo, a companhia... Se você conhecesse ele um pouco melhor, soubesse que é um cara legal, não estaria com esta cara hoje!

Luana sabia que a amiga estava com a razão. Contou a ela mais sobre a festa, enquanto Antônia explicou que somos responsáveis pelos relacionamentos que cultivamos, e completou:

- Também no ficar, no namorar, vale aquela regra ensinada por Jesus: “fazer aos outros o que queremos que nos façam”. Se todo mundo seguir, não haverá traições, nem mágoas.

E foi assim, conversando, enquanto comiam pipocas, que Luana prometeu à amiga que teria atitudes diferentes, no futuro.


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 15 de agosto de 2020

Escolhendo o Presente do Papai


Andando pelas ruas de comércio da cidade, Julinho, de oito anos, pensava:

— O que vou comprar de presente para o papai?

Aproximava-se o Dia dos Pais e ele queria dar um presente ao seu pai, mas que representasse seu próprio esforço.

Conseguira economizar dez reais da mesada do mês e disse à mãe:

— Mamãe! Posso escolher um presente para o papai? Mas quero fazer isso sozinho!

Antes de responder, a mãe pensou um pouco, e achou que seria bom para o filho: ele ia exercitar a responsabilidade, aprender a utilizar o livre-arbítrio, isto é, entre várias opções de escolha, tomar a decisão adequada à quantia que tinha em suas mãos; além disso, saindo desacompanhado, também exercitaria a independência, tornando-se mais confiante e seguro de si mesmo.

Depois de pensar, a mãe decidiu:

— Está bem, Julinho, pode ir. Mas, espere um momento. Vou pegar o dinheiro para você levar.

— Não precisa, mamãe. Eu tenho dinheiro! Economizei na mesada deste mês — afirmou o menino com satisfação, tirando a nota de dez reais do bolso da calça e mostrando-o à mãe.

Agradavelmente surpresa, a senhora sorriu e disse:

— Então está bem, meu filho. Cuidado ao atravessar as ruas e guarde bem seu dinheirinho. Vá com Deus!

O menino arrumou-se, penteou os cabelos, colocou a nota no bolso da calça e despediu-se da mãe.

Andou por várias lojas. As opções eram muitas. Olhou calças e camisas, mas eram caras. Um par de sapatos? Nem pensar! Não tinha dinheiro para comprá-los.

Caindo na realidade, começou a ver coisas mais ao seu alcance. Talvez um lenço ou um par de meias? Quem sabe uma caixa de chocolates? Seu pai gostava de música; quem sabe um CD de músicas resolveria a questão?

As dúvidas eram muitas, e os preços também.

Na verdade, olhando as vitrines das lojas, Julinho pensava... pensava... Ele queria dar algo ao seu pai, a quem amava tanto, mas que ele pudesse se lembrar dele para sempre. Que o presente o acompanhasse por toda a vida!

Desse modo, as coisas de comer estavam descartadas. Uma gravata, uma caixa de lenços ou um par de meias, ele usaria por algum tempo, depois iria deixar de lado por terem ficado velhos. O CD, ele poderia não gostar das músicas.

Com a cabecinha cheia de dúvidas, Julinho passou por uma livraria e seus olhos se arregalaram:

— Um livro! Por que não pensei nisso antes?

Decidido, entrou na livraria e, no meio dos livros que estavam em exposição, achou um perfeito e com desconto! Era exatamente o que ele queria, e ao preço de dez reais! Seu pai iria adorar!

Mandou embrulhar para presente, pagou e saiu da loja todo feliz.

No domingo, Dia dos Pais, Julinho levantou-se cedo e, passando a mão no pacote, correu a abraçar seu pai. Com o presente escondido nas costas, ele chegou ao quarto do pai todo sorridente.

— Papai, parabéns pelo seu dia! Trouxe uma coisa para você. Olhe!

E estufando o peito com orgulho, entregou ao pai o lindo pacote amarrado com bela fita vermelha.

