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sábado, 25 de maio de 2013

A Importância do Perdão

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.

Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo.

Desejo tudo de ruim para ele!

Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito! Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola!

O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço.

Depois eu volto para ver como ficou.

O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra.

O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.

Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

- Filho, como está se sentindo agora?

- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:

- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. 

Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então, lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.

O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu.

Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Autor desconhecido

Fonte da imagem: Internet Google.

domingo, 12 de maio de 2013

Acreditar e Agir

Um viajante ia caminhando em solo distante, às margens de um grande lago de águas cristalinas.

Seu destino era a outra margem.

Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.

A voz de um homem coberto de idade; um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo.

O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho.

Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo.

Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pode observar que se tratava de duas palavras, num deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda força.

O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.

Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor.

Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante:

- Esse porto se chama autoconfiança.

Simultaneamente, é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo!

Autor Desconhecido – Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 20 de abril de 2013


Guto e o Vício da Mentira

Guto era um garoto muito esperto. Sempre soube bem aproveitar as oportunidades que teve na vida. Estudava muito e ia bem na escola porque sabia como era importante e difícil para seus pais o sustentarem em um bom colégio.

Adorava matemática e sonhava em ser engenheiro de grandes construções no futuro. Gostava de sua casa e ajudava a mantê-la em ordem, apesar de ser muito carente.

Acompanhava desde pequeno a mãe nos encontros infantis no Centro Espírita.

Agora, que já era mais crescido, com mais responsabilidades e decisões, não ia mais com tanta frequência ao Centro, mais ainda aparecia lá “de vez em quando” porque se sentia bem.

A vida seguia normal, proporcionando as lições necessárias para Guto.

Uma, em particular, se tornou inesquecível: ele não era de mentir, mas, naquele dia, para não receber o castigo em casa, resolveu mentir.

Brigara na escola com um colega e sabia que, por causa disso não poderia ir na excursão da turma, marcada para o fim de semana seguinte. Era algo que estava aguardando há muito tempo.

Não contou nada para os pais, foi na excursão e, aparentemente, o caso ficou para trás. Mas não foi bem assim. Olhando as “vantagens”, tomou gosto pela mentira e passou a utilizar deste infeliz recurso sempre que podia, tirando benefícios nas situações.

Chegou um momento em que estava “viciado” na falsidade e não conseguia mais parar, porque uma mentira levava a outra.

Uma noite ele teve um sonho. Sonhou que era um engenheiro muito famoso e estava recebendo um prêmio por ter projetado uma grande obra na capital. Estava muito feliz e orgulhoso. Mas algo aconteceu.

No momento da premiação, em vez de receber o prêmio, ele foi conduzido à prisão, porque a sua grande obra havia desmoronado.

Foi descoberto que ele utilizava materiais de baixa qualidade, baratos e cobrava como se fossem de luxo; enganara a muitos colegas de profissão para crescer na carreira; prejudicara a muitos com suas mentiras e falsidades...

No sonho, a caminho da prisão, ele se lembrara que tudo começara com pequenas mentiras “inocentes” que ele fazia na infância, e chorou muito.

Apareceu-lhe uma pessoa que lhe disse: - Não se esqueça que, antes de reencarnar, você prometeu a si mesmo que jamais se utilizaria da mentira. Veja agora as consequências...

Neste momento ele acordou extremamente suado e angustiado.

Percebeu que era “apenas” um sonho. Recordou-se de suas aulas no Centro Espírita onde lhe falaram que, muitas vezes, o Espírito protetor se comunica conosco através dos sonhos.

Estava claro para Guto que este diálogo era um aviso para ele mudar de atitude a partir de agora, superando o vício da mentira que trazia com ele, de outras reencarnações.

Orou em agradecimento ao seu Anjo e dormiu mais tranquilo, prometendo jamais se esquecer dos seus novos propósitos e de retomar os estudos no Grupo Espírita.

Luis Roberto Scholl

Fonte do texto e imagem: Internet Google.

domingo, 7 de abril de 2013


A Festa das Borboletas

O céu estava salpicado de borboletas de todas as cores. E como era bonito ver todo aquele colorido movimentando-se no ar. Mas por que tantas borboletas ali reunidas? Foram atraídas por um lindo jardim e na presença de tanta gente, elas bailavam o ar, apresentando um belo espetáculo.

De quem era esse jardim? De Rosinha e Pedrinho. Todas as tardes ao chegarem da escola, guardavam o material escolar, colocavam roupas de jardineiro e iam cuidar dó jardim. Como eram ainda pequenos, seus pais atribuíram-lhes esta tarefa. Mas eles não consideravam só um dever, pois cuidavam com alegria.

Numa tarde, quando lá se dirigiam, Pedrinho falou:

Rosinha, verifique se apareceram algumas ervas daninhas.

Retire-as porque elas prejudicam o jardim.

- Sim, - respondeu ela. Enquanto eu cuido desta parte, você vai revolvendo a terra, deixando-a fofa. Você se lembra que o vento trouxe uma sementinha, que encontrando a terra fofa aqui se aconchegou germinado, transformando-se em uma linda flor?

-É verdade. Hoje ela encanta o nosso jardim. Quem sabe o vento trará outra. Logo vai haver o concurso do jardim mais bem cuidado. Quem sabe ganharemos.

-Olha Pedrinho! Algumas ervas daninhas querendo prejudicar o nosso jardim! Foi bom você lembrar disso.

- Rosinha - não podemos descuidar.

E assim, os dias foram passando e os dois garotos cuidando com todo carinho das folhagens e flores. Elas estavam cada vez mais belas. Havia nesse jardim algo mais que a beleza e o perfume. Uma vibração suave e agradável pairava no ar. A menina acariciava as flores admirando a beleza e a perfeição e dizia:

- Pedrinho. Só Deus poderia fazer algo tão lindo e perfeito assim!

- É verdade Rosinha!

Bem, finalmente chegou o dia do concurso. O lugarejo estava repleto de gente para ver qual jardim era o mais belo. Era uma parada dura, pois havia jardins cuidados por jardineiros profissionais. Era um vai e vem. Pessoas admirando um jardim aqui, outro ali, outro acolá. De súbito, eis que surgem no céu borboletas, formando uma pequena nuvem colorida. Foram atraídas por um jardim, não só pela beleza, mas por uma vibração suave que pairava no ar. E começaram a bailar, chamando a atenção de todos.

Era lindo o espetáculo. Umas pousavam sobre as flores, beijando-as. Outras formavam uma espiral em torno das folhagens. Outras cercavam o jardim em ziguezague. Finalmente desce do alto uma borboleta azul-dourado, maravilhosa, pousa sobre uma linda rosa branca, bem no centro do jardim.

As pessoas não podiam conter a maravilha que viam, dizendo:

- É este o jardim que merece ganhar o concurso!

Rosinha e Pedrinho estavam emocionados. O espetáculo era no seu singelo jardim. Assim eles ganharam o concurso por causa do amor com que cuidavam do jardim atraindo as borboletas.

À noite a menina sonhou que seu espírito guardião lhe dissera:

- Rosinha, assim deve ser o jardim de seu coração e de todas as crianças. As flores são as virtudes, como a bondade, o respeito e a simplicidade. O perfume; são as vibrações que as virtudes emitem.

Sempre que aparecer ervas daninhas como a tristeza, a agressividade, retire-as para não sufocar as sementinhas boas que estão germinando. Cuide bem do jardim de seu coração, criança e que Jesus a abençoará.

Desse dia em diante. Rosinha começou a cuidar de dois jardins: o de sua casa e o de seu coração.

Maria H. F. Leite
Fonte da imagem: Internet Google. 
 

 

sábado, 23 de março de 2013


A Força do Amor

Preparavam-se os noivos para os esponsais, quando os pais da jovem descobriram que o pretendente à mão da filha era frequentador assíduo de uma casa de jogos. Decidiram então se opor tenazmente à realização do matrimônio, a pretexto de que o homem que se dá ao vício do jogo jamais pode ser bom marido.

Mas, a jovem, obstinada em desconhecer as razões invocadas pelos pais, acabou por vencer-lhes a resistência e casou-se.