— Obrigado, filhinho. Mas, o que será? — disse o pai, mostrando curiosidade.

Ao abrir o pacote deparou-se com um livro.

— Meu filho! É um presente muito valioso. Adorei a ideia!

— Fui eu que escolhi, papai. Queria dar-lhe um presente que fosse útil em todas as ocasiões e que, cada vez que o abrisse, se lembrasse de mim.

Comovido, ele exclamou:

— Acertou em cheio, meu filho! Não poderia ter escolhido melhor. Obrigado!

Deu um grande e carinhoso abraço no pequeno Júlio. Depois, mostrou o livro à mãe.

— Veja, querida. É um exemplar de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”!

A mãe, também comovida, abraçou-se aos dois e ficaram os três enlaçados.

— Sabia que você iria gostar, papai. Certo dia, ouvi você dizer para a mamãe que este livro traz muito conhecimento para quem o lê e serve em todos os momentos: na alegria e na tristeza, na saúde e no sofrimento. Que ele consola, alegra, dá paz e esperança a quem precisa.

— Isso mesmo, meu filho. Você lembrou muito bem. Nesta obra estão contidas as lições que Jesus nos deixou para servir-nos de guia na existência.

Emocionado, naquele momento o pai pediu que orassem juntos para agradecer a Deus o filho tão especial que lhe dera, e também o dia que estava apenas começando, mas que prometia ser feliz e cheio de bênçãos.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 1 de agosto de 2020

Corpo Morada do Espírito


Muriel é um menino de cinco anos muito inteligente e que possui muitos amigos na escola. Mas ele tem um probleminha... não gosta de tomar banho, de lavar o cabelo, nem de limpar as orelhas.

Todo dia, na hora do banho, é a mesma coisa: ele reclama, se esconde, chora para não tomar banho. Não importa se o banho é de banheira ou de chuveiro, ele foge da água! E sempre, depois de muita discussão, ele toma banho, janta e vai dormir.

Uma noite, porém, quando Muriel começou a reclamar, perguntando porque tinha que tomar banho todos os dias, a mãe concordou que ele ficasse sem banho, lavando apenas as mãos para o jantar.

Na manhã seguinte, o menino não tomou banho para ir à escola e, quando vestiu o uniforme não percebeu que suas pernas e braços estavam bastante sujos, das brincadeiras do dia anterior. E assim, sujinho, ele foi para a escola.

No meio da manhã, Muriel ligou para a mãe ir buscá-lo, chorando. Quando a mãe chegou, ele disse, em meio a lágrimas:

- Não sou Cascão! Não sou porquinho! Não cheiro a lixo!

E assim, meio conversando, meio chorando, ele contou que os colegas, quando viram que ele tinha os braços e as pernas sujos, começaram a colocar apelidos e dizer que ele cheirava mal, pois não tinha tomado banho.

A mãe levou Muriel para casa, sem nada dizer. E, pela primeira vez, ele tomou banho sem reclamar.

Quando o menino se acalmou, a mãe explicou:

- Filho, o corpo é um presente de Deus para a morada do Espírito que somos. Precisamos do corpo para viver no planeta Terra, lugar em que aprendemos muitas coisas importantes para a nossa evolução espiritual. Cada Espírito reencarna em um corpo físico adequado a sua evolução, e é importante cuidar do corpo para que ele cumpra sua função: abrigar o Espírito enquanto está encarnado.

O menino ouvia atento, com os olhos vermelhos de tanto chorar.

- É preciso manter o corpo limpo para não sermos alvo de apelidos, mas também para não ficarmos doentes, porque a sujeira é porta de entrada para muitas doenças. Somos responsáveis por nossas atitudes, e cabe a cada um escolher tomar banho, limpar as orelhas, fazer exercícios e comer comidas saudáveis, para que o corpo possa cumprir a sua função adequadamente.

A partir daquele dia, quando Muriel começava a reclamar porque tinha que tomar banho, a mãe lembrava que ele era responsável pelos cuidados como seu corpo e, se fosse chamado de Cascão, que não ligasse pra ir buscá-lo na escola. E o menino, lembrando da lição, tomava um banho caprichado, limpava as orelhas, e até colocava perfume...