Nos primeiros dias de vida conjugal, o homem portou-se como um marido ideal. A pouco e pouco, porém, renascia lhe, cada vez mais irrefreável, o desejo de voltar à mesa de jogo. Certa noite, incapaz de resistir a pressão do vício, retornou ao convívio de seus antigos companheiros.

No lar, a esposa, sentada em uma cadeira de balanço, aguardava o regresso do marido, que tardava. Embora ocupada com alguns trabalhos de bordado, tinha a mente presa aos ponteiros do relógio, cujas horas pareciam suceder-se cada vez mais lentas. Já era quase uma hora da madrugada, quando o marido abriu a porta da sala. Visivelmente irritado com o surpreender a companheira ainda em vigília, pois via nisso ostensiva censura à sua conduta, interrogou-a asperamente:

- Que fazes aí, a estas horas?

- Entretenho-me com este bordado, respondeu ela, imprimindo à voz um acento de ternura e bondade.

- Não vês que é tarde?

- Sinceramente, distraída como me achava, não havia atentado para o adiantado da hora...

E, sem dar maior importância à ocorrência, foi ela deitar-se.

No dia seguinte, à noite, repetiu-se a cena. O marido ausentou-se e a esposa, já ciente do que se passava, pôs-se de novo a esperá-lo. Quando ele chegou, já pelas duas da madrugada, encontrou a companheira de pé. Então, num assomo de cólera, bradou:

- Que é isto? Outra vez acordada?!

- Sim, não quis que fosse deitar-te, sem que antes fizesses um ligeiro repasto. Preparei-te um chá com torradas e aqui o tens quentinho! Espero que o aprecies.

E, sem indagar do marido onde estivera e o que fizera até aquelas horas, a boa esposa beijou-lhe carinhosamente a fronte e recolheu-se ao leito.

Na terceira noite, nova ausência do marido e nova espera da esposa. Lá por volta de uma e meia da madrugada, entrou ele e, antes que se insurgisse contra a atitude da companheira, esta se lhe prendeu ao colo, num afetuoso abraço, e exclamou:

- Querido, D. Antonieta, nossa vizinha, ensinou-me a receita de um bolo delicioso e eu não queria que te deitasses, sem que antes provasses dele.

A ocorrência repetiu-se por várias vezes, com visíveis e crescentes preocupações para o marido. Na mesa de jogo, tinha o pensamento menos preso às cartas do que à esposa que o esperava pacientemente, como um anjo da paz.

Começou, então, a experimentar uma sensação de vergonha, ao mesmo tempo que de indiferença e quase de repulsa por tudo quanto o rodeava, porque já era mais forte do que o vício o amor por aquela criatura que nele operava tão radical transformação.

De olhar vago e distante, como se tivesse diante de si outro cenário, levantou-se abruptamente, cedendo a um impulso quase automático, e retirou-se, para nunca mais voltar...

Transcrito de "O Primado do Espírito" por: Rubens Romaneli.

Fonte da imagem e texto: Internet Google.

domingo, 3 de março de 2013


Na Estrada de Emaús

Cleofas e um companheiro caminhavam por uma estrada que conduzia a uma aldeia chamada Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Faziam o trajeto a pé, como era costume naquela época entre as pessoas sem recursos.

Enquanto caminhavam, eles iam conversando. Sentiam-se amargurados. Jesus tinha sido crucificado e eles comentavam sobre os trágicos acontecimentos que tinham ocorrido e lamentavam a morte do Mestre que nunca mais poderia estar com eles.

Assim falavam, quando se aproximou um homem e começou a caminhar ao lado deles, mas eles estavam tão angustiados que não se preocuparam em olhar direito para ele e por isso não perceberam que era Jesus.

Então, o homem lhes disse:

— Sobre o que vocês estão conversando? E por que estão tristes?

Cleofas, tomando a palavra e até um pouco irritado pela intromissão do desconhecido, disse-lhe, surpreso:

- Pois quê! O senhor é tão estrangeiro em Jerusalém que não sabe o que se tem passado ali nestes últimos dias?

— O quê? — indaga o estranho.

E os dois seguidores do Mestre responderam:

— Sobre Jesus Nazareno, que foi profeta poderoso diante de Deus e de todo o povo, e de que modo os sacerdotes e nossos senadores o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, esperávamos que fosse ele o Messias e que resgatasse Israel. Entretanto, depois de tudo isto, este é o terceiro dia que estas coisas sucederam. Por outro lado, algumas mulheres, seguidoras do Mestre, foram até seu túmulo e não o encontraram, declarando que tinham visto anjos que afirmaram estar ele vivo.

Então, o homem lhes disse:

— Ó insensatos e lentos de coração, para crer em tudo o que os profetas disseram! Não era preciso que o Cristo sofresse todas as coisas e que entrasse assim na sua glória?

E, começando por Moisés e depois por todos os profetas, ele lhes explicava o que tinham dito dele as Escrituras.

Quando estavam perto da aldeia para onde iam, ele deu mostras de que ia mais longe.

Os dois amigos, porém, o convenceram a parar, dizendo:

— Fique conosco. Já é tarde e o dia está terminando. É perigoso andar por estas estradas à noite.

O desconhecido, achando que tinham razão, decidiu-se a ficar com eles.

Sentaram-se para cear. Estando com Cleofas e seu companheiro à mesa, ele tomou o pão, abençoou e, tendo-o partido, lhes deu.

Nesse momento, sentados diante dele, à luz de uma tocha, puderam vê-lo melhor. Seus olhos se abriram e eles o reconheceram.

— É Jesus! — disseram a um só tempo.

Seus corações batiam descompassados, e uma grande alegria inundava-lhes o íntimo. Mal podiam acreditar em tamanha felicidade!

Todavia, foi um momento só. Logo em seguida, o Mestre desapareceu diante deles.

— Como não o reconhecemos? — disse um ao outro.

— Contudo, a verdade é que sentimos o coração se nos aquecer enquanto ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras.

Estavam eufóricos. Levantaram-se no mesmo instante e voltaram para Jerusalém.

Precisavam contar a todos o que lhes tinha acontecido em caminho e como eles reconheceram Jesus no partir do pão.

Um grande bem-estar os dominava. Sentiam-se agora confiantes e seguros como jamais estiveram. O Mestre estava vivo! Ele não morrera na cruz. Retornara para lhes dar a derradeira lição da imortalidade da alma, confirmar tudo o que lhes tinha ensinado, mostrando aos seus discípulos que a morte não existe.

(Adaptação do cap. 24:13 a 35 do Evangelho de Lucas.)

Por: Célia Xavier Camargo - Fonte: O Consolador - Revista Semanal de Divulgação Espírita.

Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 16 de fevereiro de 2013


Patrimônio Inútil

Conta Esopo (século VI a.C.), que um homem extremamente zeloso de seus haveres, decidido a resguardar-se de qualquer prejuízo, tomou radical providência:

Vendeu todos os seus haveres e comprou vários quilos de ouro que fundiu numa única barra.

Em seguida, enterrou-a em mata cerrada.

À noite, solitário e esquivo, contemplava, em êxtase, seu tesouro.

Algo de tio Patinhas, o milionário sovina das histórias em quadrinhos, que se deleita mergulhando num tanque cheio de moedas.

Um dia foi seguido por amigo do alheio.

Quando se afastou, após a adoração rotineira, o gatuno desenterrou o ouro e escafedeu-se.

O avarento quase enlouqueceu tamanho o seu desespero.

Um vizinho, ao saber do fato, ponderou:

– Não sei por que está tão transtornado! Afinal, se no lugar do ouro estivesse uma pedra seria a mesma coisa. Aquela riqueza não tinha nenhuma serventia para você…

Difícil encontrar na atualidade pessoas dispostas a enterrar seus haveres.

Raras os têm sobrando.

Além disso, seria correr risco inútil.

As instituições financeiras guardam com segurança nosso dinheiro. Até produzem rendimentos, sem surpresas desagradáveis, salvo quando têm o mau gosto de quebrar, por incompetência ou corrupção.

Não obstante, muita gente costuma enterrar um bem muito mais precioso, uma riqueza inestimável – a existência.