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

O valor de Uma Prece


Lúcia tomava um refresco na padaria próxima a sua casa, quando Adelaide, sua amiga de infância, chegou para cumprimentá-la. Adelaide estava sorridente e, ao abraçar a amiga, já foi contando o motivo de sua felicidade:

- Lúcia, fui, hoje pela manhã, na casa de uma senhora que faz orações pelas pessoas e pedi que rezasse pela minha família e principalmente pelo meu filho que está passando por um momento delicado. Agora estou me sentindo mais aliviada.

Lúcia atenciosa respondeu a amiga:

- Sim Adelaide, fiquei sabendo que seu filho está com um sério problema de saúde. Desejo-lhe melhoras – e fazendo uma pequena pausa para que formulasse bem o questionamento, falou – mas por que diz que se sente aliviada?

Adelaide, como se estivesse óbvia a sua resposta, respondeu à amiga:

- Ora! Como sei que tem alguém rezando pelo meu filho me sinto mais confortada.

- Ah sim! Dizem que oração nunca é demais – e sorrindo, Lúcia completou o raciocínio – todo pensamento positivo em favor de alguém ajuda muito, nós não temos ideia do quanto. Mas você tem rezado também?

Adelaide, demonstrando tristeza no olhar e ao mesmo tempo uma decepção consigo mesma, respondeu:

- Ando correndo tanto, com problemas diversos, que não tenho tido tempo para me concentrar nas orações.

Lúcia novamente tentando proporcionar reflexão à amiga questionou:

- Sim, entendo, mas para você qual o verdadeiro sentido de uma oração, o que a torna mais valorosa?

- Não sei, acho que o sentimento que é colocado nela. – respondeu Adelaide, um pouco confusa.

- Pois, então, querida amiga, se o valor está no sentimento, qual é a pessoa mais apropriada para fazer as orações? É você mesma. Não digo que não há mérito nas orações da senhora que se propôs caridosamente a rezar pela sua família, pois é muito importante recorrermos aos amigos para que nos ajudem nos momentos difíceis, dividimos a carga, se torna menos pesado, porém não podemos esquecer a nossa parte, Adelaide.

Devido ao amor que sente pelo seu filho certamente as suas preces serão movidas com mais intensidade, chegarão mais longe e mais rapidamente. Como falei antes, não estou desmerecendo as orações dos amigos queridos, elas também proporcionam alívio, mas quando estamos diretamente ligados às pessoas que queremos ajudar, possuímos muito mais poder de ajuda, não podemos delegar isso inteiramente a terceiros. Consegue me entender, querida?

- Sim, analisando assim tem mais sentido, realmente tenho falhado nesse sentido, obrigada Lúcia, você como sempre abrindo meus olhos, fornecendo conceitos tão lógicos que no dia a dia não consigo refletir sozinha. – respondeu Adelaide muito grata.

"Naquela noite, e nas que seguiram, Adelaide orou, com muita fé, pelo filho, que com certeza, foi beneficiado pelas preces da mãe."


Juliana Guzzo

Fonte da imagem: Internet Google.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Ideia Infeliz


Tim tem andado bastante triste, ultimamente... Na escola, está com dificuldades em algumas matérias... Educação física, então, tem vontade de fugir das aulas! Tina lhe deu um fora, e não quer mais saber dele.... Os pais não dão moleza: tem que ir bem na escola, tem que obedecer, não pode sair de noite com os amigos, nem ficar tempo demais no computador.

Várias vezes ele tem se perguntado: Por que continuar vivendo? Dá tudo errado pra mim! Quantas dificuldades! Por que a minha vida é assim?

Tim costuma se comparar com os amigos, e parece (somente parece!) que eles não têm problemas... Estão sempre alegres, têm namoradas, os pais não implicam com eles... Tudo muito bom e fácil.