Se nos dermos ao trabalho de analisar a jornada terrestre, com suas abençoadas possibilidades de edificação, perceberemos como é valiosa.

Traz-nos inúmeros benefícios:

* O esquecimento do passado ajuda-nos a superar paixões e fixações que precipitaram nossos fracassos.

* A convivência com desafetos transmutados em familiares favorece retificações e reconciliações indispensáveis.

* O contato com companheiros do pretérito, nas experiências do lar e na atividade social, estreita os laços de afetividade.

* A armadura de carne inibe as percepções espirituais, minimizando a influência de adversários desencarnados.

* As necessidades do corpo induzem à bênção do trabalho.

* O esforço pela subsistência desenvolve a inteligência.

* As limitações físicas refreiam os impulsos inferiores.

* As enfermidades depuram a alma.

* As lutas fortalecem a vontade.

* A morte impõe oportuno balanço existencial, sinalizando onde estamos, na jornada evolutiva.

No entanto, à semelhança do unha-de-fome de Esopo, muita gente troca o tesouro das oportunidades de edificação por uma barra luzente de efêmeras realizações, cuidando apenas de seus interesses, de seus negócios, de suas ambições…

Quando tudo corre bem, há os que se deslumbram com essa “riqueza”, como aquele lavrador da passagem evangélica:

Construiu grandes celeiros, guardou neles toda a sua produção e proclamou para si mesmo (Lucas, 12:18-20):

– Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te…

Mas Deus lhe disse:

– Insensato, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Exatamente assim acontece com aquele que se apega às ilusões humanas, buscando realizações de brilho efêmero.

Um dia vem o indefectível ladrão – a morte –, e lhe rouba o corpo.

Indigente na vida espiritual, desespera-se.

Chora, inconformado.

Recusa-se a aceitar a nova situação.

Esopo lhe diria:

– Por que o lamento? Houvesse você estagiado nas entranhas de uma pedra e o resultado seria quase o mesmo. A experiência humana pouco lhe serviu!

Livro: Luzes no Caminho - Richard Simonetti.
Fonte da imagem: Internet Google.

sábado, 19 de janeiro de 2013


ESPIRITISMO E DIVULGAÇÃO

O excelente advogado Joaquim Mota, espírita de convicção desde a primeira mocidade, possuía ideais muito próprias acerca de pensamento religioso. Extremamente sensível, julgava um erro expor qualquer definição pessoal, em matéria de fé. “Religião – costumava dizer – é assunto exclusivo de consciência”. E fechava-se. Na biblioteca franqueada aos amigos, descansavam tomos em percalina e dourados, reunindo escritores clássicos e modernos, em ciência e literatura. Conservava, porém, os livros espíritas isolados em velha cômoda do espaçoso quarto de dormir. Não agia assim, contudo, por maldade. Era, na essência, um homem sincero e respeitável, conquanto espírita à moda dele, sem a menor preocupação de militância. Espécie de ilha amena, cercada pelas correntes do comodismo. Encasquetara na cabeça o ponto de vista de que ninguém devia, a título algum, falar a outrem de princípios religiosos que abraçasse, e prosseguiu vida a fora, repelindo qualquer palpite que o induzisse à renovação.

Era justamente a esse homem que fôramos confortar, dentro da noite.

Mota vinha de perder a companhia de Licínio Fonseca, recentemente desencarnado, o amigo que lhe partilhara vinte e seis anos de serviço no foro. Ambos amadurecidos na existência e na profissão, após os sessenta de idade, eram associados invariáveis de trabalho e de luta. Juntos sempre nos atos jurídicos, negócios, interesses, férias e excursões.

Sem o colega ideal, baqueara Mota em terrível angústia. Trancava-se em lágrimas, no aposento íntimo, ansiando vê-lo em espírito... E tanto rogou a concessão, em preces ocultas, que ali nos achávamos, em comissão de quatro cooperadores, com instruções para levá-lo ao companheiro.

Desligado cautelosamente do corpo, que se acomodara sob a influência do sono, embora não nos percebesse o apoio direto, foi Joaquim transportado à presença do amigo que a morte arrebatara.