Então, um dia, Tim resolveu acabar com seus problemas. Quando estava organizando o plano, sentado em um banco da escola, Pipa apareceu pra conversar.

Falaram da escola, da família. A menina percebeu que Tim estava muito triste, e que precisava de um ombro amigo.

- Tomei uma decisão. Chega de sofrer. E Tim começou a contar tudo que lhe incomodava.

Pipa ouviu atentamente. Deixou que o menino aliviasse o seu coração, pois sabia que ser ouvido e ter amigos, principalmente em momentos difíceis, é muito importante. Quando ele terminou, ela lembrou que todos temos problemas, que não existe família perfeita e que precisamos buscar ajuda, e não fugir daquilo que nos deixa tristes.

- Mas logo todos meus problemas vão acabar, lembrou o menino.

- Aí é que você se engana... Quando morremos, nosso corpo morre, mas o Espírito continua vivo, e quem se mata passa a viver no mundo espiritual em locais tristes, de muito sofrimento. A morte não termina com as dificuldades, apenas muda de lugar os problemas.

O menino ficou pensativo.

- Além disso, você terá que enfrentar problemas semelhantes aos que está tentando fugir em outras reencarnações. E pode renascer com dificuldades, inclusive físicas ou mentais, como consequência do suicídio. E você já pensou no sofrimento, na tristeza de seus pais e amigos?

Tim logo lembrou da irmã menor... Seus pais o amavam, ele tinha certeza... E tinha a tia Ju, que ele adorava, também... Ficou um tempo em silêncio, pensando, e perguntou:

- Mas às vezes me pergunto: Pra que viver? Afinal, por que estamos neste Planeta?

Pipa aproveitou que Tim estava prestando atenção e lembrou que cada pessoa é um Espírito encarnado em um corpo, com o objetivo de aprender com as dificuldades, e evoluir espiritualmente. E que vamos reencarnar muitas vezes, até atingir a perfeição.

- Tarefa difícil, pensou alto Tim.

- Mas se torna mais fácil se seguimos os ensinamentos de Jesus, praticando a caridade, a paciência e aceitando os problemas como oportunidades de aprendizado. Não existe problema sem solução! É preciso buscar ajuda, conversar...

E foi assim que Pipa esclareceu o amigo que pensava em fazer uma enorme bobagem, da qual se arrependeria por muito tempo... Também lembrou da importância da prece, principalmente quando estamos com dificuldades, pois nosso Espírito protetor nunca nos abandona.

E ela acompanhou de perto Tim, por muito tempo, até que teve a certeza de que ele tinha abandonado a ideia infeliz, e entendido que é importante aprender com as situações que a vida apresenta, jamais desistindo por causa dos problemas, porque é através deles que desenvolveremos as virtudes necessárias para a conquista da felicidade.


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Refletindo Sobre a Criação


Lucas estava de férias da escola, mas, mesmo assim, sentia-se entediado devido ao cancelamento de sua viagem, há tempos programada. Andava de um lado para o outro quando se deparou com um livro e pensou: “Vou lê-lo, quem sabe o tempo passe mais rápido”.

A leitura era sobre a criação do Universo, dizia que Deus o criou como em um “passe de mágica”, apenas com um gesto tudo apareceu. Assim também criou as primeiras figuras humanas, Adão e Eva.

Para Lucas aquilo não parecia ter sentido, mas continuou a leitura, queria terminar aquele raciocínio para que pudesse formar a sua opinião. Foi quando chegou sua prima, Clara, que vinha entregar as encomendas para sua tia, mãe de Lucas, pois Clara fazia lanches para vender, e era a responsável pelo lanche daquela tarde.

Ao chegar, Clara cumprimentou carinhosamente o primo que estava entretido nas páginas do livro, e não conteve a curiosidade:

- Mas que livro é esse Lucas, que você está lendo com tanta atenção?

Lucas voltou o olhar para a prima e respondeu:

- É um livro que achei aqui em casa, veja!

Clara olhou, viu de que se tratava e perguntou ao primo:

- Você concorda com essa teoria?

Lucas rapidamente respondeu:

- Eu não concordo com a forma que diz como tudo foi criado, mas acredito na autoria, sei que Deus é o Pai Universal, o Criador de tudo. E também tem essa história de Adão e Eva que para mim não tem coerência. Não acredito que toda a maldade mundana originou-se só porque Eva comeu a tal maçã, que ela é a culpada pelas nossas dores ou castigos. É conveniente acreditar nessa teoria, pois é tão mais fácil culpar essa mulher de todos nossos pecados. Sem falar que Adão e Eva, pela lógica, não poderiam originar todos os povos, toda a raça humana. A ciência explica a criação de forma diversa. Na minha opinião, a religião e a ciência deveriam andar de mãos dadas.

Clara surpreendeu-se com o primo, não imaginava que ele, tão novo, tivesse esse pensamento. Então, inspirada, respondeu:

- Sim, Lucas, concordo com você. Na ciência há leis da matéria e na religião há leis morais, e todas elas provêm de um princípio que é Deus, portanto uma não pode contradizer a outra, e sim, se completarem. Eu acredito que nada pode ser criado “magicamente” de uma hora para outra. A criação foi feita com muita calma, no decorrer do tempo, respeitando-o, através de uma evolução que vai desde o reino vegetal até o ser pensante, e tudo é regido por uma força maior, causa primária de todas as coisas, ou seja, Deus.

Depois de ouvir atentamente a prima, Lucas respondeu:

- Nossa Clara, como você sabe tudo isso?

- É um assunto que sempre me questionei, então comecei a estudar, li alguns livros a respeito e, hoje, já tenho a minha opinião formada sobre a criação.

A explicação de Clara foi fundamental para que Lucas pensasse a respeito. Os dois ficaram conversando a tarde toda, e não viram o tempo passar.


Juliana Guzzo

Fonte da imagem: Internet Google.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Buscando Solução


O pequeno Gabriel, de sete anos apenas, andava muito triste.

O ambiente da sua casa, que sempre fora cheio de paz, amor e alegria, já não era o mesmo.

Desde algum tempo, percebia que seus pais brigavam muito. Mal se falavam e, quando isso acontecia, era para discutir.

Gabriel e seus irmãos, Clarinha e Vinícius, pouco mais velhos do que ele, ficavam quietinhos no quarto, com o coração apertado de preocupação, sem saber o que fazer para ajudar.

Um dia, os pais brigaram tanto que o pai saiu de casa batendo a porta com estrondo, e a mãe ficou chorando muito em seu quarto.

Gabriel não conseguia pensar em nada mais. Não estudava, não brincava, não conseguia fazer seus deveres e estava indo mal na escola.

Há dois dias eles tinham brigado e o pai ainda não voltara para casa. Sua mãe parecia uma sombra, sempre de olhos inchados de tanto chorar.

— Mamãe, o papai não vai voltar? — perguntou, preocupado com a situação.

A mãezinha abraçou-o com carinho e sorriu, afirmando:

— Claro que vai, meu filho. Ele está muito ocupado com o trabalho, por isso não tem vindo para casa.

Não se preocupe. Tudo vai bem.

Mas Gabriel sabia que nada ia bem. E ele pensava: “O que será de nós se papai não voltar? Como ficará nossa vida? Será que ele não gosta mais de nós?”

Mas não encontrava resposta para essas perguntas. Porém, ele sabia que precisava fazer alguma coisa.

Lembrou-se de que sua mãe costumava dizer que Deus sempre tinha uma resposta para nos dar diante dos sofrimentos, e que se a buscássemos nas palavras de Jesus, encontraríamos o socorro desejado.

Então Gabriel pegou o Evangelho, abriu numa página qualquer, certo de que Jesus certamente o ajudaria mostrando o caminho. De olhos fechados, colocou o dedinho num local da página. Seus olhos fixaram-se na frase onde colocara o dedo, e leu: “Quem pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate à porta, ela se abrirá.”