No leito de recuperação do grande instituto beneficente a que fora recolhido, no Mundo Espiritual, Licínio chorou de alegria ao revê-lo, e nós, enternecidos, seguimos, frase a frase, o diálogo empolgante que se articulou, após o júbilo extrovertido das saudações.

- Mota, meu caro Mota – soluçou o desencarnado, com impressionante inflexão -, a morte é apenas mudança... Cuidado, meu amigo! Muito cuidado!... Quanto tempo perdi, em razão de minha ignorância espiritual!!... Saiba você que a vida continua!...

- Mas eu sei disso, meu amigo – ajuntou o visitante, no intuito de consolá-lo -, desde muito cedo entrei no conhecimento da imortalidade da alma. O sepulcro nada mais é que a passagem de um plano para outro... Ninguém morre, ninguém...

- Ah! Você sabe então que o homem na Terra é um Espírito habitando provisoriamente um engenho constituído de carne? Que somos no mundo inquilinos do corpo? – indagou Licínio, positivamente aterrado.

- Sei, sim...

- E você já foi informado de que quando nascemos, entre os homens, conduzimos ao berço as dívidas do passado, com determinadas obrigações a cumprir?

- De modo perfeito. Muito jovem ainda, aceitei o ensinamento e a lógica da reencarnação...

- Mota!... Mota!... – gritou o outro visivelmente alterado – você já consegue admitir que nossas esposas e filhos, parentes e amigos, quase sempre são pessoas que conviveram conosco em outras existências terrestres? Que estamos enleados a eles, frequentemente, para o resgate de antigos débitos?

- Sim, sim, meu caro, não apenas creio... Sei que tudo isso é a verdade inconteste...

- E você crê nas ligações entre os que voltam para cá e os que ficam? Você já percebe que uma pessoa na Terra vive e respira com criaturas encarnadas de obsessão, entre os chamados vivos e mortos, raiando na loucura e no crime?!...

- Claramente, sei disso...

O interlocutor agarrou-lhe a destra e continuou, espantado:

- Mota! Mota! Ouça!... Você está certo de que a vida aqui é a continuação do que deixamos e fazemos? Já se convenceu de que todos os recursos do plano físico são empréstimos do Senhor, para que venhamos a fazer todo o bem possível e que ninguém, depois da morte, consegue fugir de si mesmo?...

- Sim, sim...

Nesse instante, porém, Licínio desvairou-se. Passeou pelo recinto o olhar repentinamente esgazeado, fez instintivo movimento de recuo e bradou:

- Fora daqui, embusteiro, fora daqui!...

O visitante, dolorosamente surpreendido, tentou apaziguá-lo:

- Licínio, meu amigo, que vem a ser isso? Acalme-se, acalme-se... – Sou eu, Joaquim Mota, seu companheiro do dia-a-dia...

- Nunca! Embusteiro, mistificador!... Se ele conhecesse as realidades que você confirma, jamais me teria deixado no suplício da ignorância... Meu amigo Joaquim Mota é como eu, enganado nas sombras do mundo... Ele foi sempre o meu melhor irmão!... Nunca, nunca permitiria que eu chegasse aqui, mergulhado em trevas!...

Mota, em pranto, intentava redarguir, mas interferimos, a fim de sustar o desequilíbrio e, para isso, era preciso afastá-lo de imediato.

Mais alguns minutos e o advogado reapossou-se do corpo físico. Nada de insegurança que o impelisse à ideia de sonho ou pesadelo. Guardava a certeza absoluta do reencontro espiritual. Estremunhado, ergueu-se em lágrimas e, sequioso de ar puro que lhe refrigerasse o cérebro em fogo, abriu uma das janelas do alto apartamento que lhe configurava o ninho doméstico.

Mota contemplou o casario compacto, onde, talvez, naquela hora, dezenas de pessoas estivessem partindo da experiência passageira do mundo para as experiências superiores da Vida Maior e, naquele mesmo instante da madrugada, começou a pensar, de modo diferente, em torno do Espiritismo e da sua divulgação.

Livro: Cartas e Crônicas – Médium: Chico Xavier - Espírito Irmão X.

Fonte da imagem: Internet Google.