De olhos arregalados, leu a frase várias vezes. Sim! Mamãe tinha razão! Jesus tinha lhe mandado a resposta. Entendeu que teria que orar pedindo o que desejava, e que encontraria um meio de resolver a situação dos pais.

Gabriel começou a orar, pedindo a Deus que não permitisse que sua família fosse destruída.

Todas as vezes que se lembrava do problema, ele repetia a oração.

Aquela noite ele conseguiu dormir mais tranquilo.

De manhãzinha, acordou com uma “ideia luminosa” na cabeça. Pegou lápis e uma folha de caderno e escreveu um bilhete para o papai, nestes termos:

“Querido Carlos, eu amo você. Precisamos conversar. Eu espero você naquele restaurante que a gente sempre vai, às oito horas da noite. Um beijo, Fernanda.”

Escreveu outro bilhete igualzinho, só trocando os nomes, como se fosse o papai convidando a mamãe para um encontro. Olhou os bilhetes, contente com ele mesmo. Depois, todo alegre, deixou o bilhete para a mãe na porta da rua, para que ela o encontrasse ao abri-la.

Arrumou-se para ir à escola e, quando foi tomar café, notou que a mãe já estava mais animada.

Na saída da escola, passou no prédio onde seu pai trabalhava, que era bem pertinho, e deixou o bilhete com o porteiro para lhe entregar. Em seguida, pôs-se a orar para seu plano dar certo.

De tarde, sua mãe avisou aos filhos que iria sair um pouco à noite. Depois, foi ao salão se arrumar.

Gabriel não tinha contado nada aos irmãos, que estranharam o comportamento da mãe. Ande será que ela iria?

De noite, a mãe apareceu na sala, já toda arrumada e perfumada, avisando:

— Não vou demorar. Tranquem bem a porta e não saiam de casa.

Mais tarde, quando voltou, os irmãos tiveram uma grande surpresa: o pai a acompanhava.

Carlos abraçou os filhos, com muito amor. Após matarem a saudade, o pai disse às crianças:

— Meus filhos, hoje eu percebi o mal que estava causando a vocês. Eu e a mãe de vocês conversamos e resolvemos nunca mais brigar. Procuraremos acertar nossas diferenças, daqui em diante, dialogando em paz. Hoje compreendemos que, se existe amor, não há o que não se possa resolver.

Parou de falar, enxugou uma lágrima, e prosseguiu:

— E isso nós conseguimos graças ao Gabriel, que encontrou a maneira certa de nos aproximar de novo.

E contou, diante de Clarinha e Vinícius, que ouviram surpresos o que o filho tinha feito.

Muito admirado, Gabriel perguntou:

— Mas como vocês descobriram que fui eu?

Todos riram, quando os pais mostraram os bilhetes que tinham recebido.

Aquela letrinha, a mesma nos dois bilhetes, e tão conhecida, só podia ser a do Gabriel!

O garoto ficou encabulado por ter sido descoberto. E o pai, desarranjando lhe os cabelos, disse emocionado:

— Todos nós temos a agradecer ao nosso querido Gabriel, que soube resolver a situação que eu e sua mãe criamos.

Gabriel sorriu, satisfeito e aliviado, e contou:

— Agradeçam a Jesus. Foi ele que me mostrou o caminho!

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Sinal Vermelho


Minha mãe, dirigindo o carro, parou para aguardar o sinal verde. Enquanto esperávamos, um carro e uma moto ultrapassaram o sinal vermelho.

Nós duas nos olhamos e eu perguntei:

- Não está vermelho o sinal?

Minha mãe respondeu afirmativamente.

- E por que eles passaram?

- Boa pergunta. Não sei por que eles desobedeceram às leis de trânsito. Felizmente não houve um acidente, mas algo muito grave poderia ter acontecido.

O sinal abriu e seguimos rumo à escola. Foi quando minha mãe indagou:

- Você sabe a diferença entre as leis humanas e as leis divinas?

- Não, não sei – eu realmente não sabia.

- As leis divinas regem o Universo e não mudam, como a lei de reencarnação e a lei de evolução. As leis humanas são elaboradas pelos seres humanos e mudam, conforme a época e a evolução do povo. Devemos obedecer às leis humanas, porque elas ajudam as comunidades a viver em harmonia. Já pensou se ninguém respeitasse as leis de trânsito? Quantos acidentes!

- O mundo seria uma bagunça! Sem leis seria o caos – pensei alto.

- Isso mesmo – mamãe concordou. Mas há um detalhe: as pessoas podem desrespeitar as leis humanas sem efeitos imediatos, como o motorista que passou o sinal vermelho, porém, ninguém foge às leis divinas. Todas as nossas atitudes tem consequências, boas ou más, conforme a ação praticada. É a lei de causa e efeito, a que todos estamos sujeitos.

- Então aqueles motoristas vão sofrer um acidente mais tarde, porque passaram o sinal vermelho?

- Não necessariamente. Mas todas as nossas atitudes, boas ou más ficam registradas no nosso “livro da vida”.

- “Livro da vida”? Nunca ouvi falar...

- Uns chamam de “livro da vida”, outros de consciência. É onde estão registradas as leis divinas, e também nossas atitudes e pensamentos. E quando desencarnarmos, e fizermos uma análise da última existência, acessaremos esses arquivos de memória. Por isso aquele ensinamento de Jesus: “Vigiai e orai”! Vigiai os seus pensamentos e ações, a fim de não realizar escolhas erradas, que tragam tristeza e arrependimento no futuro.

Minha mãe e eu somos espíritas. Essa foi mais uma das lições que aprendemos juntas. Ainda falta muito tempo mas, quando eu dirigir meu carro, já sei que devo obedecer as leis de trânsito. Porque, em harmonia com as leis humanas e divinas, estou no caminho da evolução e da felicidade.


Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

A lição do Totó


Era uma vez um menino que se chamava Juquinha.

Juquinha era muito malcriado. Gostava de brigar com os outros garotos e divertia-se em maltratar os animais.

Os garotos se defendiam, mas os pobres animais, muito dóceis e humildes, não reagiam.

Ele vivia atirando pedras nos passarinhos e destruindo seus ninhos; puxava o rabo dos gatos, batia nos cachorros e arrancava penas das galinhas.

Um horror! Ninguém gostava dele.

Sua mãe, que era uma mulher muito bondosa, condoída da sorte dos bichinhos que tinham a infelicidade de cair nas mãos do menino, tentando corrigi-lo aconselhava com carinho:

— Juquinha, meu filho! Tome cuidado. Um dia você ainda vai se arrepender! Que mal lhe fizeram esses pobres bichinhos? Eles são filhos de Deus, como nós, e merecem todo o nosso respeito e carinho.

Mas, qual nada! Juquinha sacudia os ombros, fazia uma careta e ia brincar, sem se importar com os conselhos de sua mãe.

Um dia Juquinha resolveu sair para passear com seu cachorrinho Totó.

O cãozinho ia à frente, todo satisfeito, abanando o rabo. Era tão difícil Juquinha convidá-lo para sair!

Caminhando pela rua, o menino avistou um pequeno galho que tinha caído de uma árvore. Pegou-o, fez com ele uma varinha, e começou a agitá-la no ar. Depois, tendo outra ideia, com más intenções, ameaçou Totó com a varinha, como se fosse bater nele.

O cãozinho, que vez por outra olhava para trás, viu o gesto e percebeu a intenção do garoto.

Totó, que já estava cansado dos maus tratos recebidos do seu dono, resolveu lhe dar uma lição.

Virou-se e deu uma mordida na perna do Juquinha. Uma pequena mordida, apenas para assustá-lo, dar-lhe uma lição. Mas o menino, surpreso e apavorado, começou a chorar de dor.

Com a dor que sentiu ao ser mordido pelo cão, que sempre fora seu amigo, Juquinha percebeu o que os animais sentiam quando ele os machucava.

Desse dia em diante ele tornou-se um menino bonzinho e protetor dos animais.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